Grupo de pessoas olhando para o celular em ambiente escuro simbolizando dependência digital
Especialistas alertam que excesso de telas pode afetar saúde mental e relações sociais

A dependência digital já faz parte da rotina de milhões de brasileiros. O celular desperta você, entrega as primeiras notícias do dia, reúne mensagens, redes sociais, vídeos e compras online. No entanto, quando o uso deixa de ser funcional e passa a gerar prejuízos emocionais e comportamentais, o sinal de alerta precisa acender.

Segundo levantamento da Data.AI divulgado em 2024, os brasileiros passam, em média, 5,02 horas por dia usando o celular, o que coloca o país entre os cinco com maior tempo de tela do mundo. Esse comportamento, portanto, já preocupa especialistas em saúde mental.

Quando o uso do celular deixa de ser saudável

A dependência digital não surge de forma abrupta. Pelo contrário, ela se instala gradualmente, por meio de hábitos repetitivos e da necessidade constante de estímulos.

De acordo com psicólogos, os sinais aparecem no cotidiano. Em muitos casos, o uso excessivo do celular está associado a quadros de ansiedade, depressão ou compulsão. Além disso, ambientes digitais como redes sociais, jogos e plataformas de compras intensificam esse padrão porque utilizam mecanismos de captura de atenção.

Os algoritmos, por exemplo, estimulam a permanência prolongada nas plataformas. Consequentemente, o usuário perde a noção do tempo e prioriza o ambiente virtual em detrimento das relações presenciais.

Principais sinais de alerta da dependência digital

Especialistas apontam alguns comportamentos que indicam risco de uso excessivo do celular:

  • Preferência constante por atividades digitais

  • Redução do convívio social presencial

  • Prejuízos no sono e na alimentação

  • Queda na produtividade e na atenção

  • Irritabilidade ao ficar longe do aparelho

Além disso, a ansiedade intensa quando a pessoa fica sem o celular pode indicar nomofobia, termo que descreve o medo irracional de ficar desconectado. Nesses casos, surgem sintomas físicos como taquicardia, sudorese e sensação de desespero.

Quando o indivíduo reconhece que precisa diminuir o uso, mas não consegue controlar o impulso, o quadro pode se tornar patológico.

Impactos na saúde mental e social

A exposição prolongada às telas afeta a qualidade do sono porque a luz azul interfere na produção de melatonina. Além disso, o excesso de estímulos digitais reduz a capacidade de concentração e aumenta a comparação social, o que pode gerar frustração e baixa autoestima.

Enquanto isso, as relações presenciais perdem espaço. Pessoas fisicamente próximas passam a interagir menos, mesmo dividindo o mesmo ambiente. Assim, a sensação de isolamento cresce, ainda que haja conexão constante com o mundo virtual.

Como reduzir o uso excessivo do celular

A boa notícia é que existem estratégias práticas para recuperar o equilíbrio:

  • Estabelecer horários sem celular

  • Desativar notificações não essenciais

  • Evitar o uso do aparelho antes de dormir

  • Priorizar encontros presenciais

  • Monitorar o tempo de tela semanalmente

Além disso, buscar apoio psicológico pode ajudar quando o comportamento já provoca sofrimento emocional ou prejuízo funcional.

Um alerta necessário

A dependência digital não significa abandonar a tecnologia. Pelo contrário, o desafio está em utilizar o celular como ferramenta e não como fuga emocional. Portanto, reconhecer os sinais precocemente é fundamental para preservar a saúde mental, a qualidade de vida e as relações sociais.

Fonte: Canal Tech