Ilustração microscópica representando três vírus que preocupam autoridades em 2026
Oropouche, H5N1 e mpox ampliam circulação e mantêm autoridades sanitárias em vigilância em 2026.

O mundo ainda sente os impactos da pandemia de covid-19. No entanto, novos alertas epidemiológicos voltam a mobilizar especialistas em doenças infecciosas. Em 2026, três vírus concentram atenção internacional: Oropouche, gripe aviária H5N1 e mpox.

Segundo análise publicada na revista científica The Conversation, fatores como aquecimento global, aumento da mobilidade humana e crescimento populacional criam condições mais favoráveis para a disseminação de patógenos. Assim, autoridades sanitárias reforçam a vigilância.

Embora o cenário não indique uma pandemia iminente, os sinais de expansão preocupam.

Vírus Oropouche avança e preocupa o Brasil

Oropouche, H5N1 e mpox ampliam vigilância sanitária global em 2026.

O vírus Oropouche, transmitido por mosquitos de pequeno porte, deixou de ser uma ameaça restrita à região amazônica. Desde os anos 2000, ele se espalhou por diferentes áreas da América do Sul, América Central e Caribe.

Em 2023, os casos voltaram a crescer. No ano seguinte, o Brasil registrou as primeiras mortes associadas ao vírus. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde, até agosto de 2025, o país concentrava cerca de 90% dos casos nas Américas.

Além disso, o vírus já alcançou 20 estados brasileiros. Cinco mortes foram confirmadas — quatro no Rio de Janeiro e uma no Espírito Santo.

Casos também surgiram na Europa, ligados a viajantes infectados. Paralelamente, pesquisadores investigam possíveis episódios de transmissão vertical, de mãe para filho. Estudos analisam ainda uma possível relação com microcefalia e óbitos fetais.

Por enquanto, não existe vacina nem tratamento específico contra o Oropouche. Diante disso, a Organização Mundial da Saúde apresentou, em janeiro de 2026, uma proposta para acelerar o desenvolvimento de ferramentas de controle e prevenção.

Gripe aviária H5N1 amplia risco após salto entre espécies

Especialista utiliza equipamento de proteção ao lidar com ave durante monitoramento de H5N1.

A gripe aviária H5N1 voltou ao centro das atenções após um evento considerado decisivo. Em 2024, o vírus foi identificado em vacas leiteiras nos Estados Unidos. Esse salto entre espécies acendeu alerta entre especialistas.

Desde então, novos registros surgiram em rebanhos de diferentes estados americanos. Estudos indicam que ocorreram transmissões de vacas para humanos, muitas delas sem sintomas aparentes.

Até o momento, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA contabilizaram 71 casos humanos e duas mortes desde 2024. Contudo, não há evidência de transmissão sustentada entre pessoas.

O principal temor é que o vírus adquira capacidade de transmissão eficiente entre humanos. Caso isso ocorra, o risco de uma nova pandemia aumentaria significativamente.

Enquanto isso, vacinas específicas já estão em desenvolvimento. No Brasil, o Instituto Butantan conduz estudos pré-clínicos para avaliar a segurança de um imunizante direcionado à cepa.

Mpox mantém circulação global com novas variantes

Erupções na pele são um dos principais sintomas associados ao mpox.

O mpox, anteriormente conhecido como varíola dos macacos, mudou de perfil nos últimos anos. Em 2022, a cepa clado IIb se espalhou por mais de cem países. Desde então, o vírus passou a circular de forma recorrente em diversas regiões.

Atualmente, dois cenários preocupam especialistas. Primeiro, a manutenção da circulação global da cepa menos letal. Segundo, o avanço da variante clado I na África Central, considerada mais severa.

Recentemente, os Estados Unidos notificaram casos em pessoas sem histórico de viagem ao continente africano. Embora exista vacina, ainda não há tratamento específico amplamente disponível.

Portanto, autoridades sanitárias monitoram possíveis mutações ao longo de 2026.

Outras ameaças virais entram no radar

Além desses três vírus principais, outras doenças também voltaram a preocupar. O chikungunya registrou mais de 445 mil casos suspeitos e confirmados em 2025, com ao menos 155 mortes até setembro, segundo dados internacionais.

No Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 129 mil casos e 121 mortes no mesmo período.

Paralelamente, o vírus Nipah reapareceu na Índia, embora especialistas afirmem que ele ainda não demonstra potencial pandêmico.

Por fim, o sarampo ressurgiu em vários países após queda nas taxas de vacinação. Esse movimento ameaça o status de erradicação conquistado em determinadas regiões.

Vigilância, não alarmismo

Apesar do cenário desafiador, especialistas reforçam que o momento exige vigilância estratégica, e não pânico. A experiência recente com a covid-19 ampliou a capacidade de resposta global.

Contudo, o avanço simultâneo de múltiplos vírus demonstra que o mundo permanece vulnerável. Investimento em ciência, vacinação e monitoramento epidemiológico será decisivo para evitar novas crises sanitárias em larga escala.