Mercados abertos para o agro podem chegar a 700 até o fim do ano, segundo a meta confirmada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. A estratégia do governo concentra esforços em negociações com países da Ásia, da África e da América Central, num movimento que busca ampliar a presença dos produtos brasileiros no comércio internacional.
O ritmo recente reforça essa projeção. Só na primeira quinzena de abril, o Brasil avançou em acordos para fornecer 29 produtos agropecuários a nove países: Arábia Saudita, Etiópia, Vietnã, El Salvador, Azerbaijão, Jordânia, Angola, Peru e Filipinas. Com isso, o total acumulado chegou a 594 mercados abertos desde 2023, número que o governo quer elevar para a marca de 700 até o fim de 2026.
Resumo rápido
Meta de mercados abertos para o agro ganha força com novos acordos
O governo sustenta a projeção com base no desempenho recente das negociações. Desde o início do ano, o Brasil já fechou acordos com 59 novos parceiros. Segundo a pasta, o ritmo atual é quase três vezes superior ao registrado entre 2019 e 2022, quando foram conquistados 239 acessos em quatro anos. Agora, a leitura oficial é que há espaço para acelerar ainda mais esse processo.

Entre os casos mais relevantes está o Vietnã, que liberou a entrada de miúdos bovinos e suínos, como coração, fígado e rins. O governo considera essa autorização uma das vitórias mais importantes do período por envolver um mercado com capacidade de absorção e um tipo de produto de menor consumo no Brasil, mas com valor comercial no exterior.
As Filipinas também concentraram avanços importantes. O país autorizou a exportação de carne bovina resfriada, concluiu a reabertura do mercado para carne com osso e ainda reduziu em mais da metade a tarifa sobre a gordura bovina brasileira. Na prática, o pacote mistura abertura de segmento, regularização documental e ganho de competitividade tributária.
O eixo asiático aparece como peça central dessa estratégia. Além da demanda por proteína, a região oferece espaço para itens que nem sempre têm forte saída no mercado interno. Isso explica por que o governo vem tratando negociações sanitárias e tarifárias como prioridade, sobretudo em mercados que podem ampliar rapidamente o volume comprado.
Ao mesmo tempo, a meta de mercados abertos para o agro não depende apenas de anunciar novos destinos. Ela exige consolidação de acessos já conquistados, solução de pendências técnicas e presença diplomática constante. Por isso, a próxima agenda internacional da equipe inclui participação em feira de pescados em Barcelona e reuniões em Paris com organismos multilaterais e países parceiros.
Demanda externa por proteína animal, abertura para produtos de maior valor agregado e diversificação geográfica sustentam a ofensiva brasileira.
Transformar o bom momento em resultado contínuo, ampliando a presença do Brasil em mercados estratégicos e aproximando o número de 700 mercados abertos para o agro.
Se o ritmo de negociações for mantido, o governo deve encerrar o ano com novo patamar de inserção internacional para o agronegócio brasileiro. Mais do que um número simbólico, a meta funciona como indicador de competitividade, diversificação e capacidade de reação do país em mercados disputados.
Fonte da notícia: CNN Brasil

