Caso em Itumbiara reacende trauma no Pará
O crime ocorrido em Itumbiara (GO) reacendeu uma dor profunda na vida da delegada Amanda Souza. Anos antes, ela perdeu os dois filhos, de 9 e 12 anos, assassinados pelo próprio pai após o fim do relacionamento.
Segundo a delegada, o ex-companheiro afirmou que o futuro dela seria “de tristeza e solidão”. Em seguida, matou as crianças. A frase, portanto, não foi apenas ameaça. Ela antecipou a tragédia.

Agora, diante de um episódio semelhante, Amanda decidiu falar novamente. Além de relembrar o que viveu, ela busca alertar outras mulheres sobre sinais que muitos ignoram.
A violência começa antes do crime
De acordo com a delegada, o comportamento do agressor já indicava risco. Antes do homicídio, ele praticava violência psicológica, fazia ameaças constantes e tentava exercer controle emocional.
Primeiramente surgem intimidações. Depois aparecem chantagens. Em muitos casos, o agressor utiliza os filhos como instrumento de vingança.
Por isso, Amanda reforça que ameaças não representam “desabafo”. Elas revelam intenção.
Culpar a mãe perpetua a violência

Além da tragédia pessoal, a delegada critica a reação social que costuma surgir após crimes desse tipo. Muitas pessoas, ainda hoje, questionam a conduta da mãe.
No entanto, segundo ela, essa postura desvia o foco do verdadeiro responsável.
“Eles sempre tendem a colocar a culpa na vítima pelo ato de crueldade que praticam”, afirmou.
Consequentemente, essa cultura alimenta o silêncio. Mulheres deixam de denunciar porque temem julgamento. Além disso, familiares frequentemente minimizam comportamentos agressivos.
Sinais não podem ser ignorados
Casos como o de Itumbiara mostram que a escalada da violência segue um padrão. Primeiro aparecem ameaças verbais. Depois surgem episódios de controle. Em seguida, a agressividade aumenta.
Portanto, registrar ocorrências desde o início se torna fundamental. Da mesma forma, medidas protetivas precisam de acompanhamento rigoroso.
A Lei Maria da Penha oferece instrumentos legais. Entretanto, a prevenção depende da seriedade com que autoridades e familiares tratam cada sinal.
Dor transformada em conscientização
Mesmo após anos da tragédia, Amanda decidiu transformar o sofrimento em alerta público. Em vez de se calar, ela escolheu orientar outras mulheres.
Hoje, ao comentar o caso de Itumbiara, a delegada deixa uma mensagem direta: o responsável pelo crime é quem o comete. Nunca a vítima.
Fonte: Folha de São Paulo









