As agressões contra mulheres continuam avançando no Brasil e os dados de 2025 mostram um retrato duro da violência: o lugar mais perigoso para muitas vítimas segue sendo a própria casa. O novo balanço do Ligue 180, divulgado pelo Ministério das Mulheres, reforça que o ambiente doméstico permanece como principal cenário das denúncias registradas no país.
Ao longo do ano, a central recebeu 1.088.900 atendimentos, quase 3 mil por dia, e contabilizou 155.111 denúncias de violência. Mais do que o volume, chama atenção a repetição dos casos: quase um terço das mulheres relatou sofrer agressões diariamente, enquanto uma parcela expressiva convive com essa situação há mais de um ano.
Esse recorte torna a leitura da matéria mais clara: o problema não está disperso. As agressões contra mulheres se concentram justamente no espaço em que deveria existir proteção, privacidade e segurança. Isso ajuda a explicar por que tantas vítimas enfrentam dificuldade para pedir socorro, romper o ciclo de violência e acessar a rede de apoio.

Além da localização das ocorrências, o balanço mostra crescimento do uso da central. O número total de atendimentos subiu 45% em comparação ao ano anterior, enquanto as denúncias de violência tiveram alta de 17,4%. Em média, foram 425 denúncias por dia, um volume que pressiona os canais de acolhimento e reforça a dimensão cotidiana do problema.
Persistência transforma agressões contra mulheres em rotina
Os dados ganham ainda mais gravidade quando o foco se volta para a frequência das ocorrências. Em 31,86% das denúncias, a violência acontece todos os dias. Já em 20,91% dos registros, a vítima informou conviver com as agressões há mais de um ano. Isso mostra que as agressões contra mulheres seguem menos como episódios isolados e mais como uma rotina marcada por medo, controle e repetição.
O perfil das vítimas também ajuda a entender quem está mais exposta. Mulheres negras, somando pretas e pardas, concentraram mais de 43% das denúncias. A faixa de 26 a 44 anos reuniu 37,19% dos registros. Esse recorte indica que a violência atravessa a vida adulta de forma intensa e atinge com mais força grupos historicamente mais vulneráveis.
Entre os tipos de violação, a violência psicológica liderou com quase metade dos registros, seguida pela violência física. Também apareceram casos de violência patrimonial, sexual, sequestro e cárcere privado. Como uma única denúncia pode reunir mais de uma forma de abuso, o sistema registrou 679.058 violações a partir das 155,1 mil denúncias recebidas em 2025.
O balanço ainda destacou a violência vicária, quando o agressor usa filhos, parentes ou pessoas próximas para causar sofrimento psicológico à mulher. Somente em 2025, foram mais de 7 mil denúncias desse tipo. Nos primeiros meses de 2026, a participação desses casos já aumentou, o que mostra como as agressões contra mulheres também se adaptam e assumem formas mais cruéis.
Os números do primeiro trimestre de 2026 indicam que o problema segue pressionando a rede de proteção, com aumento nas denúncias e nos atendimentos. Por isso, acompanhar as agressões contra mulheres por meio do Ligue 180 ajuda não só a medir a dimensão do problema, mas também a orientar políticas públicas, ações preventivas e respostas mais rápidas.
No fim das contas, o balanço deixa uma mensagem difícil de ignorar: quando a casa se transforma em cenário recorrente de medo, a violência deixa de ser apenas um caso individual e passa a exigir mobilização permanente do Estado e da sociedade. Enquanto as agressões contra mulheres continuarem se repetindo no cotidiano, denunciar, acolher e interromper esse ciclo seguirá sendo uma urgência pública.
Fonte da notícia: Agência Brasil


