O ranking da revista Time colocou dois cientistas brasileiros entre os nomes mais influentes do mundo em 2026 e levou a ciência nacional ao centro de uma vitrine global. O reconhecimento alcança Mariângela Hungria, da Embrapa, e Luciano Moreira, da Fiocruz, pesquisadores ligados a soluções com efeitos concretos na produção agrícola e na saúde pública.
Mais do que prestígio simbólico, o ranking da revista Time destaca duas trajetórias associadas a tecnologias já aplicadas na prática. De um lado, microrganismos que ajudam plantas a absorver nitrogênio e reduzem a dependência de fertilizantes sintéticos. Do outro, o método Wolbachia, que usa mosquitos com bactéria capaz de reduzir a transmissão da dengue.
Resumo rápido
No caso de Mariângela Hungria, o destaque veio de uma carreira dedicada à microbiologia e à agronomia. A pesquisadora recebeu o World Food Prize, conhecido como “Nobel da Agricultura”, e ganhou projeção por desenvolver microrganismos que ajudam plantas a absorver nitrogênio. Segundo a Time, a tecnologia já impacta o agronegócio brasileiro e ajuda produtores em outros países a ampliar a produtividade com menor dependência de insumos que poluem o ambiente.
A revista afirmou que 85% da soja brasileira já é cultivada com esses microrganismos em vez de fertilizantes sintéticos. Também apontou que as inovações associadas à pesquisadora ajudaram agricultores do país a economizar cerca de US$ 25 bilhões por ano e a evitar a emissão de 230 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono. Esses dados ajudam a explicar o peso do ranking da revista Time nesta pauta.
Já Luciano Moreira foi citado pela expansão do programa de controle da dengue. O trabalho dele está associado à criação de uma fábrica em Curitiba para produzir mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia. Esses insetos competem com os mosquitos na natureza e diminuem a capacidade de transmissão da doença quando são infectados.
O ranking da revista Time e o destaque global da ciência brasileira
O ranking da revista Time chama atenção porque valoriza pesquisas que dialogam com desafios concretos do país. Na produção agrícola, o reconhecimento ajuda a mostrar que produtividade e redução de impacto ambiental podem caminhar juntas. Na saúde pública, reforça a relevância de estratégias capazes de enfrentar doenças recorrentes em território nacional.
Além disso, o ranking da revista Time projeta para o exterior o papel de instituições públicas brasileiras na produção de conhecimento com alcance internacional. Em vez de um prêmio restrito ao meio acadêmico, o reconhecimento se conecta com resultados que já afetam o cotidiano de produtores, gestores e comunidades expostas à dengue.
A inclusão inédita de dois brasileiros na lista da publicação também reforça um ponto importante: quando a produção científica recebe investimento e continuidade, ela pode ganhar escala, gerar impacto econômico, melhorar indicadores ambientais e contribuir para respostas de saúde pública. Nesse cenário, o ranking da revista Time funciona como selo de visibilidade para soluções que nasceram no país.
Fonte da notícia:
Só Notícia Boa

