Entidades da fraude no INSS receberam bilhões em repasses públicos
Entidades da fraude no INSS receberam bilhões em repasses públicos

Entidades investigadas na fraude do INSS receberam bilhões em repasses públicos

Das 11 entidades citadas na Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), sete receberam recursos oriundos de emendas parlamentares. A investigação, que também utiliza dados da auditoria do INSS e do relatório da PF, aponta possíveis irregularidades no uso desses recursos.

Entre as investigadas, destaca-se a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). Conforme o Portal da Transparência da CGU, a entidade possui 79 convênios ativos, que totalizam R$ 58 milhões repassados por meio de acordos com órgãos do Executivo. Além disso, a Contag foi beneficiada com mais de R$ 4 trilhões em emendas parlamentares.

Maiores beneficiárias de emendas na investigação da fraude no INSS

Depois da Contag, as demais entidades com maiores valores de repasses são:

  • Ambec — R$ 499 milhões em emendas recebidas;

  • APPN — mais de R$ 309 milhões;

  • Unaspub — mais de R$ 267 milhões;

  • APPS Universo — mais de R$ 255 milhões;

  • AAPB — R$ 190 milhões;

  • Caap — R$ 251 milhões.

Somados, os valores ultrapassam R$ 5,986 trilhões em repasses públicos via emendas parlamentares.

Falta de transparência nos repasses preocupa autoridades

Embora os valores estejam registrados na plataforma, a CGU não especifica o tipo de emenda, o plano orçamentário, a modalidade ou o elemento da despesa. Além disso, os autores das emendas não são identificados, o que dificulta o rastreamento da origem dos recursos.

A ausência de transparência — prática conhecida como “orçamento secreto” — tem sido alvo de críticas e disputas políticas.

Flávio Dino e PSol defendem mais transparência nas emendas

Desde que assumiu o cargo no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Flávio Dino tem se posicionado a favor da ampliação da transparência sobre os recursos públicos, com foco nas emendas parlamentares.

Partidos como o PSol também defendem a obrigatoriedade da assinatura nominal do parlamentar responsável por cada emenda. No entanto, a legislação atual permite que essa identificação seja apenas opcional, mantendo o sigilo em muitos casos.