Estreito de Ormuz voltou a ser liberado pelo Irã para a passagem de embarcações comerciais durante o período de cessar-fogo, em um movimento que reduziu a pressão imediata sobre uma das rotas mais sensíveis do comércio global de energia. A confirmação foi feita pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, nesta sexta-feira.
A decisão recoloca o estreito de Ormuz no centro da crise no Oriente Médio porque a via concentra cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo e gás. Além do peso geopolítico, o anúncio provocou reação quase imediata no mercado, com queda do dólar e recuo do petróleo Brent nas primeiras horas do dia.
Por que o estreito de Ormuz voltou ao centro da crise
O estreito de Ormuz já vinha operando sob forte pressão desde que a ofensiva de Estados Unidos e Israel contra o Irã começou em 28 de fevereiro. A passagem ficou praticamente bloqueada, o que elevou o temor de novos choques no abastecimento global de energia e ampliou a instabilidade nos mercados internacionais.
Ao anunciar a reabertura, Abbas Araghchi disse que a liberação ocorreria em conformidade com o cessar-fogo e em rota coordenada previamente pelas autoridades portuárias e marítimas do Irã. A sinalização buscou transmitir controle sobre a navegação e, ao mesmo tempo, reduzir o risco de um novo estrangulamento logístico em plena escalada regional.
Mercado reage com dólar mais baixo e petróleo em queda
O efeito mais visível da reabertura do estreito de Ormuz apareceu nas cotações. Depois da fala do ministro iraniano, o dólar caiu para R$ 4,95, no menor patamar desde março de 2024. No dia anterior, a moeda havia fechado em R$ 4,99. Mais tarde, após uma publicação de Donald Trump na Truth Social agradecendo ao Irã, a cotação voltou a subir levemente e chegou a R$ 4,96.
O petróleo tipo Brent, por sua vez, recuou mais de 10%, com o barril cotado abaixo de US$ 90. A reação reforça o quanto o estreito de Ormuz funciona como termômetro da crise: quando a rota ameaça fechar, o mercado teme desabastecimento; quando ela reabre, o movimento imediato é de alívio.
Abertura reduz risco imediato
A reativação do corredor marítimo diminui, ao menos por ora, o temor de interrupção global no transporte de energia.
R$ 4,95
R$ 4,99
queda acima de 10%
Trump agradece, mas tensão regional segue elevada
Trump afirmou em sua rede social que o Irã havia anunciado a abertura total da passagem e agradeceu publicamente pelo gesto. Ainda assim, a situação regional permanece instável. O cessar-fogo anunciado entre Israel e Líbano dura dez dias, enquanto os Estados Unidos seguem em trégua temporária com o Irã desde 8 de abril.
Nos dias anteriores, o Irã já havia reaberto brevemente o estreito de Ormuz, mas voltou a restringir a passagem depois que Israel continuou operações militares no território libanês contra alvos do Hezbollah. Para Teerã, a continuidade da ofensiva configurou violação do cessar-fogo. Por isso, a nova liberação da rota é relevante, mas ainda depende da sustentação política da trégua.
A reabertura é um alívio, não o fim da crise
A liberação do estreito de Ormuz reduz a pressão sobre petróleo, câmbio e transporte marítimo. No entanto, o cenário segue frágil porque depende da manutenção do cessar-fogo e do recuo das operações militares paralelas.
Impacto direto: qualquer nova ruptura pode recolocar o estreito de Ormuz sob ameaça e reacender a volatilidade global em poucas horas.
Fonte da notícia: Poder360


