A depressão pode ter origem além dos neurotransmissores. Evidências acumuladas nas últimas décadas indicam que, em até 30% dos casos, processos inflamatórios e alterações metabólicas participam diretamente do desenvolvimento e da manutenção dos sintomas. Por isso, especialistas defendem que não existe um único tipo de depressão, mas perfis biológicos diferentes, que exigem abordagens específicas.
O que é a depressão imunometabólica
Entre 20% e 30% das pessoas com depressão apresentam um padrão associado à inflamação de baixo grau e a alterações no metabolismo. Esse subtipo é conhecido como depressão imunometabólica.
Nesse grupo, muitos pacientes não respondem de forma satisfatória aos antidepressivos tradicionais. Além disso, os sintomas costumam ter características próprias, o que reforça a necessidade de diagnóstico mais detalhado.
Sintomas que vão além do padrão clássico

Enquanto a depressão clássica costuma ser marcada por tristeza persistente e perda de interesse, a forma imunometabólica frequentemente inclui:
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Fadiga intensa
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Sono excessivo
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Aumento do apetite
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Sensação constante de esgotamento
Esses sinais, portanto, não devem ser vistos apenas como manifestações emocionais. Em muitos casos, refletem alterações biológicas mensuráveis.
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Como o metabolismo interfere no cérebro
A insulina é conhecida por regular a glicose no sangue. No entanto, ela também exerce funções importantes no cérebro, principalmente em regiões ligadas ao humor, à motivação, ao apetite e à memória.
Quando há inflamação crônica, obesidade ou resistência à insulina, essa comunicação pode falhar. Como consequência, o cérebro passa a funcionar como se estivesse em déficit energético, mesmo quando o corpo apresenta excesso de energia.
Esse descompasso pode aumentar significativamente o risco de depressão. Além disso, está associado a maior fadiga, menor plasticidade neuronal e pior resposta ao estresse.
Depressão e doenças metabólicas caminham juntas
Outro ponto relevante é a sobreposição com doenças cardiometabólicas. Pessoas com esse perfil apresentam maior risco de desenvolver diabetes tipo 2, hipertensão e esteatose hepática.
Além disso, depressão e alterações metabólicas podem se retroalimentar. Ou seja, uma condição pode agravar a outra, criando um ciclo difícil de interromper sem abordagem integrada.
O que muda no tratamento
Diante dessas evidências, a psiquiatria tem ampliado o olhar sobre o tratamento. Hoje, além de medicamentos e psicoterapia, fatores como alimentação, atividade física, qualidade do sono e manejo do estresse entram na estratégia terapêutica.
Essas intervenções não substituem o tratamento convencional. Contudo, podem melhorar a resposta clínica, especialmente em quadros mais resistentes.
O papel da alimentação e dos nutrientes
O cérebro depende de energia constante e de nutrientes específicos para funcionar adequadamente. Por isso, algumas vitaminas e minerais ganham destaque nesse contexto.
Vitaminas do complexo B, vitamina D, magnésio, zinco, selênio e gorduras ômega-3 participam da produção de neurotransmissores, da regulação da inflamação e da proteção das células nervosas. Quando há deficiência desses nutrientes, o equilíbrio cerebral pode ser comprometido.
Assim, considerar o metabolismo e a nutrição amplia as possibilidades de cuidado.
Uma nova visão sobre saúde mental
A ciência reforça cada vez mais que corpo e mente funcionam de forma integrada. Portanto, reconhecer a depressão imunometabólica representa um avanço em direção a uma psiquiatria mais personalizada.
Em vez de aplicar a mesma abordagem para todos, o novo modelo busca identificar perfis biológicos distintos e combinar estratégias de forma mais eficaz. Dessa maneira, aumenta-se a chance de melhorar resultados e reduzir recaídas.
No fim, compreender a ligação entre metabolismo e depressão pode transformar não apenas o tratamento, mas também a prevenção da doença.
Fonte: Metrópoles









