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sábado, abril 25, 2026

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Vinhos atingidos por enchentes viram símbolo de retomada no RS

Vinhos soterrados por enchentes viraram símbolo de resistência no Rio Grande do Sul depois que produtores da Serra Gaúcha transformaram perdas causadas pela lama em uma edição especial. Após a maior catástrofe ambiental da história recente do estado, a viticultura vive um momento de retomada, com safra considerada emblemática e produção acima da média.

Segundo dados citados pela Emater-RS, a safra deste ano chegou a 905 mil toneladas, somando uvas de mesa e uvas destinadas à indústria. A recuperação, porém, não veio apenas do clima favorável. Ela também reflete investimento em tecnologia, persistência dos agricultores e novas estratégias para reduzir os impactos das mudanças climáticas no campo.

Safra

905 mil t

Volume reúne uvas de mesa e uvas usadas pela indústria.

Prejuízo

R$ 1,5 mi

Perda acumulada em três anos na propriedade da família Argenta.

Edição especial

180 garrafas

Rótulos limpos e vendidos como lembrança da enchente.

Vinhos soterrados por enchentes ganham novo significado

Em Barão, na Serra Gaúcha, a família do produtor Arnaldo Argenta enfrentou transbordamentos e enchentes por três anos consecutivos, entre 2023 e 2025. Em maio de 2024, a lama atingiu máquinas e comprometeu a produção que estava em fermentação. O prejuízo acumulado chegou a R$ 1,5 milhão.

Mesmo diante das perdas, os vinhos soterrados por enchentes foram transformados em memória e resistência. Das garrafas atingidas, 180 unidades foram limpas e comercializadas como “Edição Inundação”, acompanhadas de um poema sobre a força da terra e da água. A iniciativa deu novo sentido ao que, inicialmente, parecia apenas destruição.

Área rural alagada no Rio Grande do Sul mostra lavouras, casas e estradas atingidas pelas enchentes.
Vista aérea mostra áreas rurais tomadas pela água durante as enchentes que afetaram lavouras e propriedades no Rio Grande do Sul.

Da lama à memória

O caso da família Argenta mostra como a tragédia passou a ser contada também pela produção rural. As garrafas preservadas carregam a marca do desastre, mas também registram a tentativa dos produtores de transformar perda em continuidade, renda e identidade.

Tecnologia ajuda produtores a reduzir riscos climáticos

A retomada da viticultura passa por uma mudança prática no manejo das plantações. Para reduzir os efeitos das chuvas intensas e das variações extremas do tempo, produtores apostam no sistema de cultivo coberto. A técnica protege os frutos da chuva e reduz em até 90% a ocorrência de doenças fúngicas.

O custo, no entanto, ainda pesa no planejamento das propriedades. A implantação pode chegar a R$ 450 mil por hectare, valor alto para pequenos e médios produtores. Ainda assim, a proteção física aparece como alternativa para quem tenta manter qualidade, reduzir perdas e evitar que novos vinhos soterrados por enchentes representem perdas ainda maiores no futuro.

O que muda no campo

Proteção: a cobertura reduz o contato direto dos cachos com a chuva intensa.

Sanidade: a queda de doenças fúngicas pode chegar a 90%, segundo a reportagem.

Custo: o desafio é o investimento elevado, estimado em até R$ 450 mil por hectare.

Novas variedades reforçam adaptação da viticultura

Além das estruturas cobertas, a pesquisa com novas uvas ganhou importância. Em Santa Teresa, a família de João Paulo Berra mantém uma área experimental com 50 variedades de uvas europeias. Entre elas está a Palava, originária da República Checa, descrita como uma uva precoce.

Garrafa de vinho, uvas maduras e mesa molhada representam a retomada da viticultura na Serra Gaúcha após enchentes.
Garrafa de vinho e uvas em cenário de vinhedo representam a reconstrução de produtores da Serra Gaúcha após as enchentes.

Essa característica ajuda a escalonar a colheita e o processamento industrial, reduzindo a pressão nos períodos de pico. Na prática, a adaptação permite que os produtores organizem melhor o trabalho, preservem a qualidade da fruta e diminuam riscos. Nesse contexto, os vinhos soterrados por enchentes também expõem uma virada mais ampla: produzir vinho no Sul exige tradição, mas também inovação.

ADAPTAÇÃO

Pesquisa, manejo e tradição passam a caminhar juntos

A viticultura da Serra Gaúcha combina legado familiar com decisões técnicas. Novas variedades, cultivo protegido e melhor organização da colheita ajudam produtores a enfrentar extremos climáticos sem abandonar a identidade construída por gerações.

Tradição familiar sustenta retomada na Serra Gaúcha

A força da viticultura no Rio Grande do Sul também está ligada à história das famílias que cultivam uva. A tradição remonta à chegada dos imigrantes italianos em 1875. Hoje, cerca de 15 mil famílias cultivam uva no estado, e 90% da produção está concentrada na região serrana.

Para produtores como João Paulo Berra, a atividade não representa apenas renda. Ela também carrega pertencimento, sucessão familiar e memória. Mesmo trabalhando na cidade, ele retorna todos os anos durante a colheita para manter viva a tradição da quinta geração da família, em um setor que agora convive com o alerta deixado pelos vinhos soterrados por enchentes.

LEGADO E FUTURO

A recuperação vai além da safra

A história dos vinhos soterrados por enchentes mostra que a recuperação do agro não se mede apenas em toneladas. Ela também aparece na capacidade de preservar lavouras, reconstruir estruturas, investir em tecnologia e manter comunidades produtivas diante de eventos extremos.

Com safra forte e iniciativas simbólicas, os vinhos soterrados por enchentes passaram a representar mais do que uma edição especial. Eles sintetizam a retomada de famílias que enfrentaram lama, prejuízo e incerteza, mas seguem apostando na terra, na tecnologia e na continuidade da viticultura na Serra Gaúcha.

A reação dos produtores reforça uma mensagem importante para o agronegócio brasileiro: tradição e inovação precisam caminhar juntas. Em regiões expostas a extremos climáticos, a permanência no campo dependerá cada vez mais de planejamento, adaptação e capacidade de transformar perdas em novos caminhos produtivos.

Fonte da notícia: G1

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