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Porto Velho prevê até R$ 400 mil para retomar cadeia da borracha

A borracha em Porto Velho é tema de um chamamento público que prevê até R$ 400 mil para apoiar a retomada da produção sustentável de látex. Publicado em 13 de outubro de 2026, o Edital nº 04/2026, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMA), busca selecionar uma organização da sociedade civil (OSC) para executar o projeto. O edital não comprova que a entidade já foi escolhida ou que as atividades começaram.

A proposta municipal envolve capacitação de até 60 famílias extrativistas, assistência técnica, equipamentos de sangria e organização da cadeia produtiva em quatro unidades de conservação citadas no documento. O valor previsto é o teto da futura parceria, e não dinheiro a ser pago diretamente às famílias. Também não há, nesta fase, cadastro de moradores aberto por meio do edital.

Borracha em Porto Velho: o que a parceria pretende desenvolver

O projeto Retomada da Cadeia Produtiva da Borracha em Porto Velho foi apresentado pela SEMA para articular produção, renda e conservação florestal. O chamamento pretende escolher uma entidade sem fins lucrativos para firmar um Termo de Colaboração com o município. A organização selecionada ficaria responsável por executar um plano de trabalho aprovado e prestar contas dos recursos recebidos.

O Termo de Referência descreve atividades como mobilização comunitária, fornecimento de kits para sangria da seringueira, orientação sobre beneficiamento do látex, assistência técnica continuada e fortalecimento das organizações locais. Entre os produtos esperados estão quatro oficinas de capacitação e relatórios de acompanhamento. São ações previstas, não entregas já realizadas.

Até 60 famílias em quatro áreas previstas no edital

O documento estabelece como público potencial até 60 famílias extrativistas residentes nas unidades de conservação nele relacionadas: Reserva Extrativista Lago do Cuniã, Reserva Extrativista Jaci-Paraná, Reserva de Desenvolvimento Sustentável Bom Jardim e Reserva de Desenvolvimento Sustentável Rio Machado. Essas são as denominações usadas no edital, sem que a reportagem atribua nova competência administrativa ou altere os limites dos territórios.

Segundo o Termo de Referência, um eventual cadastro socioeconômico das famílias ocorreria na etapa de execução, após os procedimentos de seleção e formalização da parceria. O atendimento dependerá dos critérios previstos no plano aprovado e das articulações locais. Por isso, a abertura do chamamento para OSCs não é uma convocação para que famílias solicitem kits ou benefícios agora.

Imagem panorâmica ilustrativa de látex escorrendo de seringueira para tigela, com trabalhador ao fundo e assinatura TVdoPOVO.
Faixa ilustrativa sobre o extrativismo da borracha; não documenta execução do projeto em Porto Velho. Crédito: TVdoPOVO, imagem gerada por IA.

Como foi estimado o orçamento máximo de R$ 400 mil

A planilha do Termo de Referência distribui o limite de R$ 400 mil em três grupos de despesas. A maior parcela é destinada a recursos humanos, incluindo coordenação, profissionais de campo, consultoria, encargos e deslocamentos. Os demais valores cobrem equipamentos, insumos, oficinas e operação do projeto.

O desembolso dependerá de parceria efetivamente celebrada e de cronograma financeiro aprovado. O edital prevê 12 meses de vigência e execução contados da assinatura do Termo de Colaboração, com possibilidade de prorrogação na forma das regras aplicáveis. O documento não permite afirmar que todo o valor já foi gasto ou que uma organização já recebeu os recursos.

O que falta para a produção chegar às comunidades

A retomada da cadeia da borracha ainda depende de etapas concretas: análise das propostas de OSCs, definição da organização selecionada, formalização da parceria, aprovação do plano de trabalho e início da execução. Antes de qualquer atividade de campo em uma unidade de conservação, o edital exige a anuência ou autorização do órgão gestor ou entidade competente, conforme o território. Essa autorização para atuação local não é tratada no documento como requisito de habilitação da OSC.

Outra atividade prevista é a produção de estudo técnico-jurídico e minuta de projeto de lei para um possível subsídio municipal à borracha. A previsão do estudo não significa que o subsídio já tenha sido criado, aprovado pela Câmara ou esteja disponível aos produtores. Seus efeitos dependeriam de decisões e atos futuros.

Se a parceria sair do papel, a combinação de orientação técnica, equipamentos e organização comunitária poderá apoiar a produção de látex e a busca por renda. Ainda não é possível apresentar número de famílias efetivamente beneficiadas, aumento comprovado da produção ou data de entrega de kits.

Edital apresenta divergências que precisam ser esclarecidas

Embora o cronograma publicado indique recebimento de propostas entre 23 de outubro e 12 de novembro de 2026, há diferenças dentro do próprio documento que impedem tratar todas as orientações como definitivamente esclarecidas. No item 7.1, a experiência relacionada às atividades exigida das OSCs é de no mínimo um ano; já o item 11.5, XVII, usa a expressão experiência superior a um ano.

Também aparecem dois intervalos distintos para recursos administrativos: o item 17.1 registra 16 a 20 de novembro, enquanto o quadro do item 28 aponta 18 a 23 de novembro. O mesmo quadro traz o ano grafado como “20206” em datas de novembro. A redação não substitui essas informações por suposições: cabe à SEMA esclarecer o texto ou publicar eventual retificação.

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