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terça-feira, abril 7, 2026

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Exame inovador pode levar detecção precoce do câncer de mama ao SUS

Exame de sangue para câncer de mama é o nome que resume uma inovação brasileira que começa a ganhar espaço na área da saúde e pode ampliar o diagnóstico precoce da doença no país. Desenvolvido por cientistas brasileiros, o teste identifica sinais moleculares associados ao câncer de mama em estágio inicial a partir de uma simples coleta sanguínea, com a proposta de complementar os métodos já usados na rotina clínica.

Batizado de RosalindTest®, o exame surgiu após uma década de estudos e nasceu de uma parceria entre a Faculdade de Medicina do ABC e a biotech brasileira LiqSci. Neste momento, ele já vem sendo aplicado em mutirões promovidos por empresas privadas, dentro das regras da Anvisa, enquanto os responsáveis pelo projeto trabalham para viabilizar a futura inclusão da tecnologia no Sistema Único de Saúde.

Precisão informada
95%
na detecção de casos em estágios iniciais, segundo os estudos citados
Base clínica
1,2 mil
mulheres avaliadas ao longo da validação clínica do teste
Abrangência
600
participantes de áreas rurais de São Paulo e Ceará incluídas na etapa clínica
Cenário nacional
78 mil
casos anuais de câncer de mama estimados no Brasil, segundo dado citado do Inca

Como funciona o exame de sangue para câncer de mama

De acordo com os pesquisadores, a tecnologia foi construída a partir do estudo do metabolismo das células cancerosas. A equipe observou que alterações metabólicas poderiam ser percebidas precocemente por meio de biomarcadores, o que abriu caminho para transformar esse rastreamento em um exame de sangue para câncer de mama com potencial de uso mais amplo.

Coleta de sangue usada em exame de sangue para câncer de mama desenvolvido no Brasil
Imagem mostra coleta de sangue em procedimento que representa o avanço de exames voltados à detecção precoce do câncer de mama.

O grande diferencial está justamente na simplicidade logística. Enquanto outros exames exigem estrutura maior, o RosalindTest® depende de coleta sanguínea e pode ser levado a regiões com menor infraestrutura médica. Isso significa que o exame de sangue para câncer de mama pode, no futuro, ajudar a diminuir desigualdades de acesso ao diagnóstico, especialmente em áreas afastadas dos grandes centros.

Linha do tempo do teste brasileiro
1. Dez anos de pesquisa
O projeto foi desenvolvido ao longo de uma década de estudos dedicados à detecção precoce da doença.
2. Parceria científica e tecnológica
A iniciativa reuniu a Faculdade de Medicina do ABC e a biotech brasileira LiqSci dentro do ecossistema Sthorm.
3. Estudos clínicos ampliados
Após os experimentos iniciais, o teste foi validado em estudos que totalizaram cerca de 1,2 mil mulheres.
4. Aplicação em mutirões
O teste começou a ser usado em ações práticas promovidas por empresas privadas, seguindo as regras da Anvisa.
5. Meta de inclusão no SUS
Os responsáveis afirmam que a missão agora é viabilizar o acesso da tecnologia à população por meio do sistema público.

O que os estudos mostraram até agora

Os experimentos iniciais foram feitos com 150 mulheres, sendo 125 com câncer de mama e 25 sem a doença. Nesse grupo, os cientistas identificaram diferença importante na detecção dos biomarcadores GLUT entre as pacientes com diagnóstico positivo e as demais participantes. Depois dessa fase, o projeto avançou para estudos clínicos mais amplos.

Segundo as informações divulgadas, o teste foi validado em mais duas etapas, totalizando cerca de 1,2 mil mulheres. Entre elas estavam 600 participantes de áreas rurais de São Paulo e Ceará. A partir desse conjunto, os pesquisadores afirmam que o exame de sangue para câncer de mama demonstrou 95% de precisão na detecção da doença em estágios iniciais, dado que ajuda a explicar o interesse em ampliar sua aplicação.

Citação da pesquisa
“Em nossos estudos, percebemos que, se detectássemos essa mudança celular no sangue periférico, poderíamos detectar a doença de maneira precoce.”
Fernando Luiz Affonso Fonseca, cientista-chefe e cofundador da LiqSci.

O exame substitui a mamografia?

Não. O próprio material deixa claro que o RosalindTest® é uma ferramenta complementar à mamografia. Isso significa que o exame de sangue para câncer de mama não foi apresentado como substituto direto do rastreamento convencional, mas como recurso adicional que pode fortalecer a prevenção e aumentar as chances de diagnóstico precoce.

Exame de mamografia em paciente durante avaliação para diagnóstico precoce do câncer de mama
Paciente realiza exame de imagem em ambiente clínico, reforçando a importância da mamografia no rastreamento do câncer de mama.

O teste é recomendado principalmente a partir dos 40 anos, embora possa ser realizado por mulheres de qualquer idade com foco preventivo. O argumento central dos pesquisadores é conhecido na oncologia: quando a doença é descoberta no começo, as chances de tratamento bem-sucedido aumentam. Por isso, a combinação entre rastreamento tradicional e novas tecnologias pode se tornar estratégica nos próximos anos.

Essa discussão ganha ainda mais peso diante do cenário brasileiro. O texto cita estimativa do Instituto Nacional do Câncer segundo a qual o país deverá registrar 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. Dentro desse universo, o câncer de mama aparece com cerca de 78 mil casos anuais, o equivalente a 30% do total citado para mulheres, o que ajuda a dimensionar a relevância de avanços em detecção precoce.

O que já se sabe sobre a nova tecnologia
O que faz
Detecta sinais moleculares associados ao câncer de mama em estágio inicial por meio de coleta de sangue.
O que não faz
Não substitui a mamografia e foi apresentado como ferramenta complementar ao rastreamento convencional.
Onde pode fazer diferença
Na ampliação do acesso ao diagnóstico, sobretudo em locais com menor infraestrutura médica.

Por que a chegada ao SUS pode ser decisiva

Hoje, o exame ainda não é ofertado diretamente ao consumidor final, mas a meta declarada pelos responsáveis é levá-lo ao SUS. Se isso acontecer, o exame de sangue para câncer de mama poderá sair do campo da inovação promissora e entrar na rotina de acesso público, com potencial de alcançar uma parcela muito maior da população brasileira.

O avanço também tem valor simbólico. Além de nascer no Brasil, o teste recebeu o nome de Rosalind Franklin, cientista britânica que ajudou a compreender a estrutura do DNA. A homenagem conecta ciência básica, pesquisa aplicada e impacto social. Em um país que ainda enfrenta desigualdades regionais no acesso à saúde, a possibilidade de usar uma coleta simples como aliada no diagnóstico precoce pode representar um passo importante para o cuidado com a saúde da mulher.

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