O acordo UE-Mercosul começou a vigorar de forma provisória nesta sexta-feira (1º), após mais de 25 anos de negociações, e abre uma nova fase para o comércio entre Brasil, Mercosul e União Europeia.
A medida cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, envolvendo mais de 700 milhões de consumidores e economias com PIB combinado de cerca de US$ 22 trilhões. Para o Brasil, os efeitos devem aparecer aos poucos, com reflexos em tarifas, importações, exportações, preços e custos de produção.
A escala do acordo
Como o acordo UE-Mercosul pode mudar preços no Brasil
Segundo a Confederação Nacional da Indústria, mais de 80% dos produtos exportados pelo Brasil para a União Europeia passam a ter tarifa de importação zerada desde o início desta etapa. A implementação, porém, será gradual e seguirá regras diferentes para cada setor.
Para os consumidores brasileiros, analistas citados pela BBC projetam que o acordo UE-Mercosul pode reduzir o preço de alguns importados, como vinhos, azeites, queijos e outros lácteos. Também há expectativa de chegada de marcas ainda pouco presentes no país, incluindo alguns chocolates premium.
Outros itens podem sentir impacto ao longo do tempo, como veículos, medicamentos, máquinas, equipamentos e insumos para o agro. Ainda assim, o preço final depende de fatores como câmbio, logística, concorrência e repasse pelas empresas.
Exportações brasileiras ganham novo acesso
Nas exportações, a tendência é que produtos agropecuários e calçados brasileiros cheguem com mais facilidade aos países europeus. Entre os itens que passam a entrar no mercado europeu sem tarifas estão café solúvel, óleos vegetais e frutas frescas.
Produtos como carne bovina, aves e açúcar também entram no acordo, mas dentro de cotas e com alíquotas reduzidas. Esse ponto foi central nas negociações, especialmente por causa da pressão de produtores europeus, com destaque para a França.

O impasse foi destravado no fim de 2025, quando o Parlamento Europeu aprovou salvaguardas para proteger produtos agrícolas europeus. Esses mecanismos permitem suspender temporariamente vantagens tarifárias concedidas ao Mercosul em determinadas situações.
Setores mais citados
Importados
Vinhos, azeites, queijos, lácteos e frutas de clima temperado.
Produção
Máquinas, equipamentos elétricos e insumos industriais.
Exportações
Café solúvel, óleos vegetais, frutas, calçados e itens agropecuários.
Impacto econômico será sentido aos poucos
O acordo UE-Mercosul prevê redução de tarifas comerciais e facilitação de investimentos entre os blocos. A liberação pode ser imediata ou gradual, chegando a até 15 anos, conforme o setor. A medida deve atingir 91% dos bens que o Brasil importa da União Europeia e 95% dos bens que o bloco europeu importa do Brasil.
Um estudo de 2024 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, citado pela BBC, apontou que o acordo pode gerar impacto positivo no PIB brasileiro. Entre 2024 e 2040, o aumento acumulado seria de 0,46%, equivalente a US$ 9,3 bilhões por ano.
O mesmo estudo aponta possível alta de 1,49% nos investimentos. As importações poderiam atingir pico de US$ 12,8 bilhões em 2034, enquanto as exportações poderiam alcançar ganho acumulado de US$ 11,6 bilhões.
O que fica nesta etapa
O efeito imediato está nas tarifas, mas o impacto amplo depende do cronograma, do câmbio, das salvaguardas e das exigências ambientais.
Acordo UE-Mercosul ainda terá ajustes
O acordo UE-Mercosul marca uma mudança relevante, mas seus efeitos não serão iguais para todos os setores. Para alguns produtos, a redução de tarifas começa mais rapidamente. Para outros, o processo será mais longo e seguirá limites, cotas e condições específicas.
Como a aplicação é provisória, as regras ainda podem sofrer ajustes. Além disso, a continuidade dos benefícios comerciais está condicionada ao cumprimento de compromissos ambientais, uma exigência central da União Europeia.
Assim, o acordo UE-Mercosul deve ser sentido aos poucos pelo consumidor e pelo setor produtivo. A nova etapa pode baratear importados, facilitar vendas brasileiras para a Europa e mexer nos custos de produção, mas o resultado dependerá da implementação gradual e das condições econômicas dos próximos anos.
Fonte da notícia: BBC News Brasil


