A produção de peixes de cultivo no Brasil superou 1 milhão de toneladas em 2025, consolidando a piscicultura como uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio nacional. O desempenho confirma a força do setor mesmo diante de pressões externas e incertezas regulatórias.
O país produziu 1.011.540 toneladas no ano passado, alta de 4,41% em relação a 2024, reforçando sua posição como maior produtor de peixes de cultivo das Américas.
Tilápia lidera expansão da piscicultura
A tilápia segue como principal motor do crescimento. Em 2025, a espécie respondeu por cerca de 70% da produção nacional, com 707.495 toneladas, avanço de 6,83% na comparação anual.
Já os peixes nativos somaram 257.070 toneladas, com leve recuo. Outras espécies, como carpas, trutas e pangasius, totalizaram 46.975 toneladas, registrando pequena queda frente ao ano anterior.
Entre os estados produtores, o Paraná manteve a liderança com 273.100 toneladas, equivalente a aproximadamente 27% da produção nacional. Na sequência aparecem São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Maranhão, evidenciando a diversificação regional da atividade.
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Exportações crescem apesar do tarifaço
Mesmo com o chamado “tarifaço” adotado pelos Estados Unidos, o país se manteve como principal destino da piscicultura brasileira. Em 2025, as exportações somaram US$ 60 milhões, com crescimento em valor, embora o volume embarcado tenha apresentado leve retração.
A tilápia concentrou 94% das vendas externas, movimentando US$ 56,6 milhões. Os Estados Unidos absorveram 87% das exportações, o equivalente a cerca de US$ 52 milhões.
Além disso, houve mudança no perfil das vendas externas. O setor passou a priorizar produtos de maior valor agregado, como filés frescos, que somaram US$ 41 milhões, e filés congelados, que apresentaram crescimento relevante no período.
Concorrência internacional e cenário regulatório
Apesar do avanço produtivo, o setor enfrentou aumento da concorrência internacional. A tilápia também ampliou presença nas importações brasileiras, que alcançaram aproximadamente US$ 1,5 milhão.
Ao mesmo tempo, produtores demonstraram preocupação com a possibilidade de inclusão da tilápia em uma lista de espécies exóticas invasoras. Embora a discussão tenha sido adiada, o debate elevou a cautela na cadeia produtiva.
Ainda assim, a expectativa permanece positiva. A profissionalização da cadeia, a ampliação de mercados e o foco em produtos de maior valor agregado sustentam a tendência de expansão da piscicultura brasileira nos próximos anos.









