O monitoramento das tartarugas no Guaporé já permitiu a coleta de dados biométricos de aproximadamente 360 fêmeas no Parque Estadual Corumbiara, em Pimenteiras do Oeste, no sul de Rondônia. O trabalho acompanha a reprodução da tartaruga-da-Amazônia e as condições ambientais que podem comprometer os ninhos.
A pesquisa sobre as tartarugas no Guaporé ocorre de 2 a 23 de outubro de 2026. Um dos principais desafios é a oscilação do nível do Rio Guaporé: quando a água sobe e alcança as praias de desova, os ovos podem ficar submersos. A pesquisa busca compreender esses riscos e reunir informações para orientar a conservação da espécie.
Monitoramento acompanha cerca de 360 fêmeas
A tartaruga-da-Amazônia, de nome científico Podocnemis expansa, é um dos principais quelônios de água doce da região amazônica. Durante a reprodução, as fêmeas utilizam áreas adequadas das margens e praias dos rios para depositar seus ovos.
No Parque Estadual Corumbiara, o monitoramento das tartarugas no Guaporé integra o Projeto Quelônios da Amazônia (PQA). A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) informou que os dados das aproximadamente 360 fêmeas ajudam a relacionar as características dos animais às condições ambientais e ao acompanhamento das áreas de desova.
Subida do Rio Guaporé pode comprometer os ninhos
Para as tartarugas no Guaporé, o nível do rio influencia diretamente a segurança das praias utilizadas para a postura dos ovos. Se a água alcançar os ninhos durante a incubação, poderá prejudicar seu desenvolvimento e reduzir o sucesso reprodutivo.
Conforme a Sedam, os estudos sobre as tartarugas no Guaporé registram desde 2023 alterações nos períodos de desova e riscos relacionados à elevação das águas. Por isso, a observação contínua é importante: permite comparar diferentes ciclos reprodutivos e identificar situações que exigem atenção das equipes.

Pesquisa reúne dados sobre animais, ovos e temperatura
O monitoramento das tartarugas no Guaporé vai além da contagem dos animais. Equipes técnicas registram medidas dos cascos, peso das fêmeas e condições dos ninhos. Também realizam contagem e pesagem de ovos, medições de temperatura e coleta de dados biométricos.
A identificação individual por microchips permite reconhecer as tartarugas no Guaporé em acompanhamentos posteriores. Após os procedimentos técnicos, as tartarugas são devolvidas ao ambiente natural. Essas informações contribuem para estudos sobre reprodução, comportamento e condições ambientais.
Participam da iniciativa a Sedam, por meio da Coordenadoria de Unidades de Conservação (CUC), com apoio do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), participação do Ibama e colaboração de pesquisadores e estudantes da Universidade Federal de Rondônia (Unir).
Conservação no Corumbiara tem histórico de ações
A conservação das tartarugas no Guaporé enfrenta desafios antigos. Segundo a Sedam, a exploração excessiva de adultos e ovos contribuiu historicamente para a redução das populações dessas espécies. O acompanhamento das áreas de reprodução é uma das formas de produzir conhecimento e orientar medidas de conservação.
Em dezembro de 2025, outra ação realizada no Parque Estadual Corumbiara resultou na soltura de 228 mil filhotes de tartaruga-da-Amazônia. A TVdoPOVO publicou reportagem sobre aquela soltura, que faz parte do histórico de conservação da espécie, mas não representa o resultado do monitoramento atual.
O que ainda falta saber sobre a reprodução em 2026
A programação de campo está prevista até 23 de outubro. Até a divulgação consultada, não havia balanço consolidado com o total de ninhos registrados, ovos acompanhados, filhotes nascidos ou possíveis perdas provocadas pela inundação das praias.
Enquanto isso, o dado mais concreto sobre as tartarugas no Guaporé é a ampliação do acompanhamento das fêmeas e das condições de desova. A preservação das praias e dos animais continua essencial para que a espécie mantenha seu ciclo natural de reprodução na região do Guaporé.
Fonte oficial: Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental de Rondônia (Sedam), publicação de 13 de outubro de 2026.
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