A soltura de tartarugas no Vale do Guaporé mobiliza equipes ambientais e marca uma das etapas mais importantes do projeto Quelônios do Guaporé, com apoio do Governo de Rondônia. A ação envolve monitoramento, proteção de ninhos e acompanhamento técnico para reforçar a preservação das espécies na região.
O trabalho é coordenado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), com apoio do Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), do Ibama e da Associação Comunitária e Ecológica do Vale do Guaporé (Ecovale). O evento de soltura é tratado como um dos maiores do mundo dentro desse tipo de iniciativa ambiental.
▶ Ative o som e assista: o vídeo mostra os preparativos para a soltura de tartarugas no Vale do Guaporé e destaca o trabalho de proteção dos filhotes e dos ninhos na região.
Projeto Quelônios do Guaporé entra na fase decisiva
No dia 11 de dezembro, será realizada no município de São Francisco do Guaporé a soltura de tartarugas do projeto Quelônios do Guaporé, organizada pela Ecovale. A iniciativa é reconhecida pelo porte e pela importância ambiental, reunindo poder público, entidades de fiscalização e equipes técnicas em uma grande operação de preservação.
Segundo o governador Marcos Rocha, o estado tem contribuído para o desenvolvimento de ações de preservação na região por meio de fiscalização, recursos orçamentários públicos e parcerias com a iniciativa privada e o terceiro setor. A fala reforça a tentativa de consolidar políticas de proteção ambiental em uma área de grande relevância ecológica para Rondônia.
Monitoramento, proteção dos ninhos e apoio técnico
De acordo com o vice-presidente da Ecovale, Zeca Lula, as atividades do projeto foram divididas em três etapas. A primeira fase consistiu no monitoramento ambiental da desova das tartarugas no Vale do Guaporé, com identificação e quantificação dos ninhos.
Durante o período de desova, especialmente em outubro, o cuidado com a proteção desses animais foi redobrado devido aos riscos de pesca e captura ilegal. Na segunda etapa, iniciada em novembro, o foco passou a ser o acompanhamento das seis principais praias para observar o nascimento dos filhotes, fase que os técnicos chamam de eclosão.
Segundo a coordenação do projeto, foram identificados mais de 120 mil ninhos somente neste ano, número que mostra a dimensão da operação e a importância do trabalho contínuo de monitoramento ambiental na região.
Para a gerente regional de gestão ambiental da Sedam em Costa Marques, Jemyllly Duarte, o objetivo é observar as principais ameaças no habitat e levantar informações sobre a população de tartarugas. Além disso, equipes da Coordenadoria de Educação Ambiental (Ceam) e do Escritório Regional de Costa Marques (Erga) ajudaram na construção de cercas nas praias onde os quelônios desovaram.
Essas estruturas foram montadas para proteger os filhotes de possíveis predadores, como os jacarés. A terceira etapa do projeto vai marcar o encerramento da ação com a soltura dos filhotes na praia Belo Oriente, em São Francisco do Guaporé.
Resumo do projeto
1ª etapa
Monitoramento da desova com identificação e contagem dos ninhos.
2ª etapa
Acompanhamento das praias para observar a eclosão dos filhotes.
3ª etapa
Soltura dos filhotes na praia Belo Oriente, em São Francisco do Guaporé.
Espécies da região e importância da preservação
Na região do Vale do Guaporé, predominam as espécies de tartarugas e tracajás. A tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) é a maior espécie do gênero e é considerada vulnerável, segundo o Tortoise Freshwater Turtle Specialist Group (TFTSG).
Entre os principais fatores de ameaça estão a coleta excessiva de ovos e a captura de adultos para consumo e venda. O maior risco ocorre durante a estação da seca, quando as tartarugas migram em busca de praias arenosas nos cursos médios e baixos dos rios para se reproduzirem.
Nesse período, as equipes ambientais intensificam a vigilância e o acompanhamento técnico para garantir a sobrevivência dos ninhos e dos filhotes. O trabalho de campo se torna essencial para evitar perdas e fortalecer a preservação da fauna local.
Fonte da notícia: Texto de Andréia Fortini e fotos de Frank Néry, com informações institucionais sobre a ação ambiental no Vale do Guaporé.











