O lado oculto da Lua voltou ao noticiário nesta terça-feira após a Nasa divulgar uma imagem feita durante a missão Artemis II, mostrando a Terra ao fundo no horizonte lunar. O registro foi apresentado no momento em que a tripulação inicia o retorno ao planeta, reforçando o peso simbólico e operacional de uma viagem que marca a retomada das missões tripuladas ao redor da Lua após mais de 50 anos.
Segundo a agência espacial, o registro foi feito na segunda-feira durante o sobrevoo lunar realizado pela tripulação. A divulgação ocorreu nesta terça-feira, no momento em que os quatro astronautas já iniciavam a trajetória de retorno à Terra, encerrando uma etapa histórica do programa que marca a volta de humanos às imediações da Lua após mais de cinco décadas.
Por que a imagem do lado oculto da Lua chamou atenção
A fotografia ganhou destaque não apenas pelo impacto visual, mas também pelo simbolismo. O chamado lado oculto da Lua é o hemisfério que não pode ser observado da Terra a olho nu, já que o satélite mantém praticamente a mesma face voltada para o planeta. Ao mostrar essa região com a Terra ao fundo, a Nasa reforçou o alcance da missão e a dimensão histórica do momento.

A publicação oficial classificou o registro como a “primeira foto do lado oculto da Lua”, mas o próprio noticiário lembrou que já houve imagens anteriores, incluindo registros da Apollo 16, em 1972, e da sonda soviética Luna 3, em 1958. Ainda assim, a nova foto tem peso especial por ter sido obtida em uma missão tripulada contemporânea, dentro do esforço de retomada da exploração lunar.
Artemis II quebrou recorde e ampliou observações científicas
A missão também atingiu outro marco relevante. De acordo com a Nasa, o voo estabeleceu um novo recorde de maior distância já percorrida por humanos no espaço, chegando a 406,6 mil quilômetros da Terra. O resultado superou a marca da Apollo 13, registrada em 1970, e reforçou a dimensão operacional da Artemis II.
Durante a passagem, a tripulação descreveu crateras de impacto, antigos fluxos de lava, rachaduras, cristas e variações de brilho, cor e textura na superfície lunar. Essas observações devem ajudar cientistas a compreender melhor a composição e a evolução geológica da Lua. Além disso, os astronautas acompanharam um eclipse solar total visto do espaço, com duração aproximada de uma hora, o que permitiu observar detalhes da coroa solar normalmente escondidos pelo brilho intenso do Sol.
Como será a volta da Orion para a Terra
A etapa final da missão agora depende de uma sequência de pequenas queimas de motor para alinhar a rota da cápsula Orion de volta ao planeta. Antes da entrada na atmosfera, a cápsula tripulada deverá se separar do Módulo de Serviço Europeu, responsável pela propulsão principal ao longo da viagem.

Na fase derradeira, a descida será desacelerada por paraquedas até o pouso no Oceano Pacífico. Em seguida, embarcações posicionadas na região devem fazer o resgate da tripulação. O êxito desse retorno será decisivo para os próximos passos do programa Artemis, que pretende recolocar seres humanos na superfície lunar nos próximos anos.
A nova imagem do lado oculto da Lua sintetiza, portanto, dois elementos centrais da Artemis II: o impacto visual de uma missão histórica e a preparação técnica para uma nova fase da exploração espacial. Ao unir recordes, observação científica e forte apelo simbólico, a viagem reforça a importância do retorno humano ao ambiente lunar e amplia a expectativa sobre os próximos capítulos do programa.
Fonte: SBT News

