A previsão da inflação para 2026 voltou a subir no mercado financeiro e passou de 4,31% para 4,36%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central. O movimento marca a quarta alta consecutiva nas estimativas e reforça o cenário de cautela em torno do comportamento dos preços no país.
Mesmo com a nova elevação, a projeção ainda segue dentro do intervalo de tolerância da meta oficial definida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ao mesmo tempo, o mercado manteve a previsão de crescimento da economia em 1,85% neste ano, indicando um ambiente de inflação pressionada e expansão moderada.
Previsão da inflação segue em alta, mas continua dentro da meta
A nova previsão da inflação surge em meio ao aumento das incertezas externas, especialmente após tensões geopolíticas no Oriente Médio. Esse ambiente elevou a atenção do mercado sobre os próximos índices oficiais, principalmente o IPCA de março, que será divulgado pelo IBGE e pode mostrar os primeiros efeitos mais amplos desse cenário internacional sobre os preços internos.
Em fevereiro, a inflação oficial do mês ficou em 0,7%, acima do 0,33% registrado em janeiro, puxada principalmente pelos grupos de transportes e educação. Ainda assim, o IPCA acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024. Esse dado ajuda a explicar por que a previsão da inflação preocupa, mas ainda não rompeu o limite superior do sistema de metas.
Selic continua no centro das decisões
A previsão da inflação também influencia diretamente a condução da taxa básica de juros. Hoje, a Selic está em 14,75% ao ano, após corte de 0,25 ponto percentual decidido pelo Comitê de Política Monetária no mês passado. Antes do agravamento das tensões externas, parte do mercado esperava uma redução maior, de 0,5 ponto.
Com juros altos, o crédito tende a ficar mais caro, o consumo perde fôlego e a pressão sobre os preços pode diminuir. Por outro lado, esse freio também dificulta a atividade econômica. Por isso, a combinação entre inflação, juros e crescimento continua no centro da avaliação de analistas, empresas e consumidores.
PIB, dólar e cenário para os próximos anos
Além da previsão da inflação, o Focus manteve em 1,85% a estimativa de crescimento do PIB brasileiro em 2026. Para 2027, a projeção é de 1,8%. Já para 2028 e 2029, o mercado espera expansão de 2% em ambos os anos. O dado mostra uma economia sem expectativa de aceleração forte no curto prazo.
No câmbio, a expectativa é de dólar a R$ 5,40 no fim deste ano e a R$ 5,45 ao final de 2027. Esse conjunto de projeções ajuda a desenhar o cenário que será acompanhado nas próximas reuniões do Copom, especialmente se a previsão da inflação continuar subindo nas semanas seguintes.
Nos próximos dias, o comportamento do IPCA e os sinais do Banco Central devem orientar as expectativas do mercado. Enquanto isso, a previsão da inflação segue como um dos principais termômetros para decisões de consumo, investimento e política monetária no país.
Fonte: Agência Brasil


