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segunda-feira, novembro 2, 2026

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Farinha em Rondônia: o desafio de transformar mandioca em renda

Farinha em Rondônia é um desafio que começa antes da embalagem: o estado colhe mandioca destinada a diferentes usos, mas nem toda raiz produzida é adequada ou está disponível, em condições economicamente viáveis, para a fabricação de farinha. A escolha das variedades, o beneficiamento e a distribuição influenciam a chegada do produto ao mercado. Um estudo da Embrapa registrou a presença histórica da farinha de Cruzeiro do Sul, no Acre, entre distribuidores rondonienses.

A discussão ganhou um exemplo recente em Porto Velho. Em notícia publicada em 1º de novembro de 2026, a Prefeitura informou que a Associação Abraça, na estrada do Belmont, recebeu orientação da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric) para preparar uma farinheira comunitária e avançar nas exigências de regularização. A unidade está em estruturação, não em operação comercial comprovada.

Página de culinária e receitas do AgoraRO

Quanto de mandioca é produzido em Rondônia

Segundo a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) de 2024, Rondônia produziu 361.016 toneladas de raízes de mandioca. Desse volume, 169.906 toneladas foram registradas em Porto Velho, aproximadamente 47,1% da produção estadual. Esses totais não discriminam quanto foi destinado ao consumo de mesa ou à fabricação de farinha e não representam oferta de matéria-prima disponível às farinheiras.

A mandioca de mesa, também chamada de aipim ou macaxeira, reúne variedades com baixo potencial cianogênico e boas características de cozimento. Para produzir farinha e fécula, a escolha também considera o teor de amido e o rendimento das raízes. Variedades mansas e bravas podem ser utilizadas no processamento; as bravas exigem tratamento adequado para reduzir os compostos que liberam ácido cianídrico. Para que a farinha em Rondônia chegue ao consumidor, a escolha da matéria-prima deve caminhar com o beneficiamento, o armazenamento e a comercialização.

Por que a farinha do Acre ganhou mercado

Na pesquisa A cadeia agroindustrial da mandioca em Rondônia, publicada em 2009 com dados comerciais de 2007, a Embrapa e instituições parceiras identificaram a aquisição de 41.400 sacas de 50 quilos de farinha seca de Cruzeiro do Sul por oito distribuidoras pesquisadas, totalizando 2.070 toneladas.

Os entrevistados apontavam qualidade percebida, regularidade de fornecimento e preço como motivos da compra no Acre à época. O levantamento também diferenciava a farinha seca da farinha d’água consumida na região. Esses números descrevem a amostra histórica; não permitem calcular a participação atual da farinha acreana no mercado de Rondônia.

O que o estudo permite concluir

Havia um fluxo comercial importante de farinha acreana entre os distribuidores entrevistados em 2007. A pesquisa não é um retrato das vendas, marcas ou preços de 2026.

Farinha em Rondônia: qualidade no beneficiamento

Para competir em diferentes canais de venda, não basta colher mais mandioca. A variedade cultivada, o teor de matéria seca, a forma de processamento, a higiene, a classificação e a apresentação do produto influenciam a qualidade e a regularidade da farinha. As exigências técnicas e de rotulagem também fazem parte do caminho até o consumidor.

Ilustração sobre farinha em Rondônia, com equipamento azul e raízes de mandioca cortadas.
O beneficiamento da mandioca é representado nesta arte ilustrativa. Composição editorial com IA / TVdoPOVO.

Farinheira no Belmont ainda busca regularização

Na estrada do Belmont, a Associação Abraça busca justamente organizar a etapa de transformação. Conforme o comunicado municipal de 1º de novembro, a visita da Semagric orientou os responsáveis sobre estrutura física, procedimentos de produção e exigências para a futura regularização da farinheira comunitária.

O projeto pretende reunir agricultores que cultivam mandioca e agregar valor à raiz. Para a produção de farinha em Rondônia, essa organização coletiva pode facilitar o acesso à estrutura e à orientação técnica. Segundo a Prefeitura, a associação espera alcançar mercados como supermercados e alimentação escolar depois das adequações necessárias. Não foram divulgados volume de farinha produzido, capacidade da unidade, licença já concedida nem contratos de fornecimento.

Faixa ilustrativa com grupo de pessoas em instalação rural, farinha e raízes de mandioca.
A visita técnica aborda os próximos passos para regularizar a unidade. Composição editorial com IA / TVdoPOVO.

Como chegar ao varejo e à alimentação escolar

A venda de farinha em Rondônia depende de condições de produção, classificação, adequações sanitárias aplicáveis ao produto vegetal, embalagem, logística e negociação com compradores. Para associações e famílias produtoras, consolidar esses passos pode abrir oportunidades, mas não assegura vendas antes de a unidade estar apta e encontrar demanda.

Na alimentação escolar, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) informa que pelo menos 45% dos recursos federais do PNAE devem ser destinados à compra direta da agricultura familiar, em processo de chamada pública e conforme os requisitos do programa. A regra oferece um canal possível a fornecedores habilitados, não uma contratação automática da associação.

O desafio da farinha em Rondônia, portanto, envolve conectar a força da lavoura ao processamento adequado e à circulação do produto. A iniciativa de Porto Velho ainda está na fase de preparação; seu resultado dependerá das adequações, da regularização e da capacidade real de comercialização.

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Fontes

• Prefeitura de Porto Velho — orientação à Associação Abraça (01/11/2026)

• Embrapa — A cadeia agroindustrial da mandioca em Rondônia (2009; dados de 2007)

• Embrapa — Cultivares de mandioca de mesa e para processamento

• Embrapa Ater+ Digital — Cultivares de mandioca

• FNDE — Agricultura familiar no PNAE (regras vigentes)

• IBGE — Pesquisa Agrícola Municipal, produção agropecuária

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