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terça-feira, abril 14, 2026

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Bons hábitos do coração podem reduzir mortes por câncer

Saúde cardiovascular e câncer estão mais conectados do que muitos pacientes imaginam, segundo um estudo publicado no European Heart Journal. A pesquisa acompanhou mais de 24 mil pessoas por cerca de 15 anos e indicou que bons hábitos ligados ao coração podem reduzir o risco de morte mesmo após um diagnóstico oncológico.

Entre os participantes avaliados no estudo Moli-sani, 779 eram sobreviventes de câncer. A análise mostrou que pessoas com melhores indicadores cardiovasculares tiveram risco até 38% menor de morrer por qualquer causa quando comparadas às que apresentavam piores condições de saúde.

Resumo rápidoOs principais dados da pesquisa em leitura direta

Acompanhamento

Mais de 24 mil participantes foram observados por aproximadamente 15 anos.

Sobreviventes

O estudo incluiu 779 pessoas que já tinham enfrentado diagnóstico de câncer.

Risco menor

Melhores indicadores cardiovasculares foram associados a até 38% menos risco de morte.

Saúde cardiovascular e câncer dividem fatores de risco

Para medir a condição dos participantes, os pesquisadores usaram o índice Life’s Simple 7, criado pela Associação Americana do Coração. O método considera sete pilares: não fumar, praticar atividade física, manter alimentação saudável, controlar o peso, ter pressão adequada, manter colesterol sob controle e regular os níveis de glicose no sangue.

Mãos seguram modelo anatômico de coração em imagem sobre saúde cardiovascular e câncer
Estudo aponta que bons hábitos cardiovasculares podem reduzir o risco de morte mesmo após diagnóstico de câncer.

O resultado indica que cada ponto adicional nessa escala já se associa a uma redução no risco de morte por câncer. Portanto, a soma de pequenas escolhas de rotina pode ter impacto relevante antes e depois do diagnóstico.

Sete pilares avaliados

O estudo observou hábitos e marcadores que protegem o coração e também podem influenciar o desfecho oncológico.

Tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada, excesso de peso, pressão alta, colesterol alterado e glicose elevada formam uma combinação de risco para doenças cardiovasculares e para pior evolução em diferentes condições de saúde.

Inflamação crônica ajuda a explicar a ligação

A relação entre saúde cardiovascular e câncer não se limita ao comportamento. Segundo a pesquisa, as duas condições compartilham mecanismos biológicos. Um deles é a inflamação crônica, processo contínuo que pode danificar vasos sanguíneos e, ao mesmo tempo, favorecer um ambiente mais propício à progressão de tumores.

A análise também apontou que marcadores inflamatórios, frequência cardíaca e níveis de vitamina D explicam mais de 50% da relação entre bons hábitos e menor risco de morte. Isso sugere que o benefício não depende de um único fator isolado, mas de um equilíbrio mais amplo do organismo.

50%+

O que pesa no organismo

Marcadores inflamatórios, frequência cardíaca e vitamina D aparecem como parte importante da conexão entre bons hábitos, coração protegido e menor risco de morte.

Vitamina D exige interpretação cuidadosa

O estudo observou associação entre níveis mais baixos de vitamina D e piores desfechos. No entanto, especialistas alertam que isso não significa que a reposição isolada resolva o problema. A vitamina D pode funcionar mais como um marcador do estado geral de saúde do que como causa direta do risco.

Assim, o foco principal deve permanecer nos fatores que levam ao desequilíbrio metabólico, como sedentarismo, má alimentação, excesso de peso e alterações de pressão, colesterol e glicose. Nesse contexto, saúde cardiovascular e câncer passam a ser tratados como áreas que exigem cuidado integrado.

Cuidado integrado ganha força

A chamada cardio-oncologia propõe unir prevenção, acompanhamento e controle de fatores de risco em pacientes oncológicos. A lógica é simples: proteger o coração também pode ajudar o corpo a enfrentar melhor o câncer.

Dieta mediterrânea ampliou os efeitos positivos

Outro ponto relevante apareceu quando os pesquisadores substituíram o critério alimentar original por um padrão mediterrâneo, com frutas, vegetais, peixes e azeite. Nesse cenário, os efeitos positivos se ampliaram, com redução do risco de morte por doenças cardiovasculares, câncer e outras causas, incluindo doenças neurológicas e respiratórias.

Na prática, os achados reforçam uma mensagem importante para pacientes, famílias e serviços de saúde: hábitos saudáveis não atuam apenas na prevenção. Eles também podem influenciar a evolução de doenças graves e melhorar a capacidade do organismo de responder a tratamentos e desafios clínicos.

Alimentos da dieta mediterrânea com peixe, azeite, legumes, frutas, grãos e vegetais
Padrão alimentar rico em frutas, vegetais, peixes e azeite foi associado a efeitos positivos no estudo.

Por isso, a relação entre saúde cardiovascular e câncer deve ganhar mais espaço nas conversas sobre prevenção. O estudo indica que cuidar do coração, controlar fatores metabólicos e reduzir inflamação crônica são medidas com potencial de impacto antes, durante e depois do diagnóstico oncológico.

Com isso, o estudo reforça que saúde cardiovascular e câncer devem ser vistos de forma integrada nas estratégias de prevenção, acompanhamento médico e orientação aos pacientes.

Fonte da notícia: G1

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