O câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal, deixou de ser uma doença predominantemente associada à terceira idade. Nos últimos anos, médicos passaram a observar um aumento preocupante de casos entre pessoas com menos de 50 anos. Além disso, especialistas destacam que a tendência não é isolada e vem sendo registrada em diversos países.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a doença já é considerada a neoplasia mais letal entre adultos abaixo dos 50 anos. Enquanto isso, no Brasil, o tumor aparece como o terceiro tipo de câncer mais comum, com estimativa de mais de 45 mil novos casos por ano.
Casos precoces crescem em diversos países
Um estudo publicado na revista científica The Lancet Oncology analisou dados de 50 países e identificou crescimento da incidência precoce em mais da metade deles. Em 20 nações, inclusive, o aumento ocorreu exclusivamente entre os mais jovens ou avançou de forma mais acelerada nesse grupo do que entre os mais velhos.
Especialistas afirmam que, há três décadas, era raro diagnosticar câncer colorretal em pessoas na faixa dos 20 ou 30 anos. No entanto, atualmente, os consultórios oncológicos recebem cada vez mais pacientes jovens.
Situação no Brasil preocupa
No Brasil, além da alta incidência, outro fator chama atenção: o diagnóstico tardio. Estudos indicam que mais de 60% dos casos são descobertos em estágios avançados. Consequentemente, as chances de tratamento bem-sucedido diminuem de forma significativa.
Quando detectado precocemente, o câncer de intestino pode apresentar taxa de sobrevivência entre 80% e 90% em cinco anos. Por outro lado, quando a doença já se espalhou para outros órgãos, esse índice pode cair para cerca de 10% a 15%.
Portanto, o rastreamento precoce se torna fundamental.
Quem está mais vulnerável?
Embora a maioria dos casos ainda ocorra em pessoas acima dos 50 anos, os diagnósticos entre adultos jovens aumentam desde o início dos anos 2000.
Os principais fatores de risco incluem:
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Obesidade
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Sedentarismo
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Dieta rica em carnes vermelhas e ultraprocessados
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Baixo consumo de frutas, verduras e fibras
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Tabagismo
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Consumo excessivo de álcool
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Doença inflamatória intestinal
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Histórico familiar da doença
Além disso, pesquisadores investigam o impacto do desequilíbrio da microbiota intestinal, conhecido como disbiose, como possível elemento associado ao crescimento precoce da doença.
Sintomas que não devem ser ignorados
Muitos jovens tendem a minimizar sinais iniciais. No entanto, médicos reforçam que alguns sintomas exigem atenção imediata:
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Sangue nas fezes
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Alterações persistentes no hábito intestinal
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Diarreia ou constipação prolongadas
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Fezes mais finas que o habitual
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Dor abdominal frequente
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Perda de peso sem explicação
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Anemia detectada em exames
Diante desses sinais, a recomendação é clara: procurar avaliação médica.
Quando iniciar os exames preventivos?
As diretrizes atuais indicam que pessoas com risco médio devem iniciar exames de rastreamento aos 45 anos. Entretanto, quem possui histórico familiar ou fatores de risco elevados pode precisar começar antes.
Entre os exames disponíveis estão:
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Testes de fezes anuais
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Colonoscopia a cada 10 anos (quando não há alterações)
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Exames de sangue específicos
A frequência depende do perfil de risco e da avaliação médica.
O que explica o aumento entre jovens?
A ciência ainda busca respostas definitivas. Contudo, especialistas levantam hipóteses como:
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Mudanças no padrão alimentar
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Maior consumo de alimentos ultraprocessados
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Redução da atividade física
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Alterações no microbioma intestinal
Além disso, estudos apontam que, em jovens, os tumores tendem a surgir no lado esquerdo do cólon e no reto, o que pode provocar sintomas mais evidentes, como sangramento.
Diagnóstico precoce salva vidas
O principal alerta dos especialistas é direto: não ignore sintomas e não adie exames preventivos. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de cura.
O crescimento do câncer de intestino entre jovens representa uma mudança no perfil epidemiológico da doença e exige atenção redobrada da população e dos sistemas de saúde.









