A nutrição no câncer é o tema deste episódio do PrevCast, que aborda alimentação saudável, obesidade, ultraprocessados, suplementos, mitos da internet e cuidado nutricional durante o tratamento oncológico. O programa mostra que comer bem não deve ser tratado como fórmula milagrosa, mas como parte de uma estratégia de prevenção, suporte e recuperação.
Embora o episódio tenha abrangência nacional, o assunto também tem importância para Rondônia e para a Região Norte. Em Porto Velho, a presença do Hospital de Amor Amazônia, também conhecido como HC do Amor Amazônia, aproxima pacientes, famílias e profissionais de debates sobre prevenção, diagnóstico, tratamento, qualidade de vida e informação segura sobre câncer.
Participam da conversa o host e médico ginecologista do Hospital de Amor, Dr. Júlio Possati, o médico intensivista e nutrólogo hospitalar Dr. Luís Henrique Covello, e a nutricionista clínica Tatiane Garcia. A discussão percorre desde os fatores de risco ligados aos hábitos alimentares até os desafios enfrentados por pacientes durante o tratamento.
Entenda como alimentação, atividade física e acompanhamento profissional entram no cuidado oncológico.
Nutrição no câncer começa antes do diagnóstico
O episódio começa lembrando que, quando o assunto é câncer, a alimentação sempre entra em cena. Manter uma rotina saudável, porém, não é simples. A correria, o custo dos alimentos, o consumo de produtos prontos e a desinformação tornam esse cuidado um desafio diário.
O Dr. Luís Henrique Covello explica que sobrepeso e obesidade precisam entrar na conversa sobre prevenção. Segundo o especialista, o excesso de gordura corporal está relacionado a um ambiente de inflamação crônica e a alterações metabólicas que podem aumentar riscos à saúde.
No programa, a nutrição no câncer é apresentada de forma ampla: não se trata apenas de emagrecimento ou ganho de peso, mas de composição corporal, massa muscular, qualidade da alimentação, prática de atividade física e acompanhamento individualizado.
Obesidade e sobrepeso exigem atenção preventiva
A conversa destaca que a obesidade está associada a diferentes tipos de câncer, especialmente tumores gastrointestinais, ginecológicos e de mama. O sobrepeso também merece atenção quando aparece junto a fatores como hipertensão, diabetes, colesterol alto ou aumento da circunferência abdominal.
Tatiane Garcia reforça que a avaliação nutricional não deve se limitar ao peso na balança. Índice de massa corporal, circunferências, histórico alimentar, prática de atividade física e massa muscular ajudam a entender melhor a condição de cada paciente.
Os especialistas explicam por que peso, inflamação e massa muscular também entram na prevenção.
Ultraprocessados são apontados como vilões
Ao falar de alimentação e prevenção, o PrevCast chama atenção para os alimentos ultraprocessados. Embutidos, salsicha, mortadela, presunto, linguiça, macarrão instantâneo e produtos prontos aparecem como exemplos de itens que devem ser reduzidos na rotina.
O episódio cita a preocupação com carnes processadas e alimentos ricos em conservantes, sódio, açúcar e aditivos. A orientação acompanha o caminho do Guia Alimentar para a População Brasileira, que recomenda priorizar alimentos in natura ou minimamente processados.
Dentro da nutrição no câncer, a recomendação não é criar medo em torno da comida, mas melhorar escolhas cotidianas. Arroz, feijão, legumes, verduras, frutas, ovos, leite, proteínas magras, mandioca, batata e preparações caseiras aparecem como base mais segura e acessível.
Veja por que produtos prontos, embutidos e carnes processadas exigem atenção no prato.
Açúcar não deve ser tratado como explicação simples
O programa também aborda um mito comum: a ideia de que o açúcar “alimenta” diretamente o câncer. O Dr. Luís explica que o excesso deve ser evitado dentro de uma alimentação equilibrada, mas que a explicação não deve ser simplificada de forma alarmista.
A orientação é reduzir excesso de açúcar, observar rótulos e entender que muitos produtos aparentemente inofensivos escondem grandes quantidades de açúcar, gordura, sódio e aditivos. A leitura de embalagens é citada como uma atitude importante na hora da compra.
Suplementos exigem indicação profissional
Outro ponto importante do episódio é o crescimento do consumo de vitaminas, polivitamínicos e suplementos. Os especialistas alertam que a suplementação deve ser indicada quando há necessidade real, identificada por avaliação clínica, exames e acompanhamento profissional.
A nutrição no câncer não deve ser guiada por promessas de internet. O uso inadequado de suplementos pode gerar gastos desnecessários e, em alguns casos, atrapalhar a organização do cuidado. A prioridade deve ser corrigir a base da alimentação e avaliar cada caso com profissionais qualificados.
Entenda por que vitaminas e suplementos não devem ser usados sem avaliação adequada.
Tratamento oncológico pede cuidado individualizado
Quando o paciente já tem diagnóstico, a avaliação nutricional ganha ainda mais importância. Tatiane explica que é necessário observar ingestão alimentar, tolerância, calorias, proteínas, vitaminas, minerais e possíveis limitações provocadas pelo próprio tratamento.
Perda de apetite, alteração de paladar, náuseas e vômitos são queixas frequentes. Entre as estratégias citadas estão fracionar refeições, usar alimentos mais palatáveis, ajustar texturas, considerar utensílios de plástico quando há gosto metálico e buscar alternativas para melhorar a aceitação alimentar.
Para pacientes de Rondônia e de outras áreas da Amazônia, esse debate também ajuda familiares a compreender que a alimentação durante o tratamento precisa respeitar realidade social, acesso a alimentos, deslocamentos, renda e orientação da equipe de saúde. A nutrição no câncer deve ser possível, segura e adaptada ao contexto de cada pessoa.
Os convidados explicam como o suporte nutricional muda conforme a fase do tratamento.
Atividade física também faz parte do cuidado
Os especialistas reforçam que nutrição e exercício físico caminham juntos. A massa muscular ajuda o paciente a enfrentar melhor procedimentos, cirurgias, quimioterapia, internações e recuperação. Por isso, quando possível e indicado, atividade física deve fazer parte da estratégia de cuidado.
No ambiente hospitalar, o episódio mostra que a equipe multiprofissional é essencial. Nutricionistas, médicos, fonoaudiólogos, psicólogos e outros profissionais podem atuar em conjunto para preservar força, funcionalidade, sono, bem-estar e qualidade de vida.
Mitos alimentares podem prejudicar o tratamento
Na parte final, o PrevCast alerta para receitas milagrosas, chás, sucos, dietas extremas e informações sem base segura. Os convidados explicam que alguns produtos naturais podem até parecer inofensivos, mas a dose, a composição e a interação com medicamentos precisam ser consideradas.
A nutrição no câncer deve ser conduzida com cuidado porque o paciente em tratamento pode estar vulnerável a promessas falsas. A recomendação é buscar fontes confiáveis, conversar com a equipe de saúde e não substituir orientações profissionais por dicas de redes sociais.
Veja por que soluções milagrosas podem atrapalhar o cuidado oncológico.
Prato colorido e comida de verdade são a base
Como mensagem final, Tatiane Garcia destaca a importância de escolhas simples e sustentáveis ao longo da vida. Arroz, feijão, proteína magra, verduras, legumes, frutas e preparações caseiras formam uma base mais equilibrada do que dietas radicais ou promessas prontas.
Dr. Luís Covello resume a orientação com uma frase conhecida: quanto mais colorido o prato, melhor. A diversidade de alimentos ajuda a ampliar fibras, vitaminas e nutrientes importantes para a saúde.
A nutrição no câncer, segundo o episódio, precisa ser vista como parte do cuidado integral: prevenção antes do diagnóstico, suporte durante o tratamento e reabilitação depois. Para o leitor de Rondônia, a mensagem é prática: informação segura, acompanhamento profissional e hábitos possíveis podem fazer diferença na qualidade de vida de pacientes e famílias.
Fonte da notícia:
PrevCast no YouTube.



