Produção sustentável indígena em Rondônia, autonomia territorial e futuro da Amazônia são os temas centrais do episódio do RuralCast com Almir Narayamoga Suruí, cacique geral da Terra Indígena Sete de Setembro.
A entrevista foi conduzida por Adalto Costa durante o Dia de Campo Paiter Suruí, na Aldeia Lapetanha, em Cacoal. Na conversa, Almir fala sobre café, cacau, agroflorestas, cooperativas, bioeconomia, tecnologia, mercado e políticas públicas.
O episódio mostra que a produção sustentável indígena em Rondônia envolve mais do que atividade econômica. Para os Paiter Suruí, ela também está ligada à autonomia, à preservação da floresta, à geração de renda e à decisão coletiva sobre o futuro do território.
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Almir Suruí conversa com Adalto Costa sobre autonomia indígena, produção sustentável, agroflorestas, cooperativas e futuro da Amazônia.
Produção sustentável indígena em Rondônia ganha destaque no RuralCast
No início do episódio, Almir Suruí destaca que o Dia de Campo Paiter Suruí representa um momento histórico para a Terra Indígena Sete de Setembro. Para ele, a presença de instituições, produtores e lideranças ajuda a mostrar que os povos indígenas também produzem com planejamento e responsabilidade.
A fala coloca a produção sustentável indígena em Rondônia como uma experiência que pode dialogar com outros territórios da Amazônia. O cacique defende que produzir não significa abandonar a floresta, mas construir uma relação equilibrada entre renda, cultura, tecnologia e cuidado ambiental.
Segundo Almir, o desenvolvimento precisa respeitar o território, a autonomia do povo Paiter Suruí e a qualidade de vida das famílias que vivem nas aldeias.
▶️ Veja o trecho sobre produção com responsabilidade
Almir fala sobre o Dia de Campo e sobre o modo planejado de produzir dentro do território indígena.
Autonomia indígena depende de parcerias e políticas públicas
Durante a conversa, Almir afirma que a ausência de políticas públicas dentro da terra indígena dificulta a produção e o sustento das famílias no próprio território. Ele defende que a autonomia Paiter Suruí passa pelo reconhecimento da produção sustentável e pela construção de parcerias.
O cacique cita a importância da assistência técnica, do diálogo com instituições e do acesso a políticas que ajudem o povo indígena a conduzir suas próprias estratégias. Para ele, a governança territorial precisa caminhar junto com planejamento, capacitação e apoio técnico.
Nesse contexto, a produção sustentável indígena em Rondônia aparece como parte de uma agenda de autonomia. A ideia é criar condições para que o território gere renda sem depender de decisões externas e sem abrir mão da cultura Paiter Suruí.
▶️ Assista ao trecho sobre autonomia e parcerias
Almir comenta assistência técnica, instituições financeiras, políticas públicas e fortalecimento da autonomia indígena.
Café, cacau e agroflorestas entram no planejamento Paiter Suruí
Almir relembra que a Terra Indígena Sete de Setembro passou por diagnósticos, zoneamento e planejamento para identificar potenciais e desafios. A partir desse processo, os Paiter Suruí passaram a discutir café, cacau, banana, castanha, açaí e sistemas agroflorestais.
A proposta não é produzir de qualquer forma. O objetivo é organizar um calendário produtivo, qualificar os produtos da floresta e transformar a gestão territorial em estratégia econômica, ambiental e comunitária.
Para o cacique, qualidade é um diferencial. O desafio, segundo ele, é fazer o mercado reconhecer produtos indígenas com origem, valor agregado e responsabilidade ambiental.
▶️ Veja o trecho sobre território, café e cacau
A liderança fala sobre diagnóstico territorial, etnozoneamento, café, cacau, castanha e agroflorestas.
Planejamento conecta território, renda e floresta
Território: o planejamento ajuda a identificar potenciais produtivos e desafios ambientais da Terra Indígena Sete de Setembro.
Valor: café, cacau, castanha e produtos da floresta ganham força quando chegam ao mercado com qualidade.
Autonomia: o futuro depende de organização, tecnologia, mercado e decisão coletiva.
Cooperativas fortalecem organização coletiva no território
Outro ponto importante da entrevista é o papel das cooperativas. Almir afirma que a organização coletiva tem apoio da governança Paiter Suruí e precisa ser compreendida como instrumento de desenvolvimento, fortalecimento e comercialização.
Para ele, a força dos povos indígenas está na coletividade. Mesmo quando há empreendedores familiares, o produto carrega o nome do povo Paiter Suruí e exige cuidado com qualidade, reputação e negociação.
A fala também mostra preocupação com capacitação em gestão, organização financeira e formação de novas gerações. Para o cacique, a produção só avança de forma segura quando a comunidade entende seu papel dentro do processo.
▶️ Assista ao trecho sobre cooperativas e coletividade
Almir explica por que cooperativas são importantes para organização produtiva, comercialização e fortalecimento dos Paiter Suruí.
Futuro da Amazônia passa por autonomia e decisão coletiva
Ao falar sobre os próximos anos, Almir Suruí afirma que o povo Paiter Suruí já é referência em um modelo de desenvolvimento para a Amazônia. Ele defende que o território avance com agroflorestas, café, cacau, banana, açaí, castanha, tecnologia e novos projetos produtivos.
O cacique também destaca o sonho de ver seu povo com autonomia política e financeira a partir do próprio trabalho. Para ele, a decisão sobre o território deve ser dos Paiter Suruí, construída com diálogo, consulta e participação das comunidades.
Na mensagem final, Almir afirma que práticas hoje chamadas de produção regenerativa já faziam parte do modo indígena de cuidar da terra. A diferença, agora, é transformar esse conhecimento em renda, emprego, qualidade de vida e valorização no mercado.
O RuralCast com Almir Suruí mostra que a produção sustentável indígena em Rondônia é uma pauta econômica, ambiental e cultural. Em Cacoal, a experiência Paiter Suruí aponta caminhos para uma Amazônia com floresta em pé, autonomia territorial e protagonismo indígena.



