Uso excessivo de analgésicos pode transformar dores de cabeça esporádicas em um problema crônico, mais frequente e mais incapacitante. O alerta reúne dados do Estudo Global da Carga de Doenças, Lesões e Fatores de Risco, publicado pelo The Lancet, além de avaliações de especialistas ouvidos pela CNN Brasil sobre a chamada cefaleia por uso excessivo de medicação.
Na prática, o uso excessivo de analgésicos acontece quando remédios voltados ao alívio imediato da dor passam a ser consumidos repetidamente ao longo das semanas. Com o tempo, o cérebro se torna mais sensível aos estímulos dolorosos, os medicamentos perdem parte da eficácia e as crises de enxaqueca podem ficar mais intensas, mais frequentes e mais difíceis de controlar.
Como o uso excessivo de analgésicos piora a enxaqueca
Segundo a reportagem, o mecanismo envolve alterações nos sistemas de modulação da dor no cérebro. O uso repetido de substâncias analgésicas favorece mudanças neuroquímicas que facilitam a cronificação da enxaqueca. Assim, episódios antes esporádicos podem se tornar quase diários, alimentando um ciclo de dor e maior dependência da medicação.
O estudo citado mostra ainda o peso desse quadro na saúde pública. A enxaqueca aparece entre as principais causas de incapacidade no mundo, sobretudo entre pessoas em idade produtiva, o que amplia o impacto social e funcional da doença.
Especialistas também chamam atenção para o fácil acesso a medicamentos sem prescrição. Um dos sinais de alerta é quando a pessoa passa a carregar o remédio de crise com frequência e o utiliza repetidamente. Nesse cenário, o uso excessivo de analgésicos deixa de ser uma resposta pontual e passa a integrar o próprio problema clínico.
Quais são os limites e o que fazer
De acordo com os especialistas ouvidos pela CNN Brasil, existe uma frequência considerada segura, mas ela não deve ultrapassar 15 dias por mês. Analgésicos simples, em geral, não devem ser usados por mais de 10 a 15 dias mensais. Já medicamentos específicos para enxaqueca, como triptanos e combinações analgésicas, exigem mais cautela e idealmente ficam abaixo de 10 dias por mês.
Além da piora clínica, o uso excessivo de analgésicos também eleva o risco de efeitos colaterais, incluindo problemas gastrointestinais, renais e cardiovasculares, a depender do tipo de medicamento e do tempo de consumo. Por isso, pacientes com crises frequentes devem procurar avaliação médica para diagnóstico correto e definição de tratamento preventivo.
Segundo o neurologista Tiago de Paula, a retirada dos medicamentos costuma ser gradual e pode envolver equipe multiprofissional, além de apoio psicológico, já que o paciente pode apresentar sintomas de abstinência, ansiedade, tremores, febre e manutenção da dor. Em vez de insistir sozinho no alívio imediato, o caminho mais seguro é interromper esse ciclo com orientação profissional.
Fonte: CNN Brasil


