
Um estudo inédito realizado por pesquisadores brasileiros revelou que o tratamento com cannabis recupera memória de pacientes com Alzheimer. Além disso, a pesquisa demonstrou redução de sintomas e desaceleração da progressão da doença. O trabalho foi conduzido pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), no Paraná, e já é considerado um marco científico.
Segundo os pesquisadores, os resultados reforçam o potencial terapêutico dos canabinoides. Ao mesmo tempo, o estudo amplia o debate sobre o uso controlado da cannabis medicinal na saúde pública.
Estudo clínico mostra melhora progressiva
A pesquisa acompanhou 28 voluntários entre 60 e 80 anos durante seis meses. Nesse período, os participantes receberam doses controladas de extrato com tetraidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD). Ambos são compostos químicos presentes na planta.
Após o tratamento, os cientistas aplicaram testes cognitivos padronizados. Como resultado, os pacientes que utilizaram o extrato apresentaram melhora significativa na memória. Em contrapartida, o grupo que recebeu placebo continuou apresentando o declínio natural da doença.
De acordo com o professor Francisney do Nascimento, coordenador do estudo, este é o primeiro ensaio clínico do mundo que comprova recuperação cognitiva ao longo do tempo em pacientes com Alzheimer tratados com cannabis medicinal. Portanto, trata-se de um avanço relevante para a literatura científica internacional.
Parceria internacional fortalece validação
Além da Unila, o estudo contou com a participação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace) e da Johns Hopkins University School of Medicine, nos Estados Unidos.
Segundo o neurologista Elton Gomes, os pesquisadores estabeleceram uma dose mínima eficaz. Dessa forma, conseguiram reduzir significativamente os efeitos colaterais. Ao mesmo tempo, mantiveram resultados clínicos expressivos.
Ainda segundo os cientistas, os canabinoides podem estar associados à restauração parcial de células prejudicadas. Embora a hipótese exija novos testes, os dados iniciais são considerados promissores.
Caso real confirma impacto do tratamento
Entre os pacientes acompanhados está Dona Nair Kalb Benites, de 76 anos, diagnosticada com Alzheimer em 2017. Conforme relatou o filho, Nestor, houve mudança perceptível no comportamento da mãe após o tratamento.
Antes, ela apresentava irritabilidade e agitação frequentes. Depois do uso do extrato, tornou-se mais tranquila e estável. Assim, o caso reforça os dados clínicos apresentados pelos pesquisadores.
Alzheimer afeta milhões no Brasil
O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que provoca a morte gradual dos neurônios. Consequentemente, funções como memória, raciocínio e coordenação motora ficam comprometidas.
Dados do Sistema Único de Saúde indicam que cerca de 1,2 milhão de brasileiros convivem com a doença. Além disso, o Ministério da Saúde estima que o Alzheimer represente aproximadamente 70% dos casos de demência.
No cenário internacional, a organização Alzheimer’s Disease International projeta que até 2030 cerca de 78 milhões de pessoas poderão viver com demência. Portanto, a busca por novas terapias tornou-se urgente.
Próximos passos da pesquisa
Apesar dos resultados positivos, o tratamento ainda é considerado experimental. Por isso, os pesquisadores defendem novos estudos com grupos maiores e acompanhamento por mais tempo.
Agora, a equipe pretende investigar se os canabinoides também podem atuar na prevenção da doença. Caso essa hipótese se confirme, o impacto poderá ser ainda mais amplo.
Assim, o estudo brasileiro não apenas contribui para a ciência, mas também posiciona o país em destaque no debate global sobre cannabis medicinal e neurociência.








