Saúde cardiovascular e câncer estão mais conectados do que muitos pacientes imaginam, segundo um estudo publicado no European Heart Journal. A pesquisa acompanhou mais de 24 mil pessoas por cerca de 15 anos e indicou que bons hábitos ligados ao coração podem reduzir o risco de morte mesmo após um diagnóstico oncológico.
Entre os participantes avaliados no estudo Moli-sani, 779 eram sobreviventes de câncer. A análise mostrou que pessoas com melhores indicadores cardiovasculares tiveram risco até 38% menor de morrer por qualquer causa quando comparadas às que apresentavam piores condições de saúde.
Saúde cardiovascular e câncer dividem fatores de risco
Para medir a condição dos participantes, os pesquisadores usaram o índice Life’s Simple 7, criado pela Associação Americana do Coração. O método considera sete pilares: não fumar, praticar atividade física, manter alimentação saudável, controlar o peso, ter pressão adequada, manter colesterol sob controle e regular os níveis de glicose no sangue.

O resultado indica que cada ponto adicional nessa escala já se associa a uma redução no risco de morte por câncer. Portanto, a soma de pequenas escolhas de rotina pode ter impacto relevante antes e depois do diagnóstico.
O estudo observou hábitos e marcadores que protegem o coração e também podem influenciar o desfecho oncológico.
Tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada, excesso de peso, pressão alta, colesterol alterado e glicose elevada formam uma combinação de risco para doenças cardiovasculares e para pior evolução em diferentes condições de saúde.
Inflamação crônica ajuda a explicar a ligação
A relação entre saúde cardiovascular e câncer não se limita ao comportamento. Segundo a pesquisa, as duas condições compartilham mecanismos biológicos. Um deles é a inflamação crônica, processo contínuo que pode danificar vasos sanguíneos e, ao mesmo tempo, favorecer um ambiente mais propício à progressão de tumores.
A análise também apontou que marcadores inflamatórios, frequência cardíaca e níveis de vitamina D explicam mais de 50% da relação entre bons hábitos e menor risco de morte. Isso sugere que o benefício não depende de um único fator isolado, mas de um equilíbrio mais amplo do organismo.
O que pesa no organismo
Marcadores inflamatórios, frequência cardíaca e vitamina D aparecem como parte importante da conexão entre bons hábitos, coração protegido e menor risco de morte.
Vitamina D exige interpretação cuidadosa
O estudo observou associação entre níveis mais baixos de vitamina D e piores desfechos. No entanto, especialistas alertam que isso não significa que a reposição isolada resolva o problema. A vitamina D pode funcionar mais como um marcador do estado geral de saúde do que como causa direta do risco.
Assim, o foco principal deve permanecer nos fatores que levam ao desequilíbrio metabólico, como sedentarismo, má alimentação, excesso de peso e alterações de pressão, colesterol e glicose. Nesse contexto, saúde cardiovascular e câncer passam a ser tratados como áreas que exigem cuidado integrado.
Cuidado integrado ganha força
A chamada cardio-oncologia propõe unir prevenção, acompanhamento e controle de fatores de risco em pacientes oncológicos. A lógica é simples: proteger o coração também pode ajudar o corpo a enfrentar melhor o câncer.
Dieta mediterrânea ampliou os efeitos positivos
Outro ponto relevante apareceu quando os pesquisadores substituíram o critério alimentar original por um padrão mediterrâneo, com frutas, vegetais, peixes e azeite. Nesse cenário, os efeitos positivos se ampliaram, com redução do risco de morte por doenças cardiovasculares, câncer e outras causas, incluindo doenças neurológicas e respiratórias.
Na prática, os achados reforçam uma mensagem importante para pacientes, famílias e serviços de saúde: hábitos saudáveis não atuam apenas na prevenção. Eles também podem influenciar a evolução de doenças graves e melhorar a capacidade do organismo de responder a tratamentos e desafios clínicos.

Por isso, a relação entre saúde cardiovascular e câncer deve ganhar mais espaço nas conversas sobre prevenção. O estudo indica que cuidar do coração, controlar fatores metabólicos e reduzir inflamação crônica são medidas com potencial de impacto antes, durante e depois do diagnóstico oncológico.
Com isso, o estudo reforça que saúde cardiovascular e câncer devem ser vistos de forma integrada nas estratégias de prevenção, acompanhamento médico e orientação aos pacientes.
Fonte da notícia: G1


