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quinta-feira, abril 16, 2026

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Em 2025, maioria das agressões contra mulheres aconteceu dentro de casa

As agressões contra mulheres continuam avançando no Brasil e os dados de 2025 mostram um retrato duro da violência: o lugar mais perigoso para muitas vítimas segue sendo a própria casa. O novo balanço do Ligue 180, divulgado pelo Ministério das Mulheres, reforça que o ambiente doméstico permanece como principal cenário das denúncias registradas no país.

Ao longo do ano, a central recebeu 1.088.900 atendimentos, quase 3 mil por dia, e contabilizou 155.111 denúncias de violência. Mais do que o volume, chama atenção a repetição dos casos: quase um terço das mulheres relatou sofrer agressões diariamente, enquanto uma parcela expressiva convive com essa situação há mais de um ano.

Ponto central da matéria

Onde as agressões contra mulheres acontecem

Residência da vítima
40,76%
É o local mais citado nas denúncias recebidas pelo Ligue 180.
Casa compartilhada
28,58%
O convívio com o suspeito reforça o peso do ambiente doméstico.
Casa do agressor
5,39%
Também aparece entre os cenários apontados nos registros.
Via pública
2,96%
Percentual bem menor do que o registrado dentro de casa.
Somados, os ambientes domésticos concentram quase 70% das denúncias, o dado mais forte do balanço.

Esse recorte torna a leitura da matéria mais clara: o problema não está disperso. As agressões contra mulheres se concentram justamente no espaço em que deveria existir proteção, privacidade e segurança. Isso ajuda a explicar por que tantas vítimas enfrentam dificuldade para pedir socorro, romper o ciclo de violência e acessar a rede de apoio.

Mulher com hematoma no rosto e mão cobrindo a boca, imagem que simboliza agressões contra mulheres e violência doméstica
Imagem simbólica retrata mulher com sinais de agressão e silêncio forçado, em referência à violência doméstica contra mulheres.

Além da localização das ocorrências, o balanço mostra crescimento do uso da central. O número total de atendimentos subiu 45% em comparação ao ano anterior, enquanto as denúncias de violência tiveram alta de 17,4%. Em média, foram 425 denúncias por dia, um volume que pressiona os canais de acolhimento e reforça a dimensão cotidiana do problema.

Escala do atendimento
1,08 milhão
Foi o total de atendimentos realizados pela central em 2025, quase 3 mil por dia.
155.111 denúncias de violência contra mulheres foram registradas.
66,3% das denúncias partiram da própria vítima.
16,9% chegaram de forma anônima, enquanto 16,8% vieram de terceiros.

Persistência transforma agressões contra mulheres em rotina

Os dados ganham ainda mais gravidade quando o foco se volta para a frequência das ocorrências. Em 31,86% das denúncias, a violência acontece todos os dias. Já em 20,91% dos registros, a vítima informou conviver com as agressões há mais de um ano. Isso mostra que as agressões contra mulheres seguem menos como episódios isolados e mais como uma rotina marcada por medo, controle e repetição.

Ritmo das agressões
31,86% ocorrem diariamente
8,10% acontecem semanalmente
1,82% foram registradas como mensais
20,91% das vítimas relataram viver essa violência há mais de um ano

O perfil das vítimas também ajuda a entender quem está mais exposta. Mulheres negras, somando pretas e pardas, concentraram mais de 43% das denúncias. A faixa de 26 a 44 anos reuniu 37,19% dos registros. Esse recorte indica que a violência atravessa a vida adulta de forma intensa e atinge com mais força grupos historicamente mais vulneráveis.

Entre os tipos de violação, a violência psicológica liderou com quase metade dos registros, seguida pela violência física. Também apareceram casos de violência patrimonial, sexual, sequestro e cárcere privado. Como uma única denúncia pode reunir mais de uma forma de abuso, o sistema registrou 679.058 violações a partir das 155,1 mil denúncias recebidas em 2025.

O balanço ainda destacou a violência vicária, quando o agressor usa filhos, parentes ou pessoas próximas para causar sofrimento psicológico à mulher. Somente em 2025, foram mais de 7 mil denúncias desse tipo. Nos primeiros meses de 2026, a participação desses casos já aumentou, o que mostra como as agressões contra mulheres também se adaptam e assumem formas mais cruéis.

Como denunciar e buscar ajuda

Canal principal
Ligue 180
Atendimento gratuito, 24 horas por dia, todos os dias da semana.
Outros caminhos
190, Disque 100, Deam e Casas da Mulher
A denúncia pode ser feita pela vítima ou por qualquer pessoa que presencie a violência.

Os números do primeiro trimestre de 2026 indicam que o problema segue pressionando a rede de proteção, com aumento nas denúncias e nos atendimentos. Por isso, acompanhar as agressões contra mulheres por meio do Ligue 180 ajuda não só a medir a dimensão do problema, mas também a orientar políticas públicas, ações preventivas e respostas mais rápidas.

No fim das contas, o balanço deixa uma mensagem difícil de ignorar: quando a casa se transforma em cenário recorrente de medo, a violência deixa de ser apenas um caso individual e passa a exigir mobilização permanente do Estado e da sociedade. Enquanto as agressões contra mulheres continuarem se repetindo no cotidiano, denunciar, acolher e interromper esse ciclo seguirá sendo uma urgência pública.

Fonte da notícia: Agência Brasil

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