Exame de fezes com apoio de inteligência artificial pode abrir uma nova frente no rastreamento do câncer colorretal ao oferecer uma triagem mais simples e menos invasiva para a população. A proposta foi apresentada por pesquisadores da Universidade de Genebra, na Suíça, e chamou atenção pela taxa de identificação de cerca de 90% dos casos.

O resultado ganha relevância porque o câncer colorretal continua entre os mais letais, embora tenha maior chance de tratamento quando descoberto cedo. Hoje, a colonoscopia segue como principal exame diagnóstico, mas o desconforto, o custo e a resistência de parte dos pacientes ainda dificultam o rastreamento regular.
Segundo a pesquisa, publicada na revista Cell Host & Microbe em agosto de 2025, os cientistas usaram aprendizado de máquina para examinar a microbiota intestinal humana. O diferencial foi observar subespécies bacterianas, e não apenas grupos mais amplos, buscando sinais mais finos da relação entre bactérias e doença.
Como o exame de fezes foi construído
O exame de fezes nasce de um catálogo microbiano detalhado. A partir dele, os pesquisadores criaram um modelo capaz de detectar marcas associadas ao câncer colorretal em amostras fecais. A lógica é tornar o rastreamento mais fácil, sobretudo para pessoas que adiam a colonoscopia.
Nos testes com dados clínicos já disponíveis, o exame de fezes identificou cerca de 90% dos casos. A taxa ficou próxima da colonoscopia, apontada no texto-base com índice de cerca de 94%, e também superou outros exames não invasivos já disponíveis. Isso coloca o método como uma alternativa promissora para ampliar a triagem.
O objetivo, porém, não é substituir de imediato o principal exame usado hoje. Os cientistas defendem o exame de fezes como uma ferramenta de rastreamento inicial. Na prática, ele ajudaria a identificar pessoas com maior chance de ter a doença e a direcioná-las para a colonoscopia confirmatória.
O que muda se o exame de fezes avançar
Essa estratégia pode reduzir barreiras importantes. Como a colonoscopia costuma ser vista como cara e desconfortável, muita gente adia o exame mesmo diante do risco. Um método menos invasivo e com boa taxa de identificação pode aumentar a adesão ao rastreamento e favorecer diagnósticos em fases mais tratáveis.
A pesquisa ainda não encerra o caminho até a adoção ampla. A equipe prepara um ensaio clínico com os Hospitais Universitários de Genebra para entender melhor quais estágios da doença podem ser detectados com o método. Além disso, os autores acreditam que a mesma lógica poderá abrir espaço para testes não invasivos voltados a outras doenças baseadas na microbiota intestinal.
Com isso, o exame de fezes surge como um avanço concreto na busca por ferramentas mais acessíveis, mais simples e potencialmente mais eficazes para ampliar o rastreamento do câncer colorretal. Ainda depende de novas validações, mas já entra no radar da saúde como uma solução com forte valor preventivo.
Fonte: Metrópoles

