Mensalidades escolares e inflação marcaram o início de fevereiro, após o IPCA-15 subir 0,84%, segundo dados divulgados pelo IBGE. A alta foi puxada principalmente pelos reajustes na educação no começo do ano letivo.
Além disso, foi a maior variação para um mês de fevereiro desde 2025. No acumulado de 2026, o índice registra avanço de 1,04%. Já em 12 meses, a inflação soma 4,10%, abaixo dos 4,50% observados no período anterior.
Educação lidera alta da inflação em fevereiro
O principal impacto do mês veio do grupo Educação, que avançou 5,20%. Como ocorre tradicionalmente no início do ano letivo, as mensalidades escolares pressionaram os preços.
Entre os maiores reajustes estão:
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Ensino médio: 8,19%
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Ensino fundamental: 8,07%
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Pré-escola: 7,49%
Consequentemente, o grupo respondeu por 0,32 ponto percentual do índice total, tornando-se o maior responsável pela alta de fevereiro.
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Transportes também pressionam índice
O grupo Transportes registrou alta de 1,72% e teve o segundo maior impacto no mês. As passagens aéreas dispararam 11,64%, enquanto os combustíveis subiram, em média, 1,38%.
O etanol avançou 2,51%, a gasolina 1,30% e o diesel 0,44%. Por outro lado, o gás veicular caiu 1,06%. Também houve reajustes nas tarifas de metrô, ônibus e trem em capitais como São Paulo, Brasília, Salvador e Rio de Janeiro.
Alimentação tem alta moderada, mas há quedas importantes
O grupo Alimentação e bebidas subiu 0,20%. Os alimentos consumidos em casa avançaram 0,09%, com destaque para o tomate, que disparou 10,09%, e as carnes, que subiram 0,76%.
Entretanto, alguns itens ficaram mais baratos. O arroz recuou 2,47%, o frango em pedaços caiu 1,55% e as frutas tiveram queda de 1,33%.
Além disso, a alimentação fora do domicílio subiu 0,46%, com aumento das refeições e lanches.
Energia elétrica ajuda a conter pressão
O grupo Habitação registrou leve alta de 0,06%, influenciado pelo aumento da água e esgoto (1,97%) e do aluguel residencial (0,32%).
Por outro lado, a energia elétrica caiu 1,37%, ajudando a conter o avanço maior da inflação. A bandeira tarifária permaneceu verde no período, sem cobrança adicional.
Saúde sobe e reforça pressão no orçamento
O grupo Saúde e cuidados pessoais avançou 0,67%. Produtos de higiene pessoal subiram 0,91%, enquanto os planos de saúde tiveram alta de 0,49%.
Dessa forma, o consumidor segue sentindo pressão em áreas essenciais do orçamento familiar.
Inflação acima do esperado e impacto nos juros
Apesar de o índice ter vindo acima das previsões, economistas avaliam que parte da alta tem caráter sazonal, especialmente devido ao reajuste das mensalidades escolares.
Mesmo assim, analistas observam que o cenário geral aponta para desaceleração gradual da inflação ao longo do ano. A expectativa do mercado é que o Banco Central inicie o ciclo de cortes na taxa básica de juros já em março.
Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. A previsão é de uma redução inicial de 0,25 ponto percentual.
O que isso significa para o consumidor
O resultado do IPCA-15 indica que o início de 2026 começou com pressão concentrada em educação e transportes. Contudo, a desaceleração no acumulado de 12 meses sinaliza cenário mais controlado em comparação ao ano anterior.
Ainda assim, famílias com filhos em idade escolar sentiram impacto direto no orçamento. Por outro lado, a possível queda dos juros pode aliviar o custo do crédito nos próximos meses.
O comportamento da inflação em março será decisivo para confirmar a tendência de desaceleração e definir os próximos passos da política monetária.
Fonte: G1









