Oficial dos EUA deixa o Brasil após determinação do Ministério das Relações Exteriores, em resposta direta à expulsão do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho dos Estados Unidos. A decisão foi tratada pelo Itamaraty como aplicação do princípio da reciprocidade, após o governo norte-americano retirar o agente brasileiro que atuava em função de ligação no país.
Segundo a informação divulgada, Michel Myers deixou o território brasileiro na quinta-feira, 23 de abril. Ele trabalhava junto à Polícia Federal na troca de informações desde 2024, dentro de um acordo de cooperação bilateral entre Brasil e Estados Unidos.
Oficial dos EUA deixa o Brasil após reação do Itamaraty
O caso ganhou peso diplomático porque o Itamaraty avaliou que a retirada do delegado brasileiro dos Estados Unidos não seguiu a boa prática diplomática nem respeitou parâmetros de cooperação entre os dois países. Por isso, o governo brasileiro decidiu adotar uma medida equivalente em território nacional.

O oficial dos EUA deixa o Brasil em meio a uma crise aberta pela expulsão de Marcelo Ivo de Carvalho. O delegado atuava como oficial de ligação no Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos, conhecido pela sigla ICE, quando foi retirado do país pelo governo norte-americano.

Marcelo foi expulso depois da detenção de Alexandre Ramagem, considerado foragido pela Justiça brasileira e alvo de pedido de extradição. A Polícia Federal afirmou que a prisão ocorreu com base na cooperação entre os dois países, enquanto os Estados Unidos sustentaram que a abordagem teve relação com verificação de status migratório.
Ramagem acabou liberado dois dias depois, sem aviso prévio às autoridades brasileiras, conforme o relato divulgado. Ainda segundo a versão norte-americana, o ex-deputado poderia permanecer no país enquanto aguardava resposta ao pedido de asilo. Nesse contexto, o oficial dos EUA deixa o Brasil como resposta institucional do governo brasileiro.
Cooperação policial fica no centro da tensão
O governo brasileiro interpretou a expulsão do delegado como uma quebra de confiança na cooperação bilateral. Na avaliação do Itamaraty, Marcelo Ivo atuava com base em memorando firmado entre os dois países, o que aumentou a sensibilidade institucional do episódio.
Enquanto isso, o Departamento de Estado americano justificou a medida ao acusar o delegado brasileiro de tentar “manipular” o sistema de imigração para contornar pedidos de extradição. A acusação foi rejeitada politicamente pelo lado brasileiro, que passou a defender uma reação baseada no mesmo padrão aplicado pelos Estados Unidos.
Com isso, o oficial dos EUA deixa o Brasil como efeito imediato da decisão brasileira. A saída de Michel Myers representa a interrupção de uma função de cooperação que envolvia troca de informações com a Polícia Federal desde 2024.
A delegada Tatiana Alves Torres foi designada para assumir a função na Flórida. Mesmo assim, o episódio mantém a relação entre os países sob atenção, especialmente porque envolve um caso de repercussão política e judicial no Brasil.
Na prática, o oficial dos EUA deixa o Brasil em um momento de tensão entre versões oficiais. Para o Itamaraty, a reciprocidade preserva o equilíbrio diplomático. Para os Estados Unidos, a expulsão anterior teria relação com regras migratórias.
O desdobramento agora fica concentrado na capacidade dos dois governos de manter canais de cooperação sem ampliar a crise. Ao mesmo tempo, o fato de que o oficial dos EUA deixa o Brasil reforça a sinalização brasileira de que decisões contra agentes nacionais em funções oficiais podem receber resposta proporcional.
Fonte da notícia: Metrópoles

