Juiz aposentado do TJSP viveu com identidade falsa desde 1980
O juiz aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que se apresentava como Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield, enfrenta uma denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) por falsidade ideológica e uso de documento falso.
Na verdade, ele se chama José Eduardo Franco dos Reis e nasceu em Águas da Prata, interior paulista.
Biometria no Poupatempo revelou a farsa após 40 anos
Em outubro de 2024, José Eduardo procurou o Poupatempo da Sé, na capital paulista, para solicitar a segunda via de seu RG. No entanto, o sistema identificou que suas impressões digitais pertenciam a outro nome: o dele próprio.
A descoberta surpreendeu os atendentes e acionou as autoridades. A partir disso, a Delegacia de Crimes de Fraude Documental e Biometria assumiu a investigação.
Polícia identifica dupla documentação e identidade fictícia
Durante a apuração, os agentes encontraram dois RGs, dois CPFs e dois títulos de eleitor vinculados ao juiz. Além disso, o MPSP revelou que José Eduardo criou, em 1980, a persona fictícia de Edward Wickfield.
Ele alegava ser filho de nobres britânicos: Richard e Anna Wickfield. Porém, os registros oficiais mostram que seus pais verdadeiros são José dos Reis e Vitalina Franco dos Reis.
José Eduardo usou identidade falsa para entrar na USP e virar juiz
Apesar de manter sua identidade real em alguns momentos, José Eduardo utilizou o nome falso para ingressar na Faculdade de Direito da USP, onde se formou em 1992.
Depois disso, ele passou no concurso público para Juiz de Direito, em 1995, e atuou no cargo até se aposentar, em 2018.
Esse período de atuação com documentos falsos levanta questionamentos sobre a segurança nos processos de verificação da magistratura.
MPSP pede restrições e bloqueio de documentos
Diante das provas, o Ministério Público solicitou diversas medidas cautelares à Justiça. Entre elas:
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Impedir que o juiz saia da cidade de São Paulo
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Exigir a entrega do passaporte em até 24 horas
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Determinar o bloqueio do RG, CPF e CNH ligados ao nome fictício
Essas ações, segundo o MPSP, representam uma alternativa à prisão preventiva enquanto o processo segue em curso.









