Principais dados do estudo
- Proteção por pelo menos 5 anos
- 65% de eficácia contra dengue sintomática
- 80,5% de eficácia contra casos graves
- Pesquisa com mais de 16 mil participantes
- Resultados publicados na revista científica Nature Medicine
Vacina protege quem já teve dengue e quem nunca foi infectado
O estudo acompanhou mais de 16 mil voluntários com idades entre 2 e 59 anos. Após cinco anos de monitoramento, os cientistas identificaram eficácia média de 65% contra dengue sintomática confirmada por exames.
Além disso, os pesquisadores analisaram o desempenho da vacina em diferentes perfis de pacientes. Eles compararam pessoas que já tiveram dengue com aquelas que nunca tiveram contato com o vírus.
Eficácia da vacina por perfil
- 77,1% de eficácia em pessoas que já tiveram dengue
- 58,9% de eficácia em pessoas sem infecção anterior
- Redução importante do risco de hospitalização
Esses resultados indicam que o imunizante oferece proteção relevante para diferentes grupos da população. Ainda que a vacina não impeça todas as infecções, ela diminui o risco de complicações.
Proteção maior contra formas graves da doença
Especialistas destacam que vacinas contra vírus costumam apresentar maior eficácia contra formas graves da doença. Portanto, o principal objetivo da imunização é evitar hospitalizações e mortes.
Durante o acompanhamento do estudo, os pesquisadores não registraram casos de dengue grave entre os participantes vacinados. Enquanto isso, episódios graves ocorreram entre pessoas que receberam placebo.
Esse resultado reforça o potencial da vacina como ferramenta importante para reduzir a pressão sobre o sistema de saúde durante surtos da doença.
Desafio dos quatro sorotipos da dengue
A dengue possui quatro sorotipos diferentes do vírus: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. A vacina do Butantan foi desenvolvida para proteger contra todos eles.
No entanto, durante o período do estudo no Brasil, circularam principalmente os sorotipos DENV-1 e DENV-2. Por isso, os pesquisadores ainda não conseguiram avaliar diretamente a eficácia contra DENV-3 e DENV-4.
Ainda assim, testes laboratoriais indicam produção de anticorpos contra todos os tipos do vírus. Dessa forma, novos estudos devem confirmar essa proteção no futuro.
Saiba mais
Segurança foi prioridade na pesquisa
Os cientistas também analisaram cuidadosamente a segurança da vacina. Isso ocorre porque a dengue possui um fenômeno chamado aumento dependente de anticorpos, que pode agravar infecções posteriores.
Por esse motivo, os pesquisadores acompanharam os voluntários por vários anos. Ao final da análise, eles observaram proporções semelhantes de eventos adversos graves entre vacinados e participantes do grupo placebo.
Assim, o estudo não identificou problemas de segurança associados ao imunizante.
Vacinação não substitui combate ao mosquito
Apesar do avanço científico, especialistas alertam que o combate ao mosquito Aedes aegypti continua essencial. Afinal, nenhuma vacina oferece proteção total contra a doença.
Por isso, autoridades de saúde recomendam combinar diferentes estratégias para reduzir a transmissão do vírus.
Estratégia mais eficaz contra a dengue
- Vacinação da população
- Eliminação de criadouros do mosquito
- Redução da circulação do vírus
Avanço importante no combate à dengue
O Brasil enfrenta epidemias recorrentes da doença e registra milhões de casos todos os anos. Nesse cenário, a vacina do Butantan pode se tornar uma ferramenta estratégica para proteger a população.
Além disso, a proteção prolongada observada no estudo aumenta o potencial de impacto da imunização. Portanto, especialistas consideram o resultado um passo importante no combate à dengue.
Fonte: G1


