A pressão aumentou após a Petrobras anunciar, a partir deste mês, um reajuste de mais de 50% no preço médio do combustível vendido às distribuidoras. Como o QAV pesa fortemente na estrutura das empresas, o preço das passagens aéreas entrou no centro da preocupação do mercado, junto com a oferta de voos e o ritmo da demanda no país.
“Como quase metade das despesas das companhias aéreas é com o QAV, o custo operacional deve subir nessa proporção.”
Resumo rápido
- Especialistas projetam aumento de 10% a 20% nas passagens aéreas.
- A Petrobras elevou em mais de 50% o preço médio do QAV.
- O combustível já representa 45% dos custos operacionais do setor, segundo a Abear.
- O mercado teme queda de demanda, corte de rotas e redução da conectividade aérea.
Preço das passagens aéreas entra em alerta no setor
O principal motivo de preocupação é o peso do combustível nas contas das empresas aéreas. Quase metade das despesas das companhias está ligada ao QAV. Por isso, quando ocorre um reajuste expressivo, o efeito tende a se espalhar por toda a operação, desde a composição de preços até o planejamento de rotas e a rentabilidade de determinados trechos.
Na avaliação de especialistas, o custo para transportar um passageiro por quilômetro pode subir aproximadamente 20%. Esse percentual ajuda a explicar por que o mercado já trabalha com a possibilidade de encarecimento das passagens, embora o repasse ao consumidor não aconteça necessariamente de forma imediata ou uniforme entre todas as companhias.
Passagens mais caras podem reduzir demanda e rotas
O efeito do reajuste não se limita ao valor pago pelo consumidor. Se o passageiro não conseguir absorver o aumento, companhias podem rever malhas, cortar voos menos rentáveis e reduzir a oferta em determinados mercados. Isso tende a atingir com mais força rotas regionais ou trechos com menor taxa de ocupação.
Outro ponto importante é o perfil da viagem. Em deslocamentos de lazer, a sensibilidade ao preço costuma ser maior. Já nas viagens corporativas, o impacto tende a ser um pouco menor. Ainda assim, o encarecimento das tarifas afeta a competitividade do setor e pode esfriar a procura num momento em que a aviação tenta preservar margem, frequência e conectividade.
Alerta do setor: o reajuste no querosene de aviação pode trazer consequências severas para a abertura de novas rotas, a oferta de serviços e a conectividade do país.
Na avaliação de analistas, o custo para transportar um passageiro por quilômetro pode subir aproximadamente 20%. Esse movimento ajuda a explicar por que o preço das passagens aéreas já é tratado como um dos principais reflexos do reajuste, embora o repasse não aconteça da mesma forma entre todas as companhias.
Petrobras tenta suavizar o impacto imediato
Diante da repercussão do reajuste, a Petrobras informou que, em abril, as distribuidoras pagarão uma alta equivalente a 18%, enquanto a diferença restante deverá ser parcelada em seis vezes a partir de julho. A medida tenta reduzir a pressão de curto prazo sobre o setor e, ao mesmo tempo, preservar a demanda pelo produto.
Mesmo com esse alívio temporário, o mercado continua em alerta. Isso porque o reajuste ocorre num ambiente internacional de forte instabilidade, impulsionado pela guerra no Oriente Médio. O petróleo disparou nos últimos dias, e esse movimento acabou sendo repassado para a cadeia da aviação, que já operava sob forte pressão de custos.
Governo avalia medidas para conter repasses
O Ministério de Portos e Aeroportos enviou ao Ministério da Fazenda propostas para reduzir a pressão sobre as companhias aéreas. Entre as alternativas estão a redução temporária de tributos sobre o QAV, a diminuição do IOF sobre operações financeiras das empresas e a redução do Imposto de Renda sobre operações de leasing de aeronaves.
Outra possibilidade em estudo é a criação de uma linha temporária do Fundo Nacional da Aviação Civil para a compra de combustível. A intenção é preservar a competitividade das empresas, evitar repasses excessivos ao consumidor e manter a conectividade aérea em um país continental, onde muitas rotas dependem diretamente da viabilidade econômica das operações.
Por que o preço das passagens aéreas pode subir
Embora mais de 80% do querosene de aviação consumido no país seja produzido internamente, os preços seguem a paridade internacional. Na prática, isso significa que o mercado brasileiro continua sensível às oscilações do barril de petróleo, mesmo quando a produção doméstica é predominante.
Esse contexto explica por que a alta do querosene de aviação passou a ser tratada como um risco central para o setor. Se o cenário internacional continuar instável e as medidas de compensação não forem suficientes, o consumidor poderá enfrentar tarifas mais altas, menor oferta de voos e uma recuperação mais lenta da malha aérea brasileira nos próximos meses.


