Golpe do falso gerente colocou em alerta clientes bancários em São Paulo após ao menos três vítimas relatarem prejuízos que, somados, passam de R$ 80 mil. Segundo a reportagem, criminosos se passam por gerentes ou funcionários de banco, iniciam contato por WhatsApp ou telefone e convencem o cliente a acessar links, escanear QR Codes ou inserir códigos no aplicativo da conta.
Os casos citados foram registrados como estelionato na capital paulista e em Guarulhos. As vítimas relataram perdas com transferências via PIX e até contratação de crédito sem autorização. O banco afirmou, de forma geral, que golpes com falso funcionário e falsa central de atendimento cresceram, enquanto especialista ouvido pela reportagem orienta reação imediata para tentar conter os danos. Em todos os relatos, o golpe do falso gerente seguiu uma lógica parecida de abordagem, convencimento e movimentação indevida.
Golpe do falso gerente atingiu três vítimas e superou R$ 80 mil
Uma das vítimas ouvidas foi a escritora e jornalista Claudia Castelo Branco, de 40 anos, moradora da Vila Buarque, no Centro de São Paulo. Ela afirmou ter perdido R$ 20,5 mil depois de seguir instruções de supostos funcionários do banco para configurar o aplicativo após trocar de celular. Primeiro, recebeu mensagens de um homem que se apresentou como novo gerente da conta. Depois, foi direcionada a outro suposto atendente, que conduziu uma ligação de cerca de 40 minutos.
Segundo o relato, durante essa conversa ela foi orientada a acessar um site e escanear um QR Code apresentado como etapa de segurança. Horas depois, percebeu duas transferências via PIX, uma de R$ 7 mil e outra de R$ 13,5 mil. Parte do valor chegou a ser rastreada, mas, até a última atualização da reportagem, nenhum montante havia sido recuperado. O episódio reforça como o golpe do falso gerente consegue se aproveitar da confiança da vítima e da aparência de normalidade do contato.
Outro caso citado ocorreu em Guarulhos com a empresária Ana Maria Ferreira Soares, de 62 anos. De acordo com a família, o golpista alegou a necessidade de atualização cadastral e enviou um link com aparência semelhante à página do banco. Depois de uma primeira abordagem sem movimentação, ele retomou o contato semanas depois e pediu que a vítima digitasse códigos e escaneasse novos QR Codes para concluir o golpe do falso gerente.
Na sequência, foram feitos resgates de valores e contratação de empréstimo. O prejuízo relatado foi de cerca de R$ 18 mil, incluindo parte referente a crédito feito sem autorização. A família afirmou que o banco negou o ressarcimento, e a vítima passou a buscar a recuperação do dinheiro na Justiça.
O terceiro relato reunido na reportagem é o da psicóloga Deborah Carceles, de 67 anos, que afirma ter tido prejuízo superior a R$ 50 mil no fim de março. Segundo ela, o golpista se apresentou como gerente da conta e insistiu em uma suposta atualização cadastral, inclusive com envio de uma falsa comunicação atribuída à Febraban. Depois da abordagem, foram feitos empréstimos do tipo capital de giro e três transferências via PIX.
Ao comentar esse tipo de fraude, o advogado Marcelo Frullani, especializado em Direito e Tecnologia da Informação, afirmou que os golpes têm ficado mais sofisticados e convincentes. Ele ressaltou que a principal medida é não confiar em solicitações recebidas por aplicativos de mensagem ou ligações e confirmar qualquer pedido nos canais oficiais da instituição financeira. Nessa avaliação, reconhecer cedo o golpe do falso gerente pode reduzir o tamanho do prejuízo.
O que fazer ao perceber um golpe do falso gerente
Segundo o especialista ouvido na reportagem, a vítima deve comunicar o banco imediatamente e registrar boletim de ocorrência sem demora. Ele também explica que o B.O. é o primeiro passo, mas que a investigação depende da análise do caso e do rastreamento das transações. Quando houver recusa de ressarcimento, o cliente ainda pode recorrer à Justiça para discutir eventual falha de segurança e pedir dados que ajudem na apuração.
Em nota, o Bradesco afirmou que não comenta casos específicos em razão do sigilo bancário, mas disse que golpes envolvendo falso funcionário e falsa central de atendimento têm aumentado. O banco reforçou que não realiza ligações pedindo senhas, chaves de segurança, acesso remoto ao aparelho ou autorização de transações.
O avanço do golpe do falso gerente mostra que a fraude se apoia menos em invasões sofisticadas e mais em manipulação de confiança. Por isso, a reação mais segura continua sendo desconfiar de contatos inesperados, interromper a conversa ao primeiro sinal de pressão e validar qualquer solicitação apenas pelos canais oficiais. Quando o golpe do falso gerente entra em ação, agir rápido pode fazer diferença para bloquear operações e preservar provas.


