Café do Brasil resiste às tarifas dos EUA com grãos e bandeiras ao fundo simbolizando tensão comercial
Café brasileiro mantém competitividade no mercado americano mesmo diante de novas tensões tarifárias.

A entrada em vigor das novas tarifas globais anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu um novo capítulo de incertezas no comércio internacional. No centro do debate está o café brasileiro, principal produto do Brasil exportado ao mercado americano.

Apesar da tensão inicial, informações preliminares indicam que o café verde brasileiro continuará com tarifa zero, preservando sua competitividade no maior mercado consumidor do mundo.

Café verde permanece isento de tarifa

De acordo com dados compartilhados por fontes do setor norte-americano, as exceções concedidas anteriormente ao café verde foram mantidas nas novas ordens executivas.

Isso significa que:

  • O café verde segue com alíquota zero

  • O café torrado, regular e descafeinado, também permanece isento

  • Apenas o café solúvel pode sofrer tarifa adicional de 10%

Entretanto, ainda não há confirmação formal definitiva. Representantes do setor classificam o cenário como “extremamente confuso”, já que a análise técnica depende da interpretação detalhada dos códigos tarifários nos anexos da nova legislação.

Insegurança regulatória preocupa o setor

Mesmo quando a tarifa é zero, a insegurança jurídica gera custos indiretos. Exportadores aguardam esclarecimentos oficiais para evitar impactos em contratos já firmados e em negociações futuras.

Além disso, os Estados Unidos mantêm acordos comerciais distintos com diversos países. Recentemente, uma decisão da Suprema Corte americana tratou apenas de um dos programas tarifários, o que ampliou a dúvida sobre como as novas regras serão operacionalizadas.

Uma reunião prevista entre representantes da indústria e conselheiros do governo americano foi adiada sem justificativa oficial — o que reforçou a percepção de incerteza no ambiente regulatório.

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Brasil é o maior fornecedor de café aos EUA

O Brasil lidera o fornecimento de café aos Estados Unidos. O café verde responde pela maior parte dos embarques brasileiros para o país.

Qualquer mudança na classificação tarifária poderia impactar:

  • Preços internacionais

  • Competitividade do produto brasileiro

  • Margens da indústria

  • Relações comerciais de longo prazo

Por enquanto, o setor atua com cautela. A orientação é evitar posicionamentos definitivos até a publicação formal dos enquadramentos tarifários.

Consumidor americano pode ser o principal aliado

Se há um fator favorável ao café brasileiro, ele está no próprio mercado consumidor dos EUA. O café é um produto altamente presente na rotina americana. Mudanças que encareçam o produto podem gerar pressão interna no varejo e na indústria local.

Esse movimento cria um lobby indireto a favor da manutenção da competitividade do café importado, especialmente do Brasil, que é fornecedor estratégico.

Em outras palavras, o consumidor americano pode se tornar o maior aliado do café brasileiro contra eventuais sobretaxas.

Diversificação de mercados reduz riscos

Mesmo diante do cenário de reorganização do comércio global, o Brasil não depende exclusivamente dos Estados Unidos.

Exportadores brasileiros também fortalecem relações com:

  • Alemanha

  • Bélgica

  • Itália

  • Japão

  • China

Além disso, mercados asiáticos vêm demonstrando disposição para pagar mais pelo produto, especialmente cafés de qualidade superior.

Oferta interna deve permanecer estável

Para o consumidor brasileiro, a expectativa é de manutenção das condições atuais de oferta. Embora o cenário internacional gere ruído, não há indicação imediata de impacto direto no abastecimento interno.

Assim, mesmo em um ambiente global marcado por incertezas, a cadeia cafeeira brasileira mantém perspectiva relativamente positiva.

E, ao menos por enquanto, o brasileiro poderá continuar apreciando seu café sem reflexos imediatos das disputas tarifárias internacionais.

Fonte: CNN Brasil