O crédito agrícola de R$ 10 bilhões anunciado pelo governo federal deve abrir uma nova frente de financiamento para a modernização de máquinas, implementos e equipamentos agrícolas em todo o país. A linha foi lançada neste domingo (26), durante a abertura da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.

A nova modalidade integra o programa MOVE Brasil e será voltada ao setor agropecuário. Segundo o governo, os recursos poderão financiar tratores, colheitadeiras, implementos e soluções de agricultura digital. A operação será feita pela Finep, diretamente ou por meio de parceiros como cooperativas, bancos privados e Banco do Brasil.
Crédito agrícola de R$ 10 bilhões terá juros menores
O crédito agrícola de R$ 10 bilhões foi apresentado como uma alternativa para ampliar o acesso do produtor rural a financiamento mais barato. Alckmin afirmou que a linha terá taxa de juros de um dígito, com objetivo de estimular a mecanização, a tecnificação e o uso de mais tecnologia na produção agropecuária.
Segundo o vice-presidente, os recursos serão voltados à compra e renovação de tratores, implementos, colheitadeiras e demais equipamentos usados na atividade rural. A expectativa é que o programa ajude produtores e cooperativas a substituir máquinas antigas, reduzir custos operacionais e melhorar a eficiência no campo.
Como o crédito deve operar
Do recurso público ao investimento no campo
Origem dos recursos: a modalidade usará recursos ligados ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, sob gestão da Finep.
Agentes financeiros: o crédito poderá ser contratado diretamente pela Finep ou por parceiros financeiros habilitados.
Destino final: produtores e cooperativas poderão financiar máquinas, equipamentos e soluções de agricultura digital.
O desenho da linha também prevê foco em conteúdo nacional, inovação, pesquisa e desenvolvimento. Na prática, o governo tenta conectar a demanda do produtor por máquinas mais modernas com o fortalecimento da indústria nacional e de tecnologias aplicadas ao agronegócio.
Uma novidade relevante é a possibilidade de cooperativas agrícolas acessarem diretamente crédito da Finep. Esse ponto pode ampliar o alcance do crédito agrícola de R$ 10 bilhões, especialmente em regiões onde pequenos e médios produtores dependem da organização coletiva para adquirir máquinas, compartilhar estrutura e ganhar escala.
MOVE Brasil serviu de base para a nova modalidade
A nova frente do crédito agrícola de R$ 10 bilhões segue o modelo do MOVE Brasil usado na renovação da frota de caminhões. Segundo Alckmin, aquela modalidade teve forte demanda e os recursos foram esgotados em cerca de 60 dias, o que serviu como referência para levar o programa ao setor agropecuário.
Durante a Agrishow, a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiavelli, avaliou que a iniciativa contribui para a mecanização e a tecnificação da agricultura familiar. Já o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou que o setor também deve ser impactado pela entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia, com redução tarifária para produtos agropecuários.
Além da linha de financiamento, o governo informou que prepara um programa de renegociação de dívidas rurais. A medida, segundo Alckmin, deve contemplar produtores inadimplentes e também aqueles que estão em dia, com objetivo de ampliar a capacidade de investimento e fortalecer a competitividade do setor.
Agenda do produtor
O que acompanhar depois do anúncio
A decisão de contratar financiamento dependerá das regras finais, do custo efetivo e da capacidade de acesso pelos agentes financeiros.
Condições do financiamento
Taxas, prazos, garantias e critérios de enquadramento serão decisivos para adesão.
Papel das cooperativas
O acesso direto à Finep pode facilitar operações coletivas e compras estruturadas.
Renegociação rural
A proposta paralela pode aliviar dívidas e destravar novos investimentos no setor.
Para o produtor, o principal ponto será transformar o anúncio em crédito acessível. O crédito agrícola de R$ 10 bilhões pode ganhar força se chegar rapidamente aos agentes financeiros, com regras claras e condições compatíveis com a realidade das propriedades rurais.
Se for operacionalizado no prazo previsto, o crédito agrícola de R$ 10 bilhões poderá impulsionar a modernização do campo, estimular a indústria de máquinas e ampliar o uso de tecnologia no agro. O impacto final, porém, dependerá da procura dos produtores e da capacidade do sistema financeiro de executar a linha com agilidade.
Fonte da notícia: Agência Brasil


