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sexta-feira, março 13, 2026

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Senado aprova projeto que pode acelerar imunoterapia contra o câncer no SUS

A imunoterapia no SUS pode ganhar novos avanços após a aprovação de um projeto de lei no Senado que busca acelerar a incorporação desse tratamento inovador contra o câncer no sistema público de saúde. A proposta altera a Lei Orgânica da Saúde e estabelece que terapias imunológicas devem ser incluídas nos protocolos do SUS sempre que demonstrarem maior eficácia ou segurança em comparação aos tratamentos tradicionais.

O texto segue agora para sanção presidencial. Caso seja aprovado definitivamente, poderá abrir caminho para ampliar o acesso da população brasileira a uma das terapias mais modernas da oncologia.

Linha do tempo da imunoterapia na medicina

  • 2011 — primeiros medicamentos imunoterápicos começam a apresentar resultados significativos no tratamento do melanoma.
  • 2018 — cientistas recebem o Prêmio Nobel de Medicina por descobertas que permitiram o desenvolvimento da imunoterapia.
  • 2020–2025 — expansão do uso da terapia em diversos tipos de câncer.
  • 2026 — Senado brasileiro aprova projeto que pode acelerar a imunoterapia no SUS.

Como a imunoterapia no SUS pode mudar o tratamento do câncer

Hoje, muitos medicamentos imunoterápicos ainda não estão disponíveis de forma ampla no sistema público. A chegada da imunoterapia no SUS em maior escala pode transformar o tratamento oncológico no país, oferecendo alternativas terapêuticas para pacientes que não respondem bem à quimioterapia ou à radioterapia.

O projeto aprovado prevê que novas terapias sejam incorporadas ao sistema público quando estudos científicos comprovarem vantagens clínicas significativas. Isso pode acelerar a adoção de tratamentos inovadores que já vêm sendo utilizados em sistemas de saúde de vários países.

“A imunoterapia mudou completamente o cenário do tratamento oncológico. Em muitos casos, conseguimos respostas duradouras que antes eram consideradas impossíveis.”

Stephen Stefani — oncologista e pesquisador em oncologia clínica

O que é imunoterapia contra o câncer

A imunoterapia funciona estimulando o próprio sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater células tumorais. Diferentemente da quimioterapia, que ataca diretamente células que se multiplicam rapidamente, esse tratamento atua liberando mecanismos naturais de defesa do organismo.

Alguns tumores conseguem se camuflar e evitar a ação das células de defesa. Os medicamentos imunoterápicos bloqueiam essa camuflagem, permitindo que o sistema imunológico identifique o câncer como algo estranho e o combata de forma mais eficaz.

Por que alguns tumores respondem melhor à imunoterapia

Alguns tipos de câncer apresentam maior quantidade de mutações genéticas. Quanto mais alterações a célula tumoral possui, maior a probabilidade de o sistema imunológico reconhecê-la como uma ameaça após a ação dos medicamentos imunoterápicos.

Em quais tipos de câncer a imunoterapia tem melhores resultados

Nem todos os tumores respondem da mesma forma à terapia imunológica. Estudos indicam melhores resultados em alguns tipos específicos de câncer, especialmente aqueles com maior carga de mutações.

Entre os tumores que podem apresentar respostas positivas estão melanoma, câncer de pulmão, câncer de rim, câncer de bexiga, tumores de cabeça e pescoço e alguns subtipos de câncer de mama.

Números da imunoterapia no Brasil

  • Custo médio mensal no setor privado: R$ 25 mil a R$ 40 mil
  • Alguns tratamentos podem ultrapassar R$ 100 mil por mês
  • Planos de saúde são obrigados a cobrir medicamentos aprovados pela Anvisa
  • No SUS, tratamentos oncológicos são financiados via APAC

O desafio de financiar a imunoterapia no SUS

Apesar do avanço científico, especialistas alertam que ampliar a imunoterapia no SUS exige mudanças no modelo de financiamento da oncologia pública. Os medicamentos utilizados nesse tipo de tratamento costumam ter alto custo, o que representa um desafio para hospitais públicos e instituições filantrópicas.

Hoje, o SUS já utiliza algumas terapias imunológicas para determinados tipos de câncer, como melanoma avançado e câncer de pulmão. No entanto, o acesso ainda é limitado em comparação ao sistema privado.

Segundo o Ministério da Saúde, novas tecnologias em saúde precisam passar por avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por analisar a inclusão de medicamentos e tratamentos no sistema público.

Como pacientes conseguem acesso atualmente

  • Participação em pesquisas clínicas com novos medicamentos
  • Decisões judiciais que determinam fornecimento do tratamento
  • Encaminhamento para tratamento na rede privada quando há plano de saúde

Imunoterapia representa avanço, mas não substitui todos os tratamentos

Apesar dos resultados promissores, médicos reforçam que não existe uma única cura para todos os tipos de câncer. A imunoterapia no SUS pode representar um avanço importante, mas continuará sendo utilizada em conjunto com outras estratégias terapêuticas.

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A expansão da imunoterapia no SUS acontece em um momento de avanço acelerado da tecnologia médica e de debates sobre segurança de dados na saúde digital. Sistemas inteligentes, prontuários eletrônicos e ferramentas de inteligência artificial já começam a transformar o diagnóstico e o acompanhamento de pacientes.

Entenda também como especialistas recomendam proteger informações médicas e dados pessoais em ambientes digitais:

Como proteger dados pessoais na era da inteligência artificial

Em muitos casos, o tratamento oncológico envolve combinações entre cirurgia, quimioterapia, radioterapia e terapias-alvo. O grande desafio agora será garantir que os avanços científicos se transformem em acesso real para pacientes da rede pública.

 

Fonte: G1

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