Tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros podem chegar a 37,5% caso duas medidas propostas pelo governo americano sejam aplicadas de forma combinada, segundo avaliação de órgãos do governo brasileiro.
O tema mobilizou Itamaraty, Ministério da Fazenda e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. As tarifas dos EUA envolvem uma cobrança de 25% e uma sobretaxa adicional de 12,5%, conforme relatórios do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, conhecido pela sigla USTR.
Como a tarifa pode chegar a 37,5%
A conta apontada pelo governo considera duas frentes citadas nos relatórios americanos.
25%
Tarifa principal
Proposta sobre mercadorias brasileiras, sob alegação de práticas que afetariam o comércio com os norte-americanos.
12,5%
Sobretaxa adicional
Medida ligada à avaliação americana sobre países que teriam falhado no combate à importação de produtos feitos com trabalho forçado.
37,5%
Carga total possível
Percentual resultante caso as duas cobranças entrem em vigor juntas.
Tarifas dos EUA entram no centro da negociação brasileira
As tarifas dos EUA foram discutidas nesta quarta-feira (3) em encontro entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. A conversa ocorreu durante reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, na França.
Segundo a apuração publicada pelo G1, Greer afirmou que os Estados Unidos seguem abertos ao diálogo. Mauro Vieira, por sua vez, defendeu a intensificação das negociações diante das recomendações feitas pelo USTR.
A avaliação de integrantes da delegação brasileira é que os canais de comunicação continuam funcionando. O governo tenta tratar as tarifas dos EUA de forma separada, com o objetivo de reverter pelo menos parte da pressão tarifária.
O caminho da decisão ainda passa por diálogo diplomático
1. Relatórios americanos: o USTR apresentou frentes de investigação que atingem produtos brasileiros.
2. Reação do Brasil: órgãos do governo avaliam o alcance das medidas e tentam manter negociação direta com Washington.
3. Estratégia diplomática: a intenção brasileira é negociar as tarifas separadamente, em vez de tratar as cobranças como um pacote único.
Governo vê crise comercial, mas mantém canal aberto
O tema ganhou força dentro do governo federal e foi tratado como uma crise comercial com impacto político. Mesmo com o tom mais duro adotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, auxiliares ainda enxergam espaço para negociação.
Lula criticou o tratamento dado pelos Estados Unidos ao Brasil e afirmou que pretende enviar nova carta a Donald Trump para contestar as medidas. O presidente também defendeu a soberania brasileira e citou o PIX, sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central, como ponto de defesa do governo.
As tarifas dos EUA aparecem em um contexto de tensão comercial entre os dois países. Ainda assim, a informação central é que as medidas não foram tratadas como uma decisão sem volta pelo lado brasileiro.
O que está em jogo na conversa entre Brasil e EUA
| Produtos brasileiros | Podem ser atingidos pela tarifa principal de 25%, se a proposta americana avançar. |
| Sobretaxa adicional | Pode acrescentar 12,5% à cobrança, conforme a segunda linha de avaliação citada na matéria. |
| Negociação | Brasil tenta manter o diálogo ativo para reduzir ou reverter parte das medidas. |
Tarifas dos EUA podem ser negociadas separadamente
A estratégia brasileira, segundo interlocutores ouvidos pelo G1, é negociar as tarifas dos EUA de forma separada. A ideia é tentar reverter as duas medidas ou, ao menos, impedir que ambas avancem juntas.
O prazo de negociação sobre as tarifas dos EUA permanece dentro do período de 30 dias acertado pelos presidentes Lula e Donald Trump em encontro realizado em Washington. Esse ponto é importante porque mostra que o governo brasileiro ainda trabalha com uma janela diplomática aberta.
Na reunião ministerial, Lula também indicou que o Brasil pode buscar outros parceiros comerciais se as conversas não avançarem. A fala reforçou o tom político da reação, mas a condução diplomática segue concentrada na tentativa de negociação.
A consequência imediata é política e diplomática
O efeito direto, neste momento, é a pressão sobre o governo brasileiro para responder às recomendações americanas sem fechar o canal de negociação.
Alerta no governo: Itamaraty, Fazenda e MDIC acompanham a possível soma das cobranças.
Resposta política: Lula elevou o tom e disse que pretende contestar as tarifas em carta a Trump.
Caminho aberto: auxiliares ainda avaliam que há margem para rever as medidas antes de uma aplicação definitiva.
As tarifas dos EUA, portanto, ainda dependem do desdobramento das negociações. O governo brasileiro tenta evitar que a combinação das duas cobranças leve a uma carga de 37,5% sobre produtos nacionais.
Enquanto isso, o caso mantém as tarifas dos EUA no centro da agenda política e econômica. A posição oficial é manter o diálogo, contestar os argumentos americanos e buscar uma saída que reduza o impacto sobre o comércio entre Brasil e Estados Unidos.

