Os crimes digitais no carnaval preocupam autoridades e especialistas, principalmente porque milhões de foliões aumentam a exposição nas redes sociais durante a festa. Além disso, o uso intenso de aplicativos de relacionamento e pagamentos digitais amplia o campo de atuação de golpistas.
Segundo a advogada Maria Eduarda Amaral, especialista em Direito Digital, qualquer conteúdo publicado online pode ser manipulado. Por isso, a atenção deve ser redobrada. Enquanto muitos aproveitam os blocos e festas, criminosos monitoram postagens em tempo real para identificar possíveis vítimas.
Aplicativos de encontros exigem cautela
Em primeiro lugar, os aplicativos de relacionamento se tornaram alvo frequente de fraudes. Criminosos criam perfis falsos com fotos manipuladas por inteligência artificial. Em seguida, conquistam confiança e sugerem encontros em locais isolados.
Consequentemente, a vítima pode ser exposta a roubos, extorsões ou sequestros. Por essa razão, a especialista recomenda verificar redes sociais, conferir informações pessoais e priorizar encontros em locais públicos e movimentados.
Além disso, chamadas de vídeo também exigem cuidado. Embora ajudem a confirmar identidade, podem ser usadas para capturar imagens e aplicar golpes financeiros.
Deepfakes e uso indevido de imagem aumentam no carnaval
Durante o carnaval, fantasias e adereços facilitam a criação de deepfakes. Nesse contexto, criminosos utilizam inteligência artificial para produzir imagens falsas, inclusive conteúdos íntimos manipulados.
Principalmente mulheres se tornam alvos desse tipo de crime. Portanto, evitar exposição excessiva e controlar quem tem acesso às publicações se torna fundamental.
Caso o conteúdo seja divulgado, há responsabilização criminal do autor. Além disso, dependendo da situação, a plataforma também pode responder civilmente.
Wi-Fi público e links suspeitos ampliam riscos
Outro ponto crítico envolve redes Wi-Fi públicas. Muitas pessoas acessam conexões abertas sem proteção adequada. Como resultado, invasões de contas e golpes bancários se tornam mais frequentes.
Da mesma forma, clicar em links desconhecidos ou compartilhar códigos recebidos por SMS pode facilitar fraudes. Por isso, especialistas recomendam ativar autenticação em duas etapas e evitar publicar localização em tempo real.
Prints são provas essenciais
Mesmo que a pessoa tome cuidados, ainda assim pode se tornar vítima. Nesse caso, guardar provas faz toda a diferença.
Capturas de tela de conversas, perfis, números de telefone e chamadas de vídeo ajudam a construir uma linha do tempo. Além disso, esses registros facilitam investigações policiais.
Frequentemente, golpistas apagam perfis após aplicar fraudes. Portanto, salvar informações desde o início aumenta as chances de identificação.
Responsabilização pode atingir golpistas e plataformas
Em situações de fraude bancária, por exemplo, a vítima pode buscar responsabilização civil do banco. Paralelamente, caso o autor seja identificado, também poderá responder criminalmente.
No caso de uso indevido de imagem ou deepfakes, a legislação permite responsabilizar tanto o criador do conteúdo quanto a plataforma, especialmente se houver falha na verificação de identidade.
Por fim, a orientação é clara: denunciar sempre. Afinal, qualquer pessoa pode se tornar vítima. Quanto mais rápido houver registro da ocorrência, maiores as chances de reparação.
Fonte: Agência Brasil









