Moradia digna em Rondônia não depende apenas da entrega de uma casa. Aluguel que caiba no bolso, transporte, escola, saúde, saneamento e emprego por perto também fazem parte desse direito.
Esse é o centro do segundo episódio da série “Ocupação Urbana”, do programa PontoDeVista. Mariana Monteiro conversa com João Sette Whitaker Ferreira, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo.
A entrevista tem abordagem nacional, mas ajuda a olhar para Porto Velho e os municípios do interior. A moradia digna em Rondônia precisa ser avaliada pela vida que a família consegue construir depois de receber as chaves.
O professor explica como aluguel, localização, imóveis vazios, locação social e programas habitacionais mexem com a vida das famílias.
Moradia digna em Rondônia vai além da chave
A Constituição reconhece a moradia como um direito social. O problema é que, na vida real, a casa também é uma mercadoria cara, sujeita ao preço do terreno, da construção e do aluguel.
João Sette explica que uma família não mora apenas dentro de quatro paredes. Para existir moradia digna em Rondônia, é preciso ter acesso a trabalho, escola, posto de saúde, comércio, transporte e espaços públicos.
Quando a residência fica longe de tudo, o custo aparece no combustível, na passagem, no tempo perdido no deslocamento e na dificuldade para conseguir atendimento.
O entrevistado explica que ter onde dormir é o primeiro passo para viver plenamente em sociedade.
Aluguel alto pode tirar a casa de quem trabalha
O déficit habitacional não envolve apenas quem vive nas ruas ou em uma construção precária. Ele também alcança famílias que dividem o mesmo imóvel por falta de opção e pessoas que gastam uma parte muito alta da renda com aluguel.
Isso afeta a moradia digna em Rondônia porque o pagamento da casa disputa espaço no orçamento com comida, energia, transporte, remédios e material escolar.
Uma família pode ter endereço fixo e ainda viver sob o medo de precisar sair no mês seguinte porque a conta não fecha.
Aluguel: ocupa dinheiro necessário para outras despesas básicas.
Transporte: morar longe aumenta o gasto para trabalhar e estudar.
Instabilidade: qualquer perda de renda pode obrigar a família a mudar.
João Sette mostra por que o problema da casa também está ligado à renda das famílias.
Moradia digna em Rondônia depende do bairro ao redor
O Plano Diretor de Porto Velho orienta o crescimento e o uso do território municipal. A discussão envolve moradia, saneamento, mobilidade, preservação ambiental e definição das áreas que devem receber investimentos públicos.
No estado, o Plano de Habitação Habita+ cita acesso à moradia adequada, redução do déficit habitacional, integração urbana e regularização fundiária entre seus objetivos.
A moradia digna em Rondônia precisa, portanto, ser avaliada pelo conjunto: qualidade da casa, segurança do terreno, transporte disponível, saneamento, drenagem e distância até os serviços.
O que observar antes e depois da entrega
Localização: distância de escola, saúde, trabalho e comércio.
Infraestrutura: água, esgoto, drenagem, iluminação e transporte.
Manutenção: condições do bairro após a entrega das unidades.
Casa longe dos serviços pode criar outro problema
O entrevistado reconhece a importância de programas de grande escala, como o Minha Casa, Minha Vida. Eles são necessários para atender famílias que não conseguiriam comprar uma residência pelo mercado comum.
O risco aparece quando conjuntos muito grandes são construídos em terrenos baratos e distantes. No estado, a moradia digna em Rondônia perde força quando a unidade chega antes da escola, do posto de saúde, do ônibus, da pavimentação ou do comércio.
João Sette também defende investimentos na melhoria de casas e bairros que já existem. Trocar telhado, corrigir problemas estruturais, fazer saneamento e melhorar as ruas pode transformar a vida de famílias sem exigir mudança para outro lugar.
O professor explica por que quantidade, velocidade, preço e qualidade precisam ser equilibrados.
Morar perto reduz gasto, tempo e cansaço
Na parte final, o episódio apresenta a ideia de bairros onde mercado, escola, praça, transporte, saúde e trabalho estejam mais próximos. Isso diminui a dependência do carro e melhora a rotina.
A moradia digna em Rondônia também depende desse planejamento. Em Porto Velho e no interior, a expansão para áreas afastadas pode aumentar o custo para levar infraestrutura e obrigar moradores a fazer trajetos maiores.
O desafio é melhorar os bairros sem expulsar quem já vive neles. Obras e valorização precisam vir acompanhadas de medidas que permitam a permanência de moradores antigos e pequenos comerciantes.
A conversa relaciona transporte, comércio local, áreas verdes, caminhada, bicicleta e proteção contra a gentrificação.
Porto Velho: consulte o Plano Diretor Participativo.
Rondônia: veja os objetivos do Plano de Habitação Habita+.
Municípios: acompanhe cadastros, critérios, audiências e projetos pelos canais oficiais.
O episódio mostra que a moradia digna em Rondônia não pode ser medida apenas pelo número de casas entregues. É preciso observar localização, aluguel, infraestrutura, transporte e continuidade das políticas.
O programa completo está disponível no canal da Câmara dos Deputados no YouTube.



