Cesta básica sobe em 14 capitais e carne pesa no bolso
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terça-feira, março 10, 2026

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Cesta básica sobe em 14 capitais e carne pesa no bolso

O preço da cesta básica voltou a subir em parte importante do país e reforçou a pressão sobre o orçamento doméstico em fevereiro. Segundo o levantamento mais recente da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Dieese em parceria com a Conab, o custo do conjunto de alimentos essenciais aumentou em 14 das 27 capitais pesquisadas.

O movimento foi puxado, principalmente, pela alta da carne bovina e do feijão em várias cidades. Ao mesmo tempo, o café em pó apresentou queda na maioria dos mercados acompanhados, o que ajudou a reduzir parte da pressão sobre a cesta em alguns locais. Ainda assim, o cenário geral continua sensível para as famílias, sobretudo as de menor renda, que destinam fatia cada vez maior do salário à alimentação básica.

Panorama da cesta básica em fevereiro

  • O custo da cesta básica subiu em 14 capitais em fevereiro.
  • As maiores altas foram registradas em Natal, João Pessoa e Recife.
  • São Paulo teve a cesta mais cara do país, com R$ 852,87.
  • Em Porto Velho, a cesta custou R$ 601,69, com alta mensal de 0,11%.
  • O salário mínimo necessário estimado pelo Dieese chegou a R$ 7.164,94.

Onde a cesta básica mais subiu em fevereiro

Entre janeiro e fevereiro, as principais elevações apareceram em capitais do Nordeste e do Sudeste. Natal liderou a alta mensal, com avanço de 3,52%. Em seguida vieram João Pessoa, com 2,03%, e Recife, com 1,98%. Também registraram aumentos relevantes Maceió, Aracaju, Vitória, Rio de Janeiro e Teresina.

Esses números mostram que a pressão sobre os alimentos essenciais não ficou concentrada em uma única região. Pelo contrário, o encarecimento se espalhou por diferentes capitais e reforçou a percepção de que o custo de vida continua apertado, mesmo em cidades onde houve queda pontual em alguns produtos.

Capitais com maior alta mensal

Natal: 3,52%

João Pessoa: 2,03%

Recife: 1,98%

Maceió: 1,87%

Aracaju: 1,85%

Vitória: 1,79%

São Paulo segue com a cesta mais cara do país

Mesmo sem liderar a alta mensal, São Paulo continuou com o maior custo absoluto da cesta básica entre as capitais pesquisadas. Em fevereiro, o valor chegou a R$ 852,87. O Rio de Janeiro apareceu em seguida, com R$ 826,98, à frente de Florianópolis e Cuiabá.

Na prática, isso significa que o peso da alimentação básica continua mais severo nos grandes centros, especialmente para trabalhadores que dependem do salário mínimo. Embora alguns itens tenham recuado em cidades específicas, o custo total permanece alto e exige mais horas de trabalho para garantir o básico dentro de casa.

Cestas mais caras em fevereiro

  • São Paulo: R$ 852,87
  • Rio de Janeiro: R$ 826,98
  • Florianópolis: R$ 797,53
  • Cuiabá: R$ 793,77

Carne e feijão pesam mais no bolso do consumidor

O levantamento mostra que a carne bovina de primeira voltou a influenciar o custo final da cesta em várias capitais. Em muitos casos, ela apareceu ao lado do feijão entre os principais itens de pressão. Esse movimento é relevante porque são produtos centrais na alimentação do brasileiro e têm forte impacto no consumo do dia a dia.

Por outro lado, o café em pó recuou em grande parte das cidades monitoradas. A queda ajudou a aliviar o orçamento em alguns mercados, mas não foi suficiente para neutralizar o avanço de itens que têm peso mais forte na composição da cesta. Dessa forma, a sensação para boa parte das famílias continua sendo de aperto, mesmo quando um ou outro produto recua.

O que o levantamento sinaliza

A queda do café em pó em várias capitais trouxe algum alívio pontual. Ainda assim, a alta da carne e do feijão manteve a alimentação básica pressionada e impediu uma redução mais ampla no custo total da cesta.

Porto Velho teve alta leve, mas custo segue relevante

Em Porto Velho, o preço da cesta básica subiu 0,11% em fevereiro e chegou a R$ 601,69. Embora esteja entre os menores valores observados no recorte das capitais do Norte e do Nordeste, o custo segue elevado para a realidade de famílias que já enfrentam despesas crescentes com moradia, transporte e contas básicas.

Além disso, os dados mostram que cinco produtos tiveram aumento de preço na capital rondoniense entre janeiro e fevereiro, com destaque para o feijão carioca e a carne bovina de primeira. Portanto, mesmo com alta pequena no índice geral, a composição da cesta indica que itens essenciais continuam sensíveis no orçamento local.

Recorte de Porto Velho

  • Variação mensal: 0,11%
  • Valor da cesta: R$ 601,69
  • Alta acumulada em 2026: 1,64%
  • Destaques de pressão: feijão carioca e carne bovina

Salário mínimo necessário continua distante da realidade

O Dieese calcula mensalmente quanto deveria ser o salário mínimo ideal para cobrir não apenas alimentação, mas também moradia, saúde, transporte, educação, vestuário, higiene, lazer e previdência. Em fevereiro de 2026, esse valor foi estimado em R$ 7.164,94 para uma família de quatro pessoas.

O dado ajuda a dimensionar o tamanho da pressão sobre o consumo básico no país. Mesmo quando a alta mensal parece moderada em algumas capitais, o custo dos alimentos continua desproporcional em relação à renda efetivamente disponível para a maior parte da população. Por isso, a cesta básica segue como um dos indicadores mais sensíveis da perda de poder de compra.

Dado que resume o cenário

Para manter uma família de quatro pessoas em fevereiro de 2026, o salário mínimo necessário estimado pelo Dieese foi de R$ 7.164,94, mais de quatro vezes o piso nacional vigente.

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O que os números revelam para os próximos meses

A nova alta da cesta básica reforça que o custo da alimentação continua no centro da preocupação econômica das famílias brasileiras. Mesmo com recuo de produtos como o café em parte das capitais, a pressão da carne, do feijão e de outros itens essenciais mantém o orçamento apertado.

Para o consumidor, isso significa necessidade maior de substituição de produtos, busca por promoções e reorganização das compras. Já para o debate econômico, os dados servem como alerta sobre o impacto direto da inflação dos alimentos no cotidiano, sobretudo nas regiões em que a renda média é menor e a margem financeira das famílias é mais estreita.

Fonte: G1

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