Os Correios fecharam um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco grandes bancos para reforçar o caixa da empresa. A estatal enfrenta, portanto, uma das mais graves crises financeiras de sua história. O contrato foi assinado na sexta-feira (26) e publicado no Diário Oficial da União neste sábado (27).
A operação envolve Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú, Bradesco e Santander. Além disso, conta com garantia da União, o que reduz o risco para as instituições financeiras e facilita a liberação do crédito em condições mais favoráveis.
Contrato vai até 2040 e integra plano de reestruturação
O empréstimo terá validade até 2040 e faz parte do plano de reestruturação financeira dos Correios. Com a garantia federal, o governo assume o compromisso de honrar as parcelas caso a estatal não consiga cumprir os pagamentos.
Antes da assinatura, o Tesouro Nacional analisou a capacidade de pagamento da empresa e avaliou o plano de reequilíbrio apresentado pela nova gestão. Somente após esse processo, o governo autorizou a operação.
Tesouro rejeitou proposta maior por juros elevados
Inicialmente, os Correios negociavam um empréstimo de R$ 20 bilhões com um consórcio de bancos. No entanto, o Tesouro rejeitou a proposta porque a taxa de juros superava o limite permitido para operações com garantia da União.
A oferta previa juros de 20% ao ano. Contudo, o governo aceitava, no máximo, 18% ao ano. Segundo o Tesouro, o novo acordo de R$ 12 bilhões respeitou os critérios fiscais e técnicos exigidos.
Prejuízos se acumulam desde 2022
A crise financeira dos Correios se arrasta há 12 trimestres consecutivos, com prejuízos acumulados desde 2022. Somente no primeiro semestre de 2025, a estatal registrou um rombo de R$ 4,36 bilhões, o maior de sua história.
Entre os principais fatores que agravaram a situação financeira, destacam-se:
aumento expressivo das despesas com pessoal
queda no fluxo de caixa
crescimento dos gastos com precatórios
mudanças no programa Remessa Conforme, que reduziram receitas internacionais
operação deficitária de cerca de 85% das agências
Nova gestão aposta em cortes e mudanças estruturais
Para tentar reverter o cenário, a nova gestão dos Correios aprovou um plano de reestruturação. Entre as medidas, estão corte de custos, Programa de Demissão Voluntária (PDV), venda de imóveis ociosos e renegociação de contratos.
Além disso, o plano prevê redução da jornada de trabalho, mudanças nos planos de saúde, retorno ao trabalho presencial e o lançamento de um marketplace próprio. A ideia é, assim, diversificar receitas e reduzir o déficit operacional.
Governo descarta privatização dos Correios
Apesar das discussões nos bastidores sobre privatização, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não pretende vender os Correios. Segundo ele, enquanto estiver no cargo, a estatal seguirá sob controle público.
Lula avaliou que parte das dificuldades financeiras pode estar ligada a problemas de gestão. Ainda assim, defendeu ajustes administrativos e mudanças internas, mas reforçou que não haverá privatização da empresa.
Fonte: G1









