Alexandre de Moraes encara Jair Bolsonaro com semblante sério diante do STF, representando julgamento por trama golpista.
O ministro Alexandre de Moraes e o ex-presidente Jair Bolsonaro são destaque em arte sobre julgamento no STF por tentativa de golpe.

STF julga Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta terça-feira (9) o STF julgamento Bolsonaro, que envolve o ex-presidente e sete aliados. A denúncia da PGR aponta que o grupo tentou impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito democraticamente em 2022.

Logo no início da sessão, o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, apresentou os fundamentos da denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Em seguida, iniciou a análise das preliminares, antes de entrar no mérito da ação penal.

Primeira Turma do STF – julgamento da AP 2668 (Núcleo 1) – 9/9/2025 (tarde)

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Primeira Turma do STF – julgamento da AP 2668 (Núcleo 1) – 9/9/2025 (manhã)

Denúncia da PGR apresenta cinco crimes contra a democracia

De acordo com a PGR, os réus participaram de um plano coordenado. Por isso, respondem pelos seguintes crimes:

  • Organização criminosa armada

  • Tentativa de golpe de Estado

  • Ato de abolição violenta do Estado Democrático de Direito

  • Dano qualificado contra patrimônio da União

  • Deterioração de patrimônio tombado (exceto Alexandre Ramagem)

Além disso, a Procuradoria solicitou a aplicação de agravantes. Como os réus exerciam cargos públicos relevantes, a responsabilização penal pode ser ampliada.

Julgamento segue com votos até sexta-feira

Após o voto de Moraes, o ministro Flávio Dino deve apresentar sua posição. Em seguida, o ministro Luiz Fux também votará. Embora ele possa divergir em alguns pontos, a expectativa é de continuidade sem interrupções.

Nos dois dias seguintes, os ministros Cármen Lúcia e Cristiano Zanin deverão concluir a fase de votação. Quando todos tiverem se manifestado, o Supremo passará à dosimetria das penas, que define o tempo de condenação de cada réu.

Réus integram núcleo político e militar de Bolsonaro

Os acusados atuavam em posições estratégicas no governo anterior. Veja quem são:

  • Jair Bolsonaro – apontado como líder da trama golpista

  • Mauro Cid – delator e ex-ajudante de ordens

  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça

  • Augusto Heleno – general da reserva e ex-ministro do GSI

  • Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa, autor da minuta de golpe

  • Walter Braga Netto – general, preso por obstrução de provas

  • Almir Garnier – teria mobilizado a Marinha em apoio ao plano

  • Alexandre Ramagem – deputado federal; parte da denúncia foi suspensa

Gonet afirma que houve tentativa real de ruptura

Durante a sustentação oral, o procurador-geral Paulo Gonet declarou que os réus agiram de maneira consciente para romper com a ordem democrática. Para ele, o caso envolve articulação direta, uso de cargos públicos e ataques à Justiça Eleitoral.

“Não houve improviso. Pelo contrário, foi um plano meticuloso para sabotar a democracia e usurpar o poder”, afirmou Gonet.

Ele acrescentou que o inconformismo com o resultado das urnas alimentou a retórica de desinformação, culminando em atos concretos de ameaça institucional.

Julgamento pode se tornar um marco jurídico no país

Caso as condenações sejam confirmadas, o julgamento de Bolsonaro e aliados marcará um ponto histórico. Afinal, será a primeira vez que um ex-presidente e generais de alta patente responderão judicialmente por tentativa de golpe no Brasil.

Além de responsabilizar os envolvidos, o processo reafirma o papel do STF como defensor da Constituição e da democracia. Por isso, o desfecho é aguardado com atenção pelo país e pela comunidade internacional.

Fonte: Metrópoles