A investigação do Banco Master no STF entra em nova fase após Toffoli deixar a relatoria do caso. Com o sorteio do ministro André Mendonça, o processo pode sofrer mudanças importantes, inclusive na análise do sigilo das provas e na definição sobre qual instância deve conduzir o julgamento.
O Banco Master teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. Desde então, a Polícia Federal apura um suposto esquema de fraudes financeiras que envolvem executivos e empresários ligados à instituição.
O que pode mudar com Mendonça na relatoria
Com a redistribuição, Mendonça passa a ter poder para revisar decisões tomadas por Toffoli. Embora o STF tenha rejeitado pedido de suspeição contra o ministro, o novo relator pode reavaliar medidas consideradas controversas.
Entre os pontos que podem ser revistos estão:
-
Permanência da investigação no STF
-
Sigilo imposto ao processo
-
Restrição ao acesso às provas
-
Eventual envio do caso à primeira instância
Em janeiro, Toffoli determinou que todo o material apreendido pela Polícia Federal fosse lacrado e armazenado na sede do Supremo. A PF havia recolhido carros de luxo, relógios, dinheiro em espécie e bloqueado bens estimados em R$ 5,7 bilhões.
Agora, Mendonça poderá manter, modificar ou revogar essas decisões.
Por que Toffoli deixou o caso
A saída ocorreu após relatório da Polícia Federal mencionar o ministro no âmbito das investigações. Reportagens apontaram mensagens que fariam referência à empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio, em diálogos envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Apesar disso, os dez ministros do STF afirmaram que não havia fundamento jurídico para acolher a arguição de suspeição. Ainda assim, Toffoli solicitou a redistribuição “considerando os altos interesses institucionais”.
Em nota, o ministro negou qualquer recebimento de valores e afirmou não manter relação de amizade com o investigado.
Prisões, bloqueio bilionário e operação da PF
A Operação Compliance Zero levou à prisão de Daniel Vorcaro e de Fabiano Zettel. Atualmente, Vorcaro cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.
Além disso, a Polícia Federal bloqueou cerca de R$ 5,7 bilhões em bens e ativos. A defesa sustenta que o empresário colabora integralmente com as autoridades.
Pressão política aumenta tensão no STF
Paralelamente, senadores protocolaram pedido de impeachment contra Toffoli. Trata-se do quarto pedido desde sua indicação ao Supremo, em 2009.
Embora o STF tenha reafirmado a validade dos atos praticados pelo ministro, a redistribuição reforça o ambiente de tensão institucional em torno da investigação do Banco Master no STF.
O que está em jogo agora
A decisão de Mendonça poderá influenciar o futuro do processo. Caso envie a investigação à primeira instância, o ritmo e a condução poderão mudar significativamente. Por outro lado, se mantiver as decisões anteriores, o caso seguirá sob supervisão direta do Supremo.
Portanto, a troca de relator não é apenas formal. Ela pode redefinir o rumo de um dos casos mais sensíveis envolvendo o setor bancário e o STF nos últimos anos.









