A pecuária brasileira vive um dos momentos mais relevantes de sua história recente. Em 2025, o Brasil não apenas manteve a liderança como maior exportador mundial de carne bovina, como também assumiu, pela primeira vez, o posto de maior produtor global, superando os Estados Unidos após décadas de hegemonia.
Dados consolidados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA, indicam que a produção brasileira alcançou 12,35 milhões de toneladas no ano passado, enquanto os norte-americanos ficaram em 11,8 milhões de toneladas. O resultado marca uma virada estrutural no setor e reposiciona o Brasil no centro da segurança alimentar global.
Brasil responde por 20% da carne bovina produzida no mundo
Em 2025, o país foi responsável por aproximadamente 20% de toda a carne bovina produzida no planeta, um patamar inédito que reforça o peso estratégico do agronegócio brasileiro no abastecimento internacional.
Segundo análises da consultoria Athenagro, esse avanço está ligado a mudanças importantes no ciclo pecuário. O aumento da participação de fêmeas nos abates elevou a oferta no curto prazo, ao mesmo tempo em que ganhos consistentes de produtividade dentro da porteira sustentaram o crescimento.
Além disso, a produção não avançou apenas com a expansão do rebanho. Houve melhora significativa no peso médio das carcaças e redução da idade ao abate, reflexo direto da adoção de tecnologia, genética aprimorada e sistemas produtivos mais eficientes.
Exportações batem recorde e chegam a mais de 150 países
No comércio internacional, a liderança brasileira é ainda mais expressiva. Informações da Abiec mostram que o Brasil exportou mais de 3,5 milhões de toneladas de carne bovina em 2025, atendendo mais de 150 países e registrando o maior valor da história em receita cambial.
A cadeia da pecuária de corte movimenta dezenas de bilhões de dólares por ano, gera milhões de empregos diretos e indiretos e figura entre os principais pilares do superávit da balança comercial brasileira.
Estados Unidos enfrentam retração histórica do rebanho
Enquanto o Brasil avança, os Estados Unidos atravessam um dos períodos mais desafiadores das últimas décadas. O país registra o menor nível de rebanho em cerca de 70 anos, pressionado por secas severas, custos elevados de alimentação e redução de áreas de pastagem.
Esse cenário levou ao aumento das importações. Em 2025, os norte-americanos caminharam para o segundo maior volume importado de carne bovina de sua história, segundo dados da consultoria HN Agro.
Especialistas destacam que o momento lembra o início dos anos 2000, quando crises sanitárias reduziram as exportações dos EUA e abriram espaço para a expansão brasileira no mercado global.
China se consolida como principal destino da carne brasileira
A China desempenhou papel central nesse avanço. Dados da Athenagro indicam que o país asiático respondeu por quase metade do faturamento das exportações brasileiras de carne bovina em 2025 e por cerca de 48% do volume embarcado.
Foram mais de 1,5 milhão de toneladas destinadas ao mercado chinês, impulsionando investimentos, adoção de tecnologia e ajustes produtivos para atender aos padrões exigidos pelo maior importador mundial.
O chamado boi jovem, abatido com menos de 30 meses, tornou-se um dos principais vetores dessa transformação, encurtando o ciclo pecuário e aumentando o giro de capital no campo.
Tecnologia e eficiência sustentam o crescimento
O avanço da pecuária brasileira está diretamente ligado à intensificação dos sistemas produtivos. O confinamento e o semiconfinamento ganharam escala, permitindo maior produção em áreas menores e redução do tempo até o abate.
A genética tropicalizada, com destaque para o aprimoramento da raça nelore e dos cruzamentos industriais, elevou a eficiência alimentar e o rendimento de carcaça. Além disso, a integração lavoura-pecuária recuperou áreas antes degradadas, aumentou a taxa de lotação e reduziu a pressão por abertura de novas áreas.
Projeções indicam ajustes, mas liderança deve se manter
Projeções da HN Agro apontam que o Brasil pode entrar, a partir de 2026, em uma fase de ajuste do rebanho após anos de forte abate de fêmeas. Ainda assim, a diferença estrutural entre os sistemas produtivos brasileiro e norte-americano permanece significativa.
Mesmo com possíveis oscilações no curto prazo, o consenso entre analistas é que o Brasil consolidou uma posição difícil de ser revertida, tornando-se o principal fornecedor global de carne bovina em um cenário de demanda crescente e desafios climáticos em outras regiões do mundo.









