O Pix deve consolidar sua posição como principal meio de pagamento no comércio eletrônico brasileiro nos próximos anos. Segundo dados do setor, o sistema criado pelo Banco Central deve responder por cerca de 50% das transações do e-commerce até 2028. Com isso, amplia a vantagem sobre os cartões de crédito, que historicamente dominaram esse mercado.
Atualmente, o avanço do Pix reflete uma mudança clara no comportamento do consumidor. Cada vez mais, compradores e empresas escolhem o sistema pela rapidez, pelo custo reduzido e pela liquidação imediata.
Pix já superou os cartões no comércio eletrônico
Em 2024, o Pix respondeu por 42% das compras online no Brasil. Nesse cenário, superou levemente os cartões de crédito, que ficaram com 41%. Desde então, a diferença tende a crescer de forma consistente.
Além disso, projeções da consultoria Payments and Commerce Market Intelligence (PCMI) indicam que a participação do Pix deve alcançar 45% até o fim de 2025. Posteriormente, o índice pode chegar a 50% em 2028, abrindo uma distância de até 14 pontos percentuais em relação aos cartões.
Esse movimento reforça uma tendência iniciada após a popularização do sistema, lançado no fim de 2020.
Pagamentos recorrentes impulsionam o crescimento
De acordo com Eduardo de Abreu, líder global de produtos do Ebanx, o avanço do Pix no e-commerce está ligado à expansão dos pagamentos entre consumidores e empresas. Nesse contexto, o Pix Automático tem papel central.
A funcionalidade permite pagamentos recorrentes, como mensalidades, assinaturas e contas periódicas. Com isso, amplia o uso do Pix para além das transferências pontuais.
Enquanto isso, dados do Banco Central mostram que, desde setembro do ano passado, as transações de pessoa para empresa lideram o volume total do sistema. Em janeiro, esse tipo de operação representou 46% das transações, superando as transferências entre pessoas.
Cartões de crédito seguem relevantes
Apesar do crescimento acelerado do Pix, os cartões de crédito não devem desaparecer. Segundo especialistas, o crédito mantém uma base sólida de usuários no Brasil.
Isso ocorre principalmente por causa do hábito do parcelamento sem juros, ainda muito presente no consumo das famílias. Mesmo assim, o avanço do Pix pressiona um mercado historicamente controlado por grandes bandeiras internacionais.
Modelo brasileiro chama atenção internacional
O sucesso do Pix também gerou repercussão fora do país. No ano passado, autoridades dos Estados Unidos abriram uma investigação para avaliar se o modelo brasileiro poderia configurar práticas comerciais desleais.
A apuração questiona o papel do Banco Central como operador e regulador do sistema. Em resposta, a autoridade monetária afirma que atua como provedor neutro de uma infraestrutura pública digital, aberta à concorrência.
Transformação no comércio eletrônico
A consolidação do Pix como principal meio de pagamento indica uma mudança estrutural no e-commerce brasileiro. Com menor custo para lojistas e liquidação imediata, o sistema tende a ganhar ainda mais espaço.
Dessa forma, o Pix transforma a relação entre consumidores e empresas no ambiente digital e redefine o equilíbrio do setor de pagamentos no país.
Fonte: Olhar Digital









