O Cemitério da Candelária, em Porto Velho, teve túmulos violados e estruturas danificadas, conforme informou a Prefeitura na terça-feira (3). A administração municipal identificou lápides removidas e pontos com sinais de escavação, em uma área ligada à história da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.
A Prefeitura informou que registrou boletim de ocorrência, iniciou providências para apuração e comunicou a situação ao Ministério Público de Rondônia (MPRO), ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e à Polícia Federal. Até a divulgação da nota, não havia sido informada a quantidade de túmulos atingidos nem identificados os responsáveis ou a motivação.
O que foi encontrado no cemitério
No Cemitério da Candelária, o relato oficial descreve a retirada de lápides e indícios de movimentação de terra, sem detalhar quantas sepulturas apresentaram danos. A identificação desses vestígios motivou o registro da ocorrência. Não há, na nota, confirmação de retirada de objetos, indicação de suspeitos ou explicação para o episódio.
Por se tratar de um espaço de memória, os danos não se limitam ao aspecto físico. As lápides e os elementos funerários ajudam a preservar referências de pessoas ligadas aos primeiros anos de formação de Porto Velho. A extensão do prejuízo ainda depende de avaliação específica.
Ocorrência é comunicada aos órgãos responsáveis
Segundo a Prefeitura, o caso foi formalizado em boletim de ocorrência e comunicado ao MPRO, ao Iphan e à Polícia Federal. A nota também afirma que começaram as investigações para identificar os responsáveis. Essa comunicação não significa, por si só, conclusão das apurações ou confirmação de que todos os órgãos tenham adotado medidas específicas.
O comunicado não apresenta número do boletim de ocorrência, possível enquadramento penal ou prazo para conclusão da investigação. A identificação da autoria e das circunstâncias dependerá do trabalho das autoridades competentes.

Cemitério preserva a memória da Madeira-Mamoré
O Cemitério da Candelária remonta, segundo a Prefeitura, ao período da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, por volta de 1908. O local reúne registros da presença de trabalhadores e de outros personagens ligados à história da ferrovia e ao crescimento da capital rondoniense.
A preservação de seus túmulos ajuda a manter referências históricas que não podem ser substituídas apenas por relatos escritos. Danos a estruturas antigas exigem atenção tanto pela memória das pessoas sepultadas quanto pela necessidade de proteger elementos associados ao patrimônio cultural de Porto Velho.
Em declaração divulgada pela Prefeitura, o prefeito Léo Moraes defendeu a valorização dos espaços históricos. O secretário executivo de Turismo, Aleks Palitot, também lamentou a violação dos túmulos e o desrespeito à memória dos pioneiros sepultados no local. Essas manifestações constam da nota municipal.
Projeto de revitalização ainda depende do Iphan
A Prefeitura afirma que apresentou ao Iphan, em 2025, uma proposta de revitalização do Cemitério da Candelária e da área das locomotivas. Para o cemitério, o projeto prevê guarita com banheiro, vigilância, cercamento e iluminação, além de outras intervenções voltadas à proteção e à conservação.
No entanto, a administração municipal informou que ainda aguarda autorização do Iphan. Isso significa que as medidas descritas são propostas: não há comprovação, na publicação, de aprovação do projeto, contratação das obras ou início de execução.
A análise do órgão federal é uma etapa relevante porque as intervenções propostas alcançam um espaço histórico. Por enquanto, não foi divulgado um cronograma confirmado para instalação das estruturas de proteção.
O que falta esclarecer e garantir
No Cemitério da Candelária, a notícia deixa questões em aberto: quantos túmulos sofreram danos, qual a extensão das alterações nas estruturas, quem praticou os atos e qual foi a motivação. A Prefeitura não forneceu essas respostas no comunicado de 3 de novembro.
Também falta confirmação sobre o resultado da análise do Iphan e sobre quando eventuais melhorias de vigilância, iluminação e cercamento poderão sair do papel. Até lá, o episódio reforça a importância de acompanhar as providências de proteção do patrimônio e o andamento das investigações, sem antecipar conclusões.
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Informação e serviço para Porto Velho e Rondônia.




