Exame de sangue para câncer de mama é o nome que resume uma inovação brasileira que começa a ganhar espaço na área da saúde e pode ampliar o diagnóstico precoce da doença no país. Desenvolvido por cientistas brasileiros, o teste identifica sinais moleculares associados ao câncer de mama em estágio inicial a partir de uma simples coleta sanguínea, com a proposta de complementar os métodos já usados na rotina clínica.
Batizado de RosalindTest®, o exame surgiu após uma década de estudos e nasceu de uma parceria entre a Faculdade de Medicina do ABC e a biotech brasileira LiqSci. Neste momento, ele já vem sendo aplicado em mutirões promovidos por empresas privadas, dentro das regras da Anvisa, enquanto os responsáveis pelo projeto trabalham para viabilizar a futura inclusão da tecnologia no Sistema Único de Saúde.
Como funciona o exame de sangue para câncer de mama
De acordo com os pesquisadores, a tecnologia foi construída a partir do estudo do metabolismo das células cancerosas. A equipe observou que alterações metabólicas poderiam ser percebidas precocemente por meio de biomarcadores, o que abriu caminho para transformar esse rastreamento em um exame de sangue para câncer de mama com potencial de uso mais amplo.

O grande diferencial está justamente na simplicidade logística. Enquanto outros exames exigem estrutura maior, o RosalindTest® depende de coleta sanguínea e pode ser levado a regiões com menor infraestrutura médica. Isso significa que o exame de sangue para câncer de mama pode, no futuro, ajudar a diminuir desigualdades de acesso ao diagnóstico, especialmente em áreas afastadas dos grandes centros.
O que os estudos mostraram até agora
Os experimentos iniciais foram feitos com 150 mulheres, sendo 125 com câncer de mama e 25 sem a doença. Nesse grupo, os cientistas identificaram diferença importante na detecção dos biomarcadores GLUT entre as pacientes com diagnóstico positivo e as demais participantes. Depois dessa fase, o projeto avançou para estudos clínicos mais amplos.
Segundo as informações divulgadas, o teste foi validado em mais duas etapas, totalizando cerca de 1,2 mil mulheres. Entre elas estavam 600 participantes de áreas rurais de São Paulo e Ceará. A partir desse conjunto, os pesquisadores afirmam que o exame de sangue para câncer de mama demonstrou 95% de precisão na detecção da doença em estágios iniciais, dado que ajuda a explicar o interesse em ampliar sua aplicação.
O exame substitui a mamografia?
Não. O próprio material deixa claro que o RosalindTest® é uma ferramenta complementar à mamografia. Isso significa que o exame de sangue para câncer de mama não foi apresentado como substituto direto do rastreamento convencional, mas como recurso adicional que pode fortalecer a prevenção e aumentar as chances de diagnóstico precoce.

O teste é recomendado principalmente a partir dos 40 anos, embora possa ser realizado por mulheres de qualquer idade com foco preventivo. O argumento central dos pesquisadores é conhecido na oncologia: quando a doença é descoberta no começo, as chances de tratamento bem-sucedido aumentam. Por isso, a combinação entre rastreamento tradicional e novas tecnologias pode se tornar estratégica nos próximos anos.
Essa discussão ganha ainda mais peso diante do cenário brasileiro. O texto cita estimativa do Instituto Nacional do Câncer segundo a qual o país deverá registrar 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. Dentro desse universo, o câncer de mama aparece com cerca de 78 mil casos anuais, o equivalente a 30% do total citado para mulheres, o que ajuda a dimensionar a relevância de avanços em detecção precoce.
Por que a chegada ao SUS pode ser decisiva
Hoje, o exame ainda não é ofertado diretamente ao consumidor final, mas a meta declarada pelos responsáveis é levá-lo ao SUS. Se isso acontecer, o exame de sangue para câncer de mama poderá sair do campo da inovação promissora e entrar na rotina de acesso público, com potencial de alcançar uma parcela muito maior da população brasileira.
O avanço também tem valor simbólico. Além de nascer no Brasil, o teste recebeu o nome de Rosalind Franklin, cientista britânica que ajudou a compreender a estrutura do DNA. A homenagem conecta ciência básica, pesquisa aplicada e impacto social. Em um país que ainda enfrenta desigualdades regionais no acesso à saúde, a possibilidade de usar uma coleta simples como aliada no diagnóstico precoce pode representar um passo importante para o cuidado com a saúde da mulher.


