O Peru vai reabrir o Senado em 2026, após 33 anos sem a Casa. A decisão encerra um ciclo iniciado em 1993 e marca uma das mudanças institucionais mais relevantes da política peruana recente.
Nas eleições de 12 de abril, os eleitores escolherão 60 senadores e 130 deputados. O novo Congresso assumirá em julho, com mandato de cinco anos.
Fim do Senado ocorreu no governo Fujimori
Em 1992, Alberto Fujimori fechou o Congresso. No ano seguinte, ele promoveu uma reforma constitucional que ampliou seus poderes e eliminou o Senado.
A partir de 1993, o país passou a adotar o modelo unicameral. Mesmo após o retorno à democracia, em 1995, o Peru manteve apenas uma Câmara Legislativa.
Agora, contudo, o Congresso decidiu retomar o sistema bicameral.
Crise política impulsionou mudança
Nos últimos dez anos, o Peru enfrentou forte instabilidade institucional. O país teve oito presidentes nesse período. Além disso, seis deles sofreram impeachment ou renunciaram para evitar processos de destituição.
Diante desse cenário, o Congresso ampliou sua influência política. Por isso, parlamentares defenderam a volta do Senado como mecanismo de equilíbrio institucional.
Alejandro Soto, então presidente do Congresso, classificou a medida como a reforma constitucional mais importante desde 1993. Segundo ele, quando duas Casas analisam uma norma, o processo ganha mais rigor e segurança jurídica.
Proposta já havia sido rejeitada
Em 2018, os eleitores rejeitaram a recriação do Senado em plebiscito. No entanto, em 2024, o Congresso aprovou a mudança por meio de votação parlamentar.
Assim, o Peru confirmou oficialmente o retorno ao modelo bicameral.
O que muda na prática
Com a nova estrutura, o Senado revisará projetos aprovados pela Câmara dos Deputados. Além disso, os senadores aprovarão indicações para cargos estratégicos, como diretor do Banco Central e presidente do Tribunal de Contas.
Portanto, o Legislativo passará a operar com duas instâncias deliberativas. Em tese, isso tende a ampliar o debate e reduzir decisões precipitadas.
Ao mesmo tempo, o país tenta reorganizar seu sistema político após uma década marcada por conflitos entre Executivo e Congresso.
Dessa forma, a reabertura do Senado representa uma tentativa concreta de fortalecer a governabilidade e restabelecer maior equilíbrio institucional.









