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quinta-feira, abril 9, 2026

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Uso excessivo de analgésicos pode piorar a enxaqueca

Uso excessivo de analgésicos pode transformar dores de cabeça esporádicas em um problema crônico, mais frequente e mais incapacitante. O alerta reúne dados do Estudo Global da Carga de Doenças, Lesões e Fatores de Risco, publicado pelo The Lancet, além de avaliações de especialistas ouvidos pela CNN Brasil sobre a chamada cefaleia por uso excessivo de medicação.

Na prática, o uso excessivo de analgésicos acontece quando remédios voltados ao alívio imediato da dor passam a ser consumidos repetidamente ao longo das semanas. Com o tempo, o cérebro se torna mais sensível aos estímulos dolorosos, os medicamentos perdem parte da eficácia e as crises de enxaqueca podem ficar mais intensas, mais frequentes e mais difíceis de controlar.

Alcance global
2,9 bilhões
de pessoas conviviam com algum tipo de dor de cabeça em 2023.
Percentual
34,6%
da população mundial foi afetada por algum tipo de cefaleia.
Sinal de atenção
3 dias
por semana já aparecem como padrão recorrente associado ao problema.

Como o uso excessivo de analgésicos piora a enxaqueca

Segundo a reportagem, o mecanismo envolve alterações nos sistemas de modulação da dor no cérebro. O uso repetido de substâncias analgésicas favorece mudanças neuroquímicas que facilitam a cronificação da enxaqueca. Assim, episódios antes esporádicos podem se tornar quase diários, alimentando um ciclo de dor e maior dependência da medicação.

O estudo citado mostra ainda o peso desse quadro na saúde pública. A enxaqueca aparece entre as principais causas de incapacidade no mundo, sobretudo entre pessoas em idade produtiva, o que amplia o impacto social e funcional da doença.

Quando a dor vira ciclo
Crise aparece
O paciente usa remédio para aliviar a dor de forma imediata.
Uso se repete
A medicação passa a ser usada com frequência ao longo das semanas.
Sensibilidade aumenta
O cérebro responde pior e a dor pode ficar mais frequente e intensa.
Dependência do alívio
Novas crises levam a novo consumo e o ciclo se reforça.

Especialistas também chamam atenção para o fácil acesso a medicamentos sem prescrição. Um dos sinais de alerta é quando a pessoa passa a carregar o remédio de crise com frequência e o utiliza repetidamente. Nesse cenário, o uso excessivo de analgésicos deixa de ser uma resposta pontual e passa a integrar o próprio problema clínico.

Alerta do especialista
“Se o paciente começa a usar o remédio de crise com frequência e começa a ter na bolsa medicamento, isso é um sinal de alarme.”
Tiago de Paula, neurologista especialista em cefaleia pela EPM/UNIFESP

Quais são os limites e o que fazer

De acordo com os especialistas ouvidos pela CNN Brasil, existe uma frequência considerada segura, mas ela não deve ultrapassar 15 dias por mês. Analgésicos simples, em geral, não devem ser usados por mais de 10 a 15 dias mensais. Já medicamentos específicos para enxaqueca, como triptanos e combinações analgésicas, exigem mais cautela e idealmente ficam abaixo de 10 dias por mês.

Além da piora clínica, o uso excessivo de analgésicos também eleva o risco de efeitos colaterais, incluindo problemas gastrointestinais, renais e cardiovasculares, a depender do tipo de medicamento e do tempo de consumo. Por isso, pacientes com crises frequentes devem procurar avaliação médica para diagnóstico correto e definição de tratamento preventivo.

O que merece atenção imediata
Crises frequentes
Dor recorrente pede investigação e não apenas repetição de remédios.
Automedicação contínua
Usar medicação por conta própria pode mascarar a gravidade do quadro.
Retirada sem acompanhamento
A suspensão costuma ser gradual e pode exigir apoio multiprofissional.

Segundo o neurologista Tiago de Paula, a retirada dos medicamentos costuma ser gradual e pode envolver equipe multiprofissional, além de apoio psicológico, já que o paciente pode apresentar sintomas de abstinência, ansiedade, tremores, febre e manutenção da dor. Em vez de insistir sozinho no alívio imediato, o caminho mais seguro é interromper esse ciclo com orientação profissional.

Fonte: CNN Brasil

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