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sábado , 14 fevereiro, 2026

Após Toffoli deixar relatoria, caso Master no STF pode mudar com Mendonça

Mudança na relatoria da investigação do Banco Master no STF abre caminho para revisão de decisões e possível alteração no foro do processo.

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Investigação do Banco Master no STF com Toffoli à esquerda, André Mendonça à direita e estátua do Supremo ao centro
Mudança na relatoria pode alterar rumos da investigação do Banco Master no STF.

A investigação do Banco Master no STF entra em nova fase após Toffoli deixar a relatoria do caso. Com o sorteio do ministro André Mendonça, o processo pode sofrer mudanças importantes, inclusive na análise do sigilo das provas e na definição sobre qual instância deve conduzir o julgamento.

O Banco Master teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. Desde então, a Polícia Federal apura um suposto esquema de fraudes financeiras que envolvem executivos e empresários ligados à instituição.

O que pode mudar com Mendonça na relatoria

Com a redistribuição, Mendonça passa a ter poder para revisar decisões tomadas por Toffoli. Embora o STF tenha rejeitado pedido de suspeição contra o ministro, o novo relator pode reavaliar medidas consideradas controversas.

Entre os pontos que podem ser revistos estão:

  • Permanência da investigação no STF

  • Sigilo imposto ao processo

  • Restrição ao acesso às provas

  • Eventual envio do caso à primeira instância

Em janeiro, Toffoli determinou que todo o material apreendido pela Polícia Federal fosse lacrado e armazenado na sede do Supremo. A PF havia recolhido carros de luxo, relógios, dinheiro em espécie e bloqueado bens estimados em R$ 5,7 bilhões.

Agora, Mendonça poderá manter, modificar ou revogar essas decisões.

Por que Toffoli deixou o caso

A saída ocorreu após relatório da Polícia Federal mencionar o ministro no âmbito das investigações. Reportagens apontaram mensagens que fariam referência à empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio, em diálogos envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Apesar disso, os dez ministros do STF afirmaram que não havia fundamento jurídico para acolher a arguição de suspeição. Ainda assim, Toffoli solicitou a redistribuição “considerando os altos interesses institucionais”.

Em nota, o ministro negou qualquer recebimento de valores e afirmou não manter relação de amizade com o investigado.

Prisões, bloqueio bilionário e operação da PF

A Operação Compliance Zero levou à prisão de Daniel Vorcaro e de Fabiano Zettel. Atualmente, Vorcaro cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Além disso, a Polícia Federal bloqueou cerca de R$ 5,7 bilhões em bens e ativos. A defesa sustenta que o empresário colabora integralmente com as autoridades.

Pressão política aumenta tensão no STF

Paralelamente, senadores protocolaram pedido de impeachment contra Toffoli. Trata-se do quarto pedido desde sua indicação ao Supremo, em 2009.

Embora o STF tenha reafirmado a validade dos atos praticados pelo ministro, a redistribuição reforça o ambiente de tensão institucional em torno da investigação do Banco Master no STF.

O que está em jogo agora

A decisão de Mendonça poderá influenciar o futuro do processo. Caso envie a investigação à primeira instância, o ritmo e a condução poderão mudar significativamente. Por outro lado, se mantiver as decisões anteriores, o caso seguirá sob supervisão direta do Supremo.

Portanto, a troca de relator não é apenas formal. Ela pode redefinir o rumo de um dos casos mais sensíveis envolvendo o setor bancário e o STF nos últimos anos.

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese