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sexta-feira, março 13, 2026

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Mais de mil crianças com deficiência esperam adoção no Brasil

Mais de mil crianças com deficiência aguardam adoção no Brasil, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Apesar da existência de milhares de pretendentes cadastrados no sistema nacional de adoção, o perfil desejado pelas famílias ainda deixa muitos jovens fora das possibilidades de encontrar um lar.

Hoje, crianças com deficiência aguardam adoção por muito mais tempo do que outras crianças disponíveis no sistema. Em muitos casos, a espera dura anos dentro de instituições de acolhimento, sem a oportunidade de crescer em um ambiente familiar estável.

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crianças e adolescentes com deficiência aguardavam adoção no Brasil em dezembro de 2025, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça.

Milhares de pretendentes existem, mas crianças com deficiência aguardam adoção por anos

O Brasil possui mais de 32 mil pretendentes cadastrados para adoção. No entanto, muitos deles procuram perfis muito específicos, como bebês ou crianças pequenas sem problemas de saúde.

Com isso, crianças com deficiência aguardam adoção por períodos muito maiores. Algumas chegam à adolescência sem nunca terem vivido em uma família.

Especialistas afirmam que essa discrepância entre o perfil desejado e o perfil das crianças disponíveis cria um grande desafio para o sistema de adoção brasileiro.

“A conta não fecha. O perfil escolhido pelos adotantes é muito restrito. As crianças com deficiência frequentemente acabam ficando nas instituições até alcançarem a maioridade.”
Mônica Gonzaga Arnoni — juíza assessora da Corregedoria Geral da Justiça de São Paulo

Perfil desejado pelos adotantes exclui crianças com deficiência do processo de adoção

Dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento mostram que a maior parte das famílias cadastradas não está preparada para acolher crianças com necessidades especiais.

Perfil dos pretendentes cadastrados:

  • 67% aceitam apenas crianças sem deficiência
  • 5% aceitam crianças com deficiência intelectual
  • 27,9% aceitam deficiências físicas como cegueira ou surdez

Esse cenário ajuda a explicar por que tantas crianças com deficiência aguardam adoção por longos períodos dentro das instituições.

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adoções de pessoas com deficiência foram registradas no Brasil em 2025, número considerado baixo diante da quantidade de crianças disponíveis.

Crianças com deficiência aguardam adoção enquanto crescem em instituições

Em abrigos espalhados pelo país, profissionais acompanham histórias de jovens que cresceram praticamente dentro das instituições.

Mesmo com equipes dedicadas, especialistas explicam que instituições não conseguem substituir completamente o ambiente familiar.

Por isso, quando crianças com deficiência aguardam adoção por muitos anos, os impactos no desenvolvimento podem ser significativos.

Institucionalização prolongada pode afetar desenvolvimento emocional e cognitivo

Pesquisadores apontam que crescer em instituições pode trazer consequências importantes para o desenvolvimento infantil.

Crianças pequenas precisam de vínculos afetivos estáveis, estímulos constantes e relações individualizadas para desenvolver habilidades emocionais e cognitivas.

  • atrasos cognitivos
  • dificuldades emocionais
  • problemas de interação social
  • comprometimento das funções executivas
  • maior risco de sofrimento psicológico
“Todas essas áreas ficam em risco quando bebês são criados sob cuidados coletivos, em vez de vínculos familiares individuais.”
Charles Zeanah — professor de psiquiatria e pediatria da Universidade de Tulane

Medos e falta de apoio afastam famílias da adoção de crianças com deficiência

Muitos pretendentes relatam insegurança ao considerar a adoção de uma criança com necessidades especiais.

Entre os fatores citados estão custos com tratamentos médicos, necessidade de terapias contínuas e mudanças profundas na rotina familiar.

Principais receios apontados por especialistas:

  • sobrecarga emocional
  • dificuldades financeiras para tratamentos
  • falta de apoio do Estado
  • desconhecimento sobre as necessidades da criança
  • impacto na rotina familiar

Especialistas defendem que políticas públicas de apoio podem ajudar a reduzir essas barreiras e ampliar o número de famílias dispostas a adotar.

Adoção deve ser decisão consciente e permanente

Profissionais da área ressaltam que a adoção não deve ser vista como um gesto de caridade.

Segundo especialistas, trata-se de uma decisão permanente que exige preparo emocional e responsabilidade.

“A adoção é uma forma de ter filhos, não um gesto de caridade.”
Renata Tavares — defensora pública especialista em direito da infância

Especialistas defendem políticas públicas para reduzir o número de crianças sem família

Para mudar esse cenário, especialistas defendem ações que fortaleçam a proteção à infância.

Entre as medidas sugeridas estão:

  • apoio às famílias de origem em situação de vulnerabilidade
  • programas de acolhimento familiar provisório
  • acesso a terapias e acompanhamento especializado
  • educação inclusiva e assistência social contínua
  • campanhas de conscientização sobre adoção especial

Hoje, milhares de crianças com deficiência aguardam adoção no Brasil enquanto o sistema tenta equilibrar expectativas das famílias e necessidades reais das crianças.

 

Fonte: G1

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