Fraudes digitais no Brasil deixaram de ser ações isoladas e passaram a funcionar como um mercado organizado, no qual criminosos vendem “kits” com ferramentas, instruções e roteiros prontos para aplicar golpes.
O novo Mapa da Fraude, apresentado pela Serasa Experian, mostra que 51% dos brasileiros economicamente ativos já foram vítimas de algum tipo de fraude. Somente no primeiro trimestre de 2026, mais de 1,5 milhão de tentativas foram registradas durante aberturas de contas, criação de cadastros e contratação de serviços.
Fraudes digitais no Brasil avançam em ritmo acelerado
Dados revelam vítimas, frequência das tentativas e valores protegidos.
Mercado criminoso ganha escala organizada
Segundo a Serasa Experian, as fraudes digitais no Brasil passaram por um processo de industrialização. Quando criminosos encontram uma brecha, o método pode ser transformado em produto e comercializado em ambientes clandestinos da internet.
Esses pacotes podem reunir modelos de mensagens, instruções, ferramentas e roteiros de abordagem. Com o material pronto, novos fraudadores conseguem repetir as ações com maior facilidade, ampliando o alcance e a velocidade dos ataques.
No primeiro trimestre, mais de 2 mil grupos e canais foram monitorados. Nesses ambientes, a empresa identificou 19,7 milhões de mensagens relacionadas a golpes, média de 152 por minuto. Em comparação anual, a troca de informações entre fraudadores cresceu 139%, impulsionando as fraudes digitais no Brasil.
A fraude começa antes da perda financeira
Perfis e aplicativos falsos ampliam a exposição
O estudo mostra que as fraudes digitais no Brasil começam antes de uma transferência ou compra indevida. A preparação envolve páginas falsas, anúncios enganosos, perfis duplicados e aplicativos que imitam plataformas legítimas.
Entre janeiro e março, mais de 10 mil anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos foram identificados. O volume corresponde a um novo risco a cada 13 minutos e representa crescimento de 8,3% em relação ao mesmo período de 2025.
Para a companhia, esse aumento está ligado principalmente ao avanço da engenharia social e do phishing. Essas estratégias tentam convencer o consumidor a fornecer informações pessoais, acessar páginas fraudulentas ou iniciar cadastros em ambientes controlados por criminosos.
Três frentes sustentam o crescimento dos golpes
Tentativas crescem durante abertura de contas
Outra fase considerada crítica é o onboarding, nome dado ao momento em que o consumidor abre uma conta, cria um cadastro ou contrata um serviço. As tentativas de fraude nessa etapa cresceram 36,6% no primeiro trimestre.
Foram mais de 1,5 milhão de ocorrências, média de uma nova tentativa a cada cinco segundos. O avanço das fraudes digitais no Brasil aumenta a pressão sobre sistemas de autenticação e prevenção usados por empresas.
De acordo com a Serasa Experian, as soluções de proteção evitaram que aproximadamente R$ 1,98 bilhão saísse das mãos dos consumidores e fosse transferido para fraudadores.
Prevenção protege dinheiro e confiança
As consequências atingem consumidores e empresas.
O valor médio mais elevado mostra que os criminosos buscam operações com maior possibilidade de retorno. Nesse cenário, combater as fraudes digitais no Brasil exige identificar sinais anteriores, como páginas falsas, identidades suspeitas e tentativas incomuns de cadastro.
Para a Serasa Experian, o desafio é construir um ambiente digital mais seguro, capaz de preservar a confiança entre empresas e consumidores. Uma pessoa vítima de golpe pode evitar voltar ao mesmo canal, enquanto uma empresa atingida também pode ter sua imagem prejudicada.
Os dados mostram que as fraudes digitais no Brasil combinam organização, compartilhamento de ferramentas, criação de identidades falsas e busca por operações de maior valor. Ao mesmo tempo, sistemas de autenticação e prevenção conseguem reduzir perdas e limitar parte da atuação criminosa.
O crescimento das fraudes digitais no Brasil reforça a importância de bloquear tentativas ainda nas etapas iniciais, antes que anúncios, perfis e aplicativos falsos resultem em prejuízos para consumidores e empresas.



