A cesta básica ficou mais cara nas 27 capitais brasileiras em março, segundo levantamento do Dieese com dados da Conab, ampliando a pressão sobre o orçamento das famílias. O avanço foi puxado sobretudo por feijão, batata, tomate, carne bovina e leite, com influência direta do excesso de chuvas nas principais áreas produtoras.
O cenário mostra uma alta disseminada no país. São Paulo continuou com a cesta mais cara, a R$ 883,94, enquanto Aracaju teve o menor valor médio, de R$ 598,45. Entre as maiores variações percentuais do mês, apareceram Manaus, Salvador, Recife, Maceió, Belo Horizonte e Aracaju, indicando que a inflação dos alimentos atingiu capitais de diferentes regiões ao mesmo tempo.
Feijão lidera a pressão sobre a cesta básica
Entre todos os produtos pesquisados, o feijão teve o impacto mais amplo. O levantamento mostrou aumento em todas as cidades, tanto para o grão preto quanto para o carioca. A alta está ligada à restrição de oferta, às dificuldades na colheita, à redução de área na primeira safra e à expectativa de menor produção na segunda safra.

Batata e tomate também foram decisivos para elevar o custo da cesta básica. Já o açúcar seguiu na contramão e caiu em 19 cidades por causa do excesso de oferta. Mesmo assim, esse alívio pontual não compensou a pressão dos itens que mais pesam no consumo diário das famílias.
O custo da cesta básica ajuda a medir de forma concreta como a inflação dos alimentos atinge a vida real. Com salário mínimo de R$ 1.621, o trabalhador precisa destinar quase metade da renda líquida apenas para comprar os itens essenciais. O dado reforça que a alta dos alimentos não é apenas estatística: ela altera a rotina de consumo e reduz a margem das famílias para outras despesas.
Na comparação anual, o levantamento mostrou avanço em 13 cidades e queda em quatro entre as 17 capitais acompanhadas mensalmente. Os maiores aumentos ocorreram em Aracaju, Salvador e Recife. Já as principais reduções apareceram em Brasília e Florianópolis, embora o quadro geral continue de pressão elevada no país.
Clima, oferta menor e risco para os próximos meses
Segundo a análise do setor, a chuva excessiva reduziu a oferta e atrasou a produção em áreas importantes, além de encurtar a janela entre culturas em alguns estados. O mercado ainda monitora uma possível inversão de preços ao longo de 2026, com o feijão preto podendo ficar mais caro que o carioca, cenário que mantém a cesta básica sob atenção.

Mesmo com estimativa da Conab de produção superior a 3 milhões de toneladas, o ambiente segue cercado de incertezas. O aumento do custo de fertilizantes e combustíveis ainda não foi plenamente sentido pelo setor, o que amplia o risco de novos repasses para os alimentos básicos nos próximos meses.
Além do preço dos alimentos, o Dieese calculou o salário mínimo ideal para sustentar uma família de quatro pessoas com as despesas previstas na Constituição. Em março, esse valor chegou a R$ 7.425,99, equivalente a 4,58 vezes o mínimo vigente. O dado reforça a distância entre a renda oficial e o custo real de vida nas capitais brasileiras.


