A renda média das famílias brasileiras chegou a R$ 2.264 por pessoa em 2025, segundo dados da Pnad divulgados pelo IBGE. O valor representa uma alta real de 6,9% em relação a 2024, já descontada a inflação, e marca o maior patamar registrado desde o início da série histórica, em 2012.
O levantamento também mostra que o rendimento dos domicílios subiu pelo quarto ano consecutivo. Apesar do avanço nacional, os dados revelam diferenças importantes entre regiões e unidades da Federação, com maior renda no Distrito Federal, no Sul e no Sudeste, enquanto Norte e Nordeste seguem com os menores valores médios.
O tamanho do recorde em 2025
Os principais números da Pnad mostram crescimento do rendimento domiciliar por pessoa e retomada consistente após os anos de queda.
Renda média das famílias tem maior valor desde 2012
A renda média das famílias alcançou o maior nível da série da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. De acordo com os dados, o rendimento médio mensal por pessoa era de R$ 1.904 em 2019, antes da pandemia. Depois, caiu para R$ 1.820 em 2020 e chegou a R$ 1.692 em 2021.

A recuperação começou nos anos seguintes. Em 2022, o valor subiu para R$ 1.809. Em 2023, passou para R$ 2.018. Já em 2024, chegou a R$ 2.118. O resultado de 2025, com R$ 2.264, consolidou o maior rendimento já apurado pela pesquisa.
Para chegar ao cálculo, o IBGE soma todos os rendimentos recebidos pelos moradores de um domicílio e divide o total pelo número de pessoas da família. Entram nessa conta salários, bônus, aposentadorias, pensões, benefícios sociais, bolsa de estudo, seguro-desemprego, aluguel e aplicações financeiras.
O rendimento vem da soma de várias fontes
Renda média das famílias teve impulso do trabalho
Segundo a pesquisa, 75,1% do rendimento médio mensal vêm do trabalho. As chamadas outras fontes respondem por 24,9%. O analista do IBGE, Gustavo Geaquinto Fontes, destacou que o rendimento do trabalho teve peso muito grande no aumento observado em 2025.
O levantamento também relaciona o avanço ao cenário de níveis mínimos de desemprego no ano anterior e aos reajustes anuais do salário-mínimo. Assim, a renda média das famílias refletiu tanto o comportamento do mercado de trabalho quanto a composição de outras fontes de rendimento.
Entre os rendimentos que não vêm diretamente do trabalho, a maior parcela corresponde a aposentadorias e pensões, com 16,4%. Em seguida aparecem os programas sociais, com 3,5%, aluguel e arrendamento, com 2,1%, outros rendimentos, com 2%, e pensão alimentícia, doação e mesada de não morador, com 0,9%.
Onde o rendimento é maior e onde é menor
Regiões mostram realidades diferentes
O retrato regional ajuda a explicar por que a renda média das famílias não se distribui da mesma forma pelo país. O Distrito Federal lidera o ranking do rendimento domiciliar per capita, seguido por estados do Sul e do Sudeste. Já entre os menores valores aparecem Ceará, Acre e Maranhão.
Quando o recorte é por região, o maior rendimento médio está no Sul, com R$ 2.734. Depois aparecem Centro-Oeste, com R$ 2.712, e Sudeste, com R$ 2.669. O Norte, região de interesse direto para Rondônia, aparece com R$ 1.558, acima apenas do Nordeste.

No Nordeste, a composição do rendimento tem uma característica específica. A parcela que vem do trabalho é de 67,4%, abaixo da média nacional. Já as outras fontes respondem por 32,6% do orçamento das famílias. Aposentadorias, pensões e programas sociais têm peso maior na região.
Na média do país, aposentadorias e pensões representam 16,4% do rendimento. No Nordeste, essa proporção sobe para 20,4%. Quando a origem é programa social do governo, a participação nordestina chega a 8,8%, a maior entre as regiões.
Recorde de renda convive com desigualdade
Renda individual também teve recorde
A Pnad também detalhou a renda individual dos brasileiros. Em 2025, o país tinha 212,7 milhões de pessoas, das quais 143 milhões possuíam algum tipo de rendimento. Isso representa 67,2% da população e supera o recorde anterior, registrado em 2024.
A parcela de brasileiros com rendimento do trabalho chegou a 47,8% da população. Já o grupo que recebia alguma outra fonte alcançou 27,1%. As duas marcas também são recordes na série histórica.
Entre as outras fontes, aposentadoria e pensão previdenciária aparecem como a origem mais comum, alcançando 13,8% da população. O IBGE relaciona esse avanço ao envelhecimento populacional. Já os brasileiros que recebiam programa social do governo, como o Bolsa Família, eram 9,1%, leve queda diante de 2024, mas ainda acima do nível pré-pandemia.
O rendimento médio mensal do trabalho ficou em R$ 3.560 em 2025, alta real de 5,7% em comparação com 2024. Considerando todos os tipos de rendimento, a média mensal chegou a R$ 3.367, expansão de 5,4% no mesmo período.
Mesmo com o recorde da renda média das famílias, a pesquisa também aponta desigualdade. Os 10% mais ricos tinham rendimento 13,8 vezes maior que os 40% mais pobres. Além disso, 22,7% das famílias brasileiras, o equivalente a 18 milhões de domicílios, recebiam algum benefício social do governo em 2025.
O conjunto dos dados mostra que a renda média das famílias teve avanço importante em 2025, puxada principalmente pelo trabalho e pela ampliação do número de pessoas com renda. Ao mesmo tempo, o levantamento reforça que a melhora média não elimina as diferenças entre regiões, grupos sociais e fontes de rendimento no Brasil.
Fonte da notícia: Agência Brasil

